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Segunda-feira, Abril 15, 2024

Jornalismo – Uma profissão que devia ser mais respeitada para bem da Democracia

Os trabalhadores da TSF já fizeram greve anteriormente, mas apenas no âmbito de greves gerais e de uma greve contra o despedimento coletivo no grupo Global Media (uma medida que tem sido recorrente na organização detida, na sua maioria, pelo empresário Marco Galinha). Mas hoje decidiram desligar os microfones durante 24 horas. "A programação regular da TSF está condicionada devido a uma greve de 24 horas dos trabalhadores desta rádio", anuncia Fernando Alves.

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Enquanto jornalista há mais de 40 anos, vivo hoje um dos dias mais tristes da minha vida. Não pude ouvir a rádio TSF como costumo fazer quase todos os dias. E porquê? Porque pela primeira vez em 35 anos de vida, a TSF desligou o microfone contra o “desrespeito” que existe contra os jornalistas profissionais que trabalham naquela rádio.

Fundada em 1988 por Emídio Rangel, a TSF é uma rádio de informação, com principal enfoque na atualidade política, económica, social e desportiva, procurando sempre ser útil e relevante para os ouvintes. Ou seja, a TSF foi uma rádio que mudou a rádio em Portugal. O lema que sempre moveu os jornalistas da TSF foi este: “Por uma boa história, por uma boa notícia, nós vamos ao final da rua, nós vamos ao final do Mundo”.

Mas hoje, durante uma greve de 24 horas, a TSF limitou-se a passar música. Confesso que recordei o dia 25 de Abril de 1974, em que que o meu pai deixou a rádio todo o dia ligado na taberna, para os clientes irem ouvindo o que se passava em Lisboa.

Mas o mais triste de tudo, foi ouvir a voz inconfundível e única do meu camarada Fernando Alves (quase a reformar-se depois de uma vida inteira dedicada à rádio!) informando os ouvintes do seguinte: A programação regular da TSF está condicionada devido a uma greve de 24 horas dos trabalhadores desta rádio”.

O jornalista Fernando Alves consegue pintar com a sua voz inconfundível os “sinais dos tempos” que se vivem na TSF. Consegue trazer-nos a imagem de uma rádio em protesto: não há noticiários, não há notícias, não há notificações ou alertas. Pela primeira vez em 35 anos, e após vários meses de luta por melhores condições e por sinais de “desrespeito” pela administração da rádio, a TSF desligou os microfones.

Os trabalhadores da TSF exigem apenas e só melhores condições de trabalho e mais respeito. Um deles, Filipe Santa-Bárbara, espera que “a paralisação sirva ainda de exemplo para que a classe jornalística olhe mais para as suas próprias dificuldades”.

Mas que classe camarada Filipe Santa-Bárbara? Há muito que esta classe perdeu a classe. Sei do que falo. Infelizmente. E os tempos que se avizinham vão ser ainda piores, pois os caciques, os bufos e comissários políticos infiltrados das administrações e do Governo, entram com pezinhos de veludo nas redacções e infernizam a vida a todos os jornalistas profissionais que procuram praticar um jornalismo livre.

A greve dos trabalhadores da TSF vai durar 24 horas. Tempo mais do que suficiente para que as autoridades competentes e o próprio Governo possam reflectir o que se passa na maioria dos órgãos de comunicação social em Portugal Continental, nos Açores e na Madeira.

Permitiram que alguns empresários sem escrúpulos fosse adquirindo diferentes órgãos de comunicação social e os resultados começam a surgir.

Esta paralisação na TSF é de certa forma uma luta pelo jornalismo independente, livre e pelo jornalismo com condições básicas de respeito por parte das entidades patronais. Mas talvez seja o momento de os jornalistas repensarem o seu futuro e preparar uma “revolução”. Para que esta classe volte a ter classe!

“Portugal não tem uma grande tradição de cobertura do setor dos média, não se fala de jornalismo. Quantas vezes nós damos as greves de tantos setores e tantas empresas, e nunca falamos dos nossos problemas e daquilo que nos atinge. E se o jornalismo é um pilar da democracia, e tantos alertas que o Presidente da República já fez acerca da necessidade de defender o jornalismo, caramba, penso mesmo que está é mesmo a forma de mostrarmos que estamos aqui, estamos vivos, e queremos continuar aqui, mas deixem-nos continuar a trabalhar. É um grito que mistura revolta com frustração, mas também com vontade de fazer mais”, afirmou com determinação o jornalista Filipe Santa-Bárbara.

O problema camarada Santa-Bárbara é que esse Pilar da Democracia começa a mostrar algumas fissuras e um destes dias poderá desabar. Já faltou mais.

A Luta por um Jornalismo Livre e sem Censura continua. Pelo menos aqui neste projecto O Cidadão. Aqui fica a minha solidariedade para com os companheiros da rádio TSF.

* Nota da Redação: O autor escreve segundo o antigo prontuário ortográfico.

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