Jorge Costa – Mais um símbolo portista que parte

“Aconteça o que acontecer, faço parte da história do clube do meu coração”
Jorge Costa

Jorge Paulo Costa Almeida ( Jorge Costa) nasceu no Porto, a 14 de outubro de 1971 (tinha 53 anos); foi jogador, treinador e dirigente (cargo que exercia) do FC Porto.
Fez toda a formação no clube da Invicta e, em 90/91, como era habitual na altura foi emprestado, para rodar, ao Penafiel, clube pelo qual efetuou 23 jogos e marcou 2 golos.

Na época seguinte, jogou no Marítimo, também por empréstimo, onde fez 31 jogos e marcou 1 golo.
Em 1992 regressou ao FC Porto e ficou até 2002 (10 anos), sendo, depois, durante 1 época emprestado ao Charlton, de Inglaterra.
Voltou ao clube do seu coração na época seguinte, onde permaneceu mais quatro temporadas.
Em 2006 “pendurou as botas”, depois de uma época o serviço dos belgas do Standard de Liége.
Pela Seleção Nacional jogou 50 partidas e marcou 1 golo.

Treinador
Foi um dos melhores jogadores portugueses na sua posição (defesa-central) e um dos melhores da Europa. Como treinador, não teve o mesmo êxito e passou por muitos clubes.
Começou como adjunto de Rogério Gonçalves, no Braga, em 2006/2007. Estreou-se como treinador principal, justamente no Braga, em 2007.

Passou por Braga, Olhanense, Académica, Cluj (Roménia), Limassol ( Chipre),Famagusta ( Chipre), Paços de Ferreira, Seleção do Gabão, Sfaz ( Tunísia), Arouca, Tours (França), Mombay ( India), Gaz Metan Medias (Roménia), Farense, Sfaz ( Tunísia), Ac. Viseu e AVS SAD, em 2023-2024. Abandonou a carreira e concorreu na lista de André Villas-Boas à direção do FC Porto, onde exercia o cargo de Diretor Geral para o Futebol.

Muitos Troféus no FC Porto e Seleção Nacional
Jogou 14 anos no FC Porto, quase sempre a titular e capitão de equipa. Esteve em alguns dos maiores momentos desportivos do clube.
Venceu pelo FC Porto:
1 Taça dos Campeões ( Champions League)
1 Taça UEFA ( Europe League)
1 Taça Intercontinental
8 Campeonatos Nacionais
5 Taças de Portugal
1 Supertaça Cândido de Oliveira
Pela Seleção Nacional A não ganhou troféus, mas esteve presente no Euro 2000 e no Campeonato do Mundo Coreia-Japão.
Ao contrário, nas seleções mais jovens, foi Campeão Mundial de Sub-20.
Estreou-se nos Sub-16 de Portugal, em 1988 e, a partir daí, passou por todos os escalões.

“O Bicho”
Jorge Costa foi um “central” diferenciado; talentoso, forte, bom no jogo aéreo e no passe de construção. Tinha a fama (e o proveito!) de ser considerado “duro” pelos seus adversários. Duro, mas sempre leal, dizem os adversários que o defrontaram, principalmente os avançados.
Entre estas características, todas do agrado dos adeptos do FC Porto, havia uma que os deliciava – a capacidade de liderança no campo e no balneário. Transportava a braçadeira de capitão, porque era realmente um “capitão”. Quem o viu jogar não pode esquecer o modo seguro, autoritário e desportivamente arrogante que ostentava. Tinha o tal ADN Porto que, dizem alguns adeptos do clube, vem sendo perdido. Um ADN de Rodolfo, de João Pinto, de Paulinho Santos, de Fernando Couto, de Fernando Gomes, entre outros. Jorge Costa fazia parte deste grupo que escreveu história nos Dragões.
A presença de Jorge Costa, desportivamente, era tão intensa que um colega – Fernando Couto – deu-lhe a alcunha de “Bicho”. E pegou. Passou a ser assim conhecido por todos – o Bicho. Que partiu hoje, aos 53 anos de idade.
As histórias à volta de Jorge Costa, são imensas; principalmente no antigo balneário das Antas. Muitas delas, mais ou menos conhecidos, por estes dias serão contadas. As entradas e saídas do FC Porto são autênticas odisseias.
Cândido Costa, com quem partilhou balneário, tem diversas, algumas bem engraçadas. E José Mourinho também conhece algumas e até participou nelas.
É uma perda muito sentida para os portistas. Que viam nele a imagem do lutador, daquele que “comia a relva” se fosse preciso para defender as cores azuis e brancas.
Mais um símbolo do FC Porto que parte. Demasiado cedo, como dirigente ainda tinha muito para dar ao clube que sempre amou.
Finalizo com um episódio que presenciei, juntamente com outros jornalistas, nas Antas, depois de Jorge Costa ter acabado a carreira. Todos sabíamos que ia ser treinador e alguém perguntou se gostaria de fazê-lo no FC Porto. Jorge Costa respondeu mais ou menos assim, “Claro que sim, é o clube do meu coração, mas provavelmente não vou fazê-lo porque se já tenho algum cabelo assim (branco), um ano a treinar o FC Porto, ficava com ele todo branco.”