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Sexta-feira, Julho 12, 2024

“Jornalistas, separem o essencial do acessório.” (Opinião)

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Os senhores jornalistas têm de começar a separar o essencial do acessório.” – disse, hoje, Luís Montenegro à comunicação social que o acompanhava em evento partidário.

Assim pensam os políticos de uma forma geral. Está-lhes “no sangue”! Quando as perguntas são incómodas, em vez de ficarem calados, atiram ao mensageiro.

Espero que no Congresso dos Jornalistas, a decorrer em Lisboa, alguém chame a atenção para esta frase. É um detalhe, é certo, mas de uma grande importância. O problema está sempre nos detalhes…

Foi o presidente do PSD, mas quase todos os líderes políticos têm esta pose sobranceira e manipuladora. A tendência para puxarem a comunicação social para o seu lado é tentadora. Demasiado tentadora. E levam a palma, algumas vezes…

Arautos da democracia, gostam de inundar o éter com o imprescindível elogio à imprensa e do papel que esta tem no Estado de Direito. Do inegável contributo para vivermos em Liberdade.

Depois, desrespeitam esses “agentes essenciais” do regime democrático. Não conseguem entender o pormenor mais básico: o jornalista, para levar a informação aos cidadãos, precisa de questionar as fontes. Cabe-lhe, juntamente com o seu editor, fazer a distinção entre o que é importante e o que é dispensável.

Quem faz do jornalismo vida, seguramente que já deve ter sido confrontado, por diversas vezes, com respostas incompreensíveis às suas perguntas, na forma de “essa pergunta não faz sentido”, “quem lhe encomendou a pergunta”, “não faz sentido o que está a perguntar” ou “não percebo por que pergunta isso”, entre muitas outras formas. Às vezes muito deselegantes e malcriadas.

Os jornalistas perguntam. É a sua função. Não obrigam quem quer que seja a responder. Não condicionam a resposta, limitam-se a citar o que ouvem.
É certo que o problema da classe jornalística, hoje, é gravíssimo. De sobrevivência. A precariedade, que sempre existiu (desde o início de 80 que existe, pelo menos!), agravou-se com a entrada dos grandes grupos económicos na imprensa. A toxicidade dos maus administradores é um vírus demasiado resistente. Que leva à morte. Dos títulos…e dos profissionais.

Mas o “tique” de Montenegro é muito importante. Dá a conhecer à sociedade a forma como o poder político é hábil na demagogia frente à imprensa. E na hipocrisia – por um lado “exigem” jornalismo livre, depois, quando confrontados, dão respostas tontas.

É no meio destes poderes – más administrações e políticos manipuladores – que os profissionais dos media têm de sobreviver. Um equilíbrio instável…

Ser livre e independente não é fácil, acreditem.


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