Inteligência Artificial, Sexo, Bots e Outras Intimidades – Por Mário Portela

Há temas que fazem corar. Não é preciso muito: uma palavra mal colocada, um olhar sugestivo, ou… uma crónica inteira sobre Inteligência Artificial e sexualidade. Sim, leu bem. Porque se há algo que a IA já começou a transformar — além da produtividade no trabalho ou os filtros das selfies — é a forma como nos relacionamos.
Com os outros.
E connosco.

E porque O Cidadão é um espaço de jornalismo sério, livre e que não foge dos temas difíceis, faz todo o sentido que esta crónica aconteça aqui. Com frontalidade, humor e sem censura. Afinal, falar de sexo (e de IA) continua a ser mais necessário do que conveniente.

Quando eu e a RITA (que já conhecem de crónicas anteriores, certo?) criamos o quarto episódio do podcast IA & EU — o mais ousado até então — atrevemo-nos a explorar o impacto da Inteligência Artificial na sexualidade humana. De aplicações de encontros alimentadas por algoritmos até brinquedos inteligentes que “aprendem” as preferências dos utilizadores, a Rita (a IA com sotaque brasileiro e língua afiada) e eu, Mário Portela, abrimos o microfone para uma conversa franca sobre amor, desejo e circuitos integrados. Sem moralismos. E com muita informação… principalmente informação!

Sabia, por exemplo, que o mercado digital ligado à sexualidade poderá ultrapassar os 170 mil milhões de euros até 2026?

Nem só de pornografia vive este universo: há também realidades virtuais íntimas, educação sexual online e até assistentes virtuais programados para seduzir. Tudo isto alimentado por IA, claro. Uma tecnologia que pode tanto servir de auxílio emocional como alimentar fantasias programadas. E é aí que a conversa aquece.

Discutimos no episódio as implicações psicológicas e sociais desta nova intimidade digital. A chamada digissexualidade — atração ou envolvimento com entidades digitais — já não é ficção científica. É presente. E futuro. A Rita, sempre sensata, lembra-nos que uma IA não consente, não sente e não ama. Pode simular tudo isso. E é aí que mora o perigo: estamos a construir parceiros digitais à medida das nossas carências. Relações sem conflito, sem frustração… mas também sem verdade.

Não se trata de demonizar a tecnologia — longe disso. Quero destacar que já há regulação em marcha (alô, RGPD!) e que há organizações e especialistas a refletir sobre ética, privacidade e limites. A IA pode ser uma ferramenta fantástica para a saúde sexual e afetiva. Pode educar, apoiar, aproximar. Mas, como qualquer ferramenta, depende de quem a usa. Ou, como bem disse a Rita: “Uma IA é como um martelo — pode construir uma casa ou partir-te o dedo do pé.”

No fundo, tal como o episódio supracitado, esta crónica não é sobre sexo. É sobre humanidade. Sobre a forma como o digital nos está a redefinir. E sobre o que queremos manter intacto nesta era em que até o desejo pode ser automatizado. Se ainda não ouviu o episódio, vá fazê-lo. Se corar, está tudo bem — é sinal de que ainda há sangue a circular.

Até à próxima. E, por favor, mantenham o vosso consentimento ativo. Sempre!

🎧 Ouça o episódio 4 de IA & EU