
Ainda havia público a entrar no Dragão e já o FC Porto vencia com um golo de Gabri Veiga, marcado no primeiro minuto de jogo. E estava dado o mote para o grande jogo que o galego faria.
Farioli tem tentado sempre surpreender os adversários nas bolas de saída. E alguns destes lances têm estado muito perto do golo; porém,só hoje, frente ao Nice, na Liga Europa, é que o FC Porto conseguiu marcar no primeiro lance da partida. Um remate muito bem colocado, na ressaca do ataque inicial.

O Nice tentava sair, mas os portistas não lhe concediam espaço. Só à passagem do minuto 20 é que Sansom conseguiu isolar-se, mas, frente a Diogo Costa, atirou por cima da trave.
O FC Porto continuava a dominar; aos 32 minutos, Gabri Veiga, a passe de Froholdt, apareceu isolado e, frente ao guarda-redes do Nice, rematou, com classe, para o fundo das redes. Estava feito o 2-0, que daria justiça ao generoso domínio da equipa da casa.
Farioli tinha afirmado em conferência de imprensa que Dennis Gul também podia jogar a extremo. Se bem o disse, melhor o fez. A presença do turco no lugar ocupado habitualmente por Borja Sainz seria uma das novidades do onze portista. No entanto, e sem pôr em causa a qualidade do avançado, parece-nos que lhe falta rotina do lugar e pouca apetência para dar profundidade ao flanco esquerdo. Apesar das dificuldades, teve um desempenho positivo.

A outra surpresa (ou nem tanto) foi a entrada de Rosário para central direito, em vez de Bednarek. E o ex- Nice parece talhado para jogar em todas as posições. Neste jogo começou no centro da defesa e acabou como uma espécie de “trinco” quando Varela saiu lesionado. Pablo Rosário é, realmente, um jogador nuclear nesta equipa. Faz várias posições e sempre com qualidade.

Ao intervalo, o FC Porto estava com a vantagem de dois golos, mas podeira ter conseguido mais, face ao futebol praticado. O Nice apenas duas vezes incomodou Diogo Costa.
No período complementar, os franceses surgiram mais rápidos e a jogar no meio campo portista. Mas não durou muito este avanço do bloco do Nice. Ao sentir o adversário a crescer no jogo, o FC Porto voltou a aumentar a velocidade de jogo e a chamar a si, novamente, o domínio. O que aconteceu até ao final da partida.

Samu fez o terceiro golo, através da transformação de um pontapé de grande penalidade, numa falta sobre si e detetada pelo VAR.
Foi um prémio merecido para o espanhol. Trabalhou imenso e demonstrou uma vontade muito grande de fazer golo. Nem sempre decidiu bem, mas desgastou muito a defesa contrária, em particular o experiente “central”, Dante.

Se há algumas semanas era notada uma quebra na equipa do FC Porto, neste momento há uma espécie de “renascimento”, face às exibições com que começou o campeonato.

Gabri Veiga foi, para nós, o melhor em campo. Com bola, é um jogador de grande nível. Precisa de maior discernimento quando não a tem, pois, às vezes, perde-se em agressividade excessiva e ( sempre) inócua.
Declarações
Francesco Farioli (treinador do FC Porto) – “Claro que o primeiro golo do Gabri nos ajudou a tomar o rumo certo.”

“Em primeiro lugar, queria congratular a seleção portuguesa de sub-17, foram campeões do mundo. Temos bastantes jogadores lá, foi algo muito importante para o país, mas principalmente para eles.
Relativamente ao nosso jogo, este grupo é muito comprometido, sério e profissional. A minha mensagem sempre foi clara: o Nice é uma equipa com qualidade e organização, apesar de não estar talvez no seu melhor momento. Os jogadores perceberam isso e abordaram bem o jogo.
Claro que o primeiro golo do Gabri nos ajudou a tomar o rumo certo, mas eu apreciei a forma como gerimos toda a primeira parte. Depois, na segunda metade, penso que baixámos um pouco o nível, em termos de posse de bola e precisão dos passes. A equipa permitiu algumas situações e podia ter concedido um golo.
Ainda assim, é um grande resultado e não termos sofrido golos também é importante para nós.
Para nos qualificarmos, precisamos de um mínimo de 15 pontos, portanto ainda é uma longa jornada. Temos de seguir o nosso plano jogo a jogo. Agora o nosso foco é o Estoril Praia, vamos jogar daqui a 72 horas aqui no Dragão.
O Varela teve uma pancada forte no joelho e decidi tirá-lo. É algo que teremos de avaliar amanhã. .
As vitórias dos três ‘grandes’ nas competições europeias são importantes para para o ranking. Pelo que percebi, nos próximos jogos, não vamos ter novamente o mesmo tratamento que os nossos rivais. Quando nos derem o calendário, geriremos de acordo com o compromisso seguinte”.
Franck Haise (Treinador do Nice):“Se tiver de sair, compreendo.”

“Nós trabalhámos muita coisa e não mudámos os planos depois de alguns segundos. Mas, obviamente, não estamos a ter o melhor arranque de época e sofrer desta forma não é a melhor forma de começar um jogo, foi um ‘tiro nos pés’.
O resultado é este, perdemos 3-0, ninguém está satisfeito e há muita coisa a melhorar. Mas vi algumas coisas positivos e normalmente é difícil vê-las quando se perde 3-0. Os jogadores mostraram garra.
Eu compreendo os adeptos [que abandonaram as bancadas depois do terceiro golo do FC Porto], quando sofremos um golo tão cedo e vamos para intervalo a perder por 2-0. Já eu sou treinador de futebol e tenho de ficar até ao fim.
Eu adoro esta profissão, mas tenho a noção de que há momentos difíceis. Se a solução for eu sair, aceito de livre vontade. Eu e a minha equipa técnica fazemos sempre essa autoanálise. Mas tenho um espírito combativo.
Isto não é um pedido de demissão, mas se tiver de sair, compreendo. Demitir-me seria atirar a toalha ao chão. Quero assumir as minhas responsabilidades, mesmo quando não corra bem”.
Ficha
Estádio do Dragão, no Porto.
FC Porto – Nice, 3-0.
Ao intervalo: 2-0.
Marcadores:
1-0, Gabri Veiga, 1′
2-0, Gabri Veiga, 33′
3-0, Samu (gp), 61′
FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Kiwior, Pablo Rosario, Francisco Moura, Alan Varela (Bednarek, 46), Victor Froholdt (Rodrigo Mora, 73), Gabri Veiga (Stephen Eustáquio, 80), Pepê, Samu (Luuk de Jong, 73) e Deniz Gul (Borja Sainz, 68).
Suplentes: Cláudio Ramos, João Costa, Martim Fernandes, Bednarek, Prpic, Zaidu, Tomás Pérez, Rodrigo Mora, Stephen Eustáquio, William Gomes, Luuk de Jong e Borja Sainz.
Treinador: Francesco Farioli.
Nice: Yehvann Diouf, Charles Vanhoutte, Jonathan Clauss (Tiago Gouveia, 79), Antoine Mendy, Melvin Bard, Dante (Kojo Oppeng, 79), Sofiane Diop (Hichem Boudaoui, 69), Morgan Sanson, Terem Moffi (Kevin Carlos, 69), Ali Abdi e Mohamed-Ali Cho (Isak Jansson, 69).
Suplentes: Dupé, Zelazowski, Juma Bah, Kojo Oppeng, Hichem Boudaoui, Salis Samed, Tom Louchet, Ndombélé, Tiago Gouveia, Isak Jansson, Kevin Carlos e Jérémie Boga.
Treinador: Franck Haise.
Árbitro: Matej Jug (Eslovénia).
Ação disciplinar: Cartão amarelo para Charles Vanhoutte (52), Bednarek (77), Antoine Mendy (79) e Borja Sainz (90+3).
Assistência: 37.254 espetadores.
Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto) e António Proença(Fotos)
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