Instalações sonoras de Janet Cardiff e George Bures Miller inauguram “A Fábrica das Sombras” em Coimbra

O Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) escolheu a dupla Janet Cardiff e George Bures Miller para a edição de 2025 do Solo Show, exposição monográfica que decorre entre bienais do Anozero – Bienal de Coimbra. É a primeira vez que os artistas expõem individualmente em Portugal.
A Fábrica das Sombras, título da mostra, ocupa o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova com mais de uma dezena de obras multimédia imersivas. Entre os destaques, encontra-se a estreia fora dos Estados Unidos da instalação The Infinity Machine, bem como a exibição do já consagrado Forty Part Motet.
“São dos mais significativos herdeiros de uma certa ideia wagneriana de obra de arte total — Gesamtkunstwerk —, aqui despojada de qualquer pretensão de exuberância visual operática”, afirma Carlos Antunes, diretor do CAPC. A exposição, segundo o curador, propõe uma ativação sensorial através das qualidades escultóricas do som.
Os artistas recorrem a elementos simples — mesas, cadeiras, altifalantes, colunas, espelhos, televisores antigos e livros —, numa abordagem que convoca todos os sentidos e interroga a relação entre arte, memória e tecnologia.
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, com o seu passado religioso, militar e artístico, serve como cenário e matéria de reflexão. “A Fábrica das Sombras é a espoleta para a revisitação das nossas memórias individuais e coletivas”, refere Carlos Antunes, realçando o potencial evocativo do espaço.
A presença de Cardiff e Bures Miller consolida o Mosteiro como referência da arte contemporânea em Portugal e na Europa, inscrevendo-se na continuidade de projetos que relacionam a criação atual com o património histórico.
OC©