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Domingo, Julho 14, 2024

“Juntem-se a nós”- apela presidente da Federação das Coletividades de Gaia

“Juntos seremos sempre mais fortes”, disse a “O Cidadão”, Paulo Rodrigues, Presidente da Direção da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia; e lamenta o facto de nem todas estarem na Federação. “É esse um dos principais objetivos a atingir para o bem de todos.” – afirma o dirigente federativo gaiense.

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Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Paulo Rodrigues, Presidente da Direção da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia não tem dúvidas quando conseguirmos ter todas as coletividades representadas, será melhor para todas elas e para o associativismo concelhio.”
A Federação já existe há muito tempo?
A antiga Associação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, este foi o nome da sua fundação, surgiu em 1998, fruto da vontade de um grupo de dirigentes associativos que sentiram a necessidade de unirem-se de modo aterem maior representatividade perante os poderes instituídos.”

Há, então, uma Federação Nacional?
“Sim. E nós somos uma estrutura descentralizada da Confederação Portuguesa das Coletividades – Cultura, Recreio e Desporto. É este o nome da federação nacional.

Quantas coletividades existem em Portugal?
Segundo a conta satélite de Economia Social que foi apresentada relativamente a 2019 e 2020, foram contabilizadas cerca de 35 mil coletividades a nível nacional. Representam 50% do setor da Economia Social.”

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“Queremos que todas as associações se juntem a nós” – disse Paulo Rodrigues. FOto de ANTÓNIO PROENÇA


Existe diálogo profícuo entre todas a associações de Portugal?
Há diálogo permanente e tentamos sempre ser úteis na resolução dos problemas de todas.”

Muitas queixas e muitas dificuldades?
Muitas reivindicações. Foram apresentadas várias no que diz respeito ao Dirigente Associativo Voluntário. A Lei foi publicada em 2004, mas nunca regulamentada. Estamos há 20 anos à espera dessa regulamentação.”

E que medidas tomam para,de vez, resolverem o problema?
“Todos os anos a Confederação apresenta propostas concretas a todos os Grupos parlamentares, aquando do Orçamento de Estado (OE), de forma a serem incluídas no documento. Todos elas, justíssimas, segundo o nosso ponto de vista e que fazem falta ao movimento associativo. O que é certo é que nunca são aprovadas, mesmo sendo apresentadas a todos os grupos parlamentares de todos os partidos políticos.”

Nos tempos que correm, a ideia com que ficamos é que não é fácil constituir associações. Por diversos motivos, entre os quais os fatores económicos e os dos meios humanos. É assim?
“Constituir uma associação não é tão difícil quanto isso. Tem certos requisitos – estatutos, escritura, registo notarial e publicação – que implicam custos, sim. Mas há exigências que são colocadas às associações, para além das que citei atrás, e que não fazem qualquer sentido.”
Quais?
“O RCBE (Registo Central do Beneficiário Efetivo,) por exemplo. Os dirigentes associativos – voluntários, benévolos, eleitos – para além do tempo que cedem, muitas vezes, disponibilizam pequenos meios financeiros para a resolução de problemas pontuais. E é incompreensível que sejam , depois, tratados como empresários ou gerentes de grandes empresas. Tratam as coletividades como as empresas de “milhões” quando são organizações de “tostões”. Não é lógico, nem justo. Os dirigentes associativos sentem que não são – e não são – devidamente valorizados.

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Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Sendo obrigatório abrir conta bancária, há bancos que complicam e alguns até recusam a abertura de conta a associações…
“Exigem o RCBE e cobram despesas. Por esse motivo, a Confederação estabeleceu um protocolo com o Montepio para conseguirmos algumas vantagens no que respeita aos custos.”
Paulo Rodrigues, atualmente, preside à direção da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, mas há muitos anos que faz parte de associações, tendo dirigido algumas. A sua experiência é vasta e o amontoar de dificuldades criam, obviamente, revolta. E nos 50 anos do 25 de Abril, Paulo Rodrigues sente a necessidade de desabafar.
Nós vamos lutando e dizendo as verdades porque estas são para serem ditas. No dia 25 de Abril vamos comemorar 50 anos de democracia. Eu chego ao fim destes 50 anos e concluo que poderíamos e deveríamos viver num país melhor. A pobreza que existe no nosso país, os sem abrigo, por exemplo, torna-se incompreensível. Aquilo que foi feito, e muito foi feito!, é insuficiente. Depois há situações que não se compreendem – O mercado de arrendamento, a habitação social, o custo da habitação, os vencimentos das pessoas…”
Este “abrir de alma” por parte do presidente, teve a ver com a questão colocada sobre as dificuldades das às associações que têm sede alugada. “Aqui em Vila Nova de Gaia, apesar de grandes dificuldades, ainda não há nenhuma a fechar por causa disso; mas no Porto, mesmo no centro da cidade, algumas tiverem de fechar portas por não conseguirem suportar o custo das rendas que aumentaram muito” – frisa Paulo Rodrigues

Em Gaia

Se há regiões em que as coletividades possuem grande espírito de união – Gondomar, por exemplo – Vila Nova de Gaia tem associações muito “independentistas”. O que não ajuda, muitas vezes, a que os problemas comuns sejam resolvidos com a celeridade necessária. De momento, a Federação tem mais de cem associados.
“Atualmente, 175 associados. Mas é claro que nem todas com a sua situação regularizada. Com as quotas em dia são cerca de uma centena.

Já houve um tempo em que os clubes desportivos de formação, principalmente de futebol, mas não só, queixavam-se da manifesta falta de espaços para treino. Segundo Paulo Rodrigues a situação melhorou no que se refere a espaços, mas há um problema que urge agilizar – os horários das escolas.
“Há freguesias que têm mais de um clube de futebol. O que torna difícil atender a todas as situações. Os que possuem instalações próprias, acabam por encontrar modos de gestão do seu espaço, os que não possuem campos próprios, treinam em instalações municipais que têm melhorado bastante nos últimos anos. Mas o problema de sempre, mantém-se. Os jovens só podem treinar quando acabam as aulas nas escolas, o que acontece virem todos treinar ao mesmo tempo, o que complica, e muito, a situação,devido ao número de clubes existentes no concelho. Durante o resto do tempo, os espaços estão livres, mas os jovens só podem treinar ao fim da tarde e à noite…”
Independentemente disso, tem havido algum esforço para dotar as freguesias com mais infraestruturas desportivas?
Construíram-se estádios, remodelaram-se outros, pavilhões, etc. A rede de infraestruturas desportivas está a melhorar. Será dos concelhos onde mais evolui.”

Para os que têm instalações próprias – sedes, por exemplo –
vivem com o problema do IMI…
“Na nossa opinião, as coletividades, como não possuem fins lucrativos, deveriam estar isentos do pagamento do IMI.”

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Paulo Rodrigues, presidente da Direção da Federação das Coletividades de Gaia. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

2024

Como já foi referido, no concelho de Vila Nova de Gaia há muitas coletividades. De âmbito cultural, desportivo, recreativo, social. A Federação procura, nos seus projetos, privilegiar todas as atividades. Nem sempre será possível, com certeza, mas para 2024 os objetivos são bastante abrangentes. Começaram com o FESTEATRO, um festival de teatro amador em que podem ser vistas 11 peças, apresentadas pelos grupos amadores do concelho e que decorre até ao dia 23 de Março. Mais há mais.
Com o FESTEATRO pretendemos homenagear também, todos os anos, uma instituição ou uma personalidade. Este ano (2024) será a Tuna Musical de Santa Marinha que comemora o centenário. Em Maio vamos lançar um livro da professora Isabel Lacerda sobre Vila Nova de Gaia. “O seu Trajar em Tempos Idos”. É um documento etnográfico que terá a colaboração de todas as juntas de freguesia e da Câmara Municipal de Gaia. Queríamos voltar a organizar as “Vivências de Gaia” que juntam no mesmo espaço as diferentes coletividades, com espaços de restauração para o muito público que costumava ocorrer a este certame. Queríamos muito reativar. No verão promoveremos um torneio de minibasquetebol, com a colaboração do FC Gaia (será a 3ª edição) e que movimentará cerca de 150 atletas jovens.”

A ambição em fazer mais e melhor está sempre presente, mas Paulo Rodrigues termina como começou.
Temos feito um grande esforço no sentido de tornar as coletividades mais unidas junto da federação. Apelo às pessoas para juntarem-se a nós. Juntos seremos sempre mais fortes.”

Reportagem de Alberto Jorge Santos (texto), António Proença ( foto e vídeo), Filipe Romariz (montagem)

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