Insolvências | 995 processos nos primeiros cinco meses de 2026

Embora a evolução global permaneça relativamente contida, a leitura dos dados revela um
enquadramento que continua a exigir prudência e acompanhamento atento, num contexto em que a
capacidade de adaptação, a disciplina financeira e a gestão de liquidez permanecem determinantes para a
resiliência das empresas.
A evolução mensal evidencia comportamentos distintos ao longo do período. Depois de um mês de
fevereiro particularmente favorável (-16,3%), março e abril registaram acelerações mais expressivas
(+22,2% e +21,0%, respetivamente), enquanto maio voltou a apresentar uma evolução mais positiva, com
uma redução homóloga de 9,5%.
Esta alternância de ritmos sugere que o tecido empresarial continua a
enfrentar desafios relevantes, mas sem sinais claros de deterioração transversal.
Por dimensão, as microempresas continuam a concentrar a maioria das insolvências, representando cerca
de 66% do total dos processos registados. Em contrapartida, as pequenas empresas reduziram o número
de insolvências em 8,4%, enquanto as médias empresas evidenciaram um crescimento de 32,4%, ainda
que mantendo um peso relativamente reduzido no universo total analisado.
Na perspetiva da antiguidade, as insolvências continuam concentradas nas empresas com mais de 10 anos
de atividade, responsáveis por mais de metade dos processos registados. Ainda assim, merece particular
atenção o aumento de 26,1% observado nas empresas com idades compreendidas entre os 2 e os 5 anos,
sinalizando maiores dificuldades numa fase crítica de consolidação dos negócios.
A análise setorial revela uma realidade diferenciada. Os setores dos Serviços e da Construção apresentaram
os aumentos mais relevantes, com crescimentos homólogos de 14,8% e 9,7%, respetivamente, reforçando
a sensibilidade destas atividades ao contexto económico, aos custos operacionais e às condições de
financiamento. Em sentido contrário, o Retalho registou uma redução expressiva de 16,8%, enquanto o
Agroalimentar e os Têxteis apresentaram recuos de 5,4% e 0,9%, respetivamente, traduzindo uma
evolução mais favorável nestes segmentos. Destaca-se ainda o aumento observado nos setores químico,
commodities e tecnologias de informação, embora partindo de bases estatísticas mais reduzidas, pelo que
a sua leitura deve ser feita com prudência.
Na perspetiva regional, Porto e Lisboa continuam a concentrar o maior número de insolvências,
representando conjuntamente cerca de 44% do total nacional. Ainda assim, a evolução homóloga revela
dinâmicas distintas entre os principais distritos: Lisboa registou um aumento de 7,5%, enquanto o Porto
apresentou uma redução de 8,9%. Entre os territórios com maior expressão, destacam-se Setúbal
(+32,6%), Viseu (+16,7%), Braga (+12,2%) e Leiria (+8,3%), com crescimentos acima da média nacional.
Em sentido contrário, Coimbra (-40,6%), Santarém (-38,2%) e Castelo Branco (-31,6%) evidenciaram reduções
expressivas. Embora algumas destas variações ocorram em distritos com volumes absolutos mais
reduzidos, a sua leitura permite identificar sinais locais relevantes e reforça a importância de acompanhar
de forma próxima a evolução do tecido empresarial regional, antecipando potenciais alterações nos perfis
de risco.
Em síntese, os primeiros cinco meses de 2026 continuam a transmitir uma imagem globalmente
equilibrada do tecido empresarial português. Apesar da subida moderada das insolvências, os dados não
apontam para um agravamento transversal do risco, mas antes para uma evolução diferenciada entre
setores, regiões e tipologias de empresas. Num ambiente económico que continua marcado por incertezas,
custos de financiamento ainda exigentes e desafios de competitividade, a proximidade ao mercado e a
monitorização contínua dos sinais de risco permanecem essenciais para antecipar tendências e apoiar uma
tomada de decisão informada.
OC/AJS