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Quinta-feira, Maio 23, 2024

História do Jazz 3ª Parte – Por António Ferro

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Do Free Jazz ao que se seguir…

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Talvez num primeiro contacto com o Free Jazz, a sensação seja idêntica à que acabamos de sentir ao lermos um texto, com a ausência das vogais. Depois, calmamente começamos a juntar as letras e a formar algum sentido. Embora as letras se encontrem na sequência certa, o certo é que na primeira abordagem, dão-nos uma sensação inelegível.

À volta do Free
Uma das principais metas do Free Jazz, é a luta do povo negro em relação à discriminação, e à desigualdade. Farto de ser copiado através dos tempos, tentou criar uma música de difícil assimilação. O slogan que virou nome de livro – “Free Jazz Black Power”, é bem exemplo do que acabo de escrever.

Mais do que a música, importa o que está por trás, a intenção e o objetivo dessa mesma música. A dependência de certas drogas, como a heroína, destruiu as carreiras de alguns músicos, C.Parker, R.Rodney, C.Baker e F.Navarro.

A outros músicos onde a interferência foi mais leve, o dano foi mais equilibrado, Sonny Rollins, Stan Getz, John Coltrane e Miles Davis. Se esta foi uma das causas do declínio do Be-Bop, o passar quinze anos sobre os mesmos temas e a repetição de algumas formas de improvisação, cansaram os músicos, e o público.

Miles e Coltrane trouxeram um certo ar fresco com as estruturas modais, enquanto Tristano e Mingus faziam as primeiras experiências e as primeiras abordagens a uma liberdade contextual próxima do Free.
Os impressionistas franceses, Stravinsky e Dave Brubeck, foram os alicerces da escola do pianista Cecil Taylor. As suas actuações ao lado de Steve Lacy no Five Spot, nos finais dos anos 50 e o seu contacto com escritores, artistas e vanguardistas, no clube de Nova York, enraizou a sua técnica mais percutida e a sua busca de novas e vibrantes sonoridades.

Vindo de Los Angeles com o seu quarteto, Ornette Coleman tornou-se um inovador pela forma como estruturava o grupo sem instrumento harmónico (Piano/Guitarra) e as formas de improvisação. Don Cherry, John Lewis e Gunther Schuller, alguns dos seus companheiros de estrada, viram nessa música uma forma e um estilo diferente de tocarem e de estarem no Mundo.

A este movimento de “The New Thing”, “Avant-Garde Jazz” ou “Free Jazz”, juntaram-se Archie Sheep, Sunny Murray, Donald Ayler, Roswell Rudd e Albert Ayler. Na continuação deste movimento é fundada, por Muhal Richard Abrams, a “Association for the Advancement of Creative Musicians” (AACM), em 1965.

É no seio desta associação que aparecem músicos como: Anthony Braxton, Lester Bowie, Leroy Jenkins e o grupo, Art Ensemble of Chicago. Mais tarde a mística de Sun Ra, a sua música, a sua orquestra, e o seu espetáculo visual, são de todo contagiantes. Um dos discos mais marcantes e importantes deste movimento tem o seu nome – Free Jazz. Neste disco (Atlantic 781347) Ornette Coleman reune dois quartetos ao mesmo tempo. Don Cherry e Freddie Hubbard (trompetes), Eric Dolphy (clarinete baixo) e o próprio Ornette (sax alto), Charlie Haden e Scott La Faro (contrabaixos) e Ed Blackwell e Billy Higgins (baterias).

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Ornette Coleman/ Direitos Reservados



O Rock e o amigo (Jazz)
Um dos maiores impactos que se deu no jazz entre os anos 60 e 70, foi a influência dos músicos de rock e consequentemente os instrumentos elétricos. Miles, sempre ele, com o trabalho de 68 “Filles De Kilimanjaro”, com Chick Corea no piano elétrico, dá o pontapé de saída para uma fase eléctrica, onde mais tarde a sua trompete também será eletrificada. Mas é com o trabalho “Bitches Brew” de 69, onde uma batida de rock, serve de suporte a uma ambiência eletrónica, libertando o jazz para os solos.

Se há um grupo representativo da magia da sonoridade elétrica com o som acústico, e as influências das outras músicas, esse grupo chama-se “Weather Report”, fundado por Joe Zawinul e Wayne Shorter. O tema “Birdland”, do disco “Black Market”, é sem dúvida um standard da época moderna. Destaco o trabalho de 73/74 “Mysterious Traveller”, é o meu preferido pela extraordinária ambiência criada. Chick Corea com o seu “Return To Forever” de 72 e Herbie Hancock com os “Head Hunters” de 73, deram um novo espaço ao ritmos latinos e funky.

ECM, a resposta da Europa
Esta companhia de discos fundada em Colónia, na Alemanha, pelo baixista Manfred Eicher, fez a ponte do Free com o seu som – ECM. Vários artistas viram os seus trabalhos a solo ou em grupo numa estética europeia. Paul Bley, Jan Garbarek, Marion Brown, Egberto Gismonti, Keith Jarrett, Terje Rypdal e Eberhard Weber, são alguns dos artistas representantes desta estética musical, adequada à captação especial do som e das ambiências sonoras.

PS.1- Para quem não quis perder tempo a juntar as consoantes às vogais, aqui vai a resolução do texto de entrada.

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Steve Lacy



Em 1960, um novo estilo de jazz desponta pelas mãos de Ornette Coleman e Cecil Taylor. O afastamento das formas tradicionais, das estruturas harmónicas, das tonalidades, em prol de uma mistura de guinchos, grunhidos, gemidos e lamentos, numa total liberdade onde o fator político, assume uma importância vital.




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