Guerra e Pena de Morte

As atitudes desumanas perpetradas pelos humanos que desilustram a caminhada que o Homem faz neste belo planeta azul, estão presentes nas guerras indesejadas por todos, excepto por quem as faz e por quem comercializa armamento. Não é possível dizer-se, em concreto, quantas mortes provocou Netanyahu na guerra que faz na Palestina, mas estima-se que Israel matou entre 66.000 e 300.000 palestinos em dois anos de guerra, o que constitui genocídio.
Neste número não se incluem 274 jornalistas que morreram na sua missão de informar. Para lá desta estimativa, o “Crescente Vermelho” (entidade muçulmana equivalente à Cruz Vermelha) garante terem sido mortos 1400 profissionais da saúde desde Outubro de 2023. Juntando 203 funcionários das Nações Unidas que foram assassinados por Israel enquanto trabalhavam em missões humanitárias, temos 1877 profissionais (da saúde e da informação) que não participavam nas acções bélicas que fazem a guerra, mas que as suas missões obrigavam a permanecer nos pontos onde Israel matava palestinos.
Pelo que vamos vendo nos meios de comunicação, os próprios soldados israelitas têm comportamento de bandidos, assassinando famílias palestinas e destruindo-lhes as casas, para entregarem as terras a colonos israelitas, na pretensão de “limparem” a Palestina da presença de palestinos para, mais facilmente, adicionarem aquelas terras ao território judeu.
As atitudes de “bandido” tomadas por soldados, não se contam apenas no exército israelita. Os russos invasores da Ucrânia começaram por matar velhos, mulheres e crianças, só porque sim! Violaram mulheres e pilharam casas, como foi noticiado no início da invasão.
Os soldados não têm rosto nem identidade. Camuflados pela farda fazem parte de um colectivo que os “desindividualizam”, tornando-se apenas soldados, cujo termo também pode ser sinónimo de “bandidos legalmente armados”, sendo capazes de protagonizar as maiores atrocidades. Casos idênticos aconteceram em Angola, na Guiné e em Moçambique, na guerra que Salazar fazia aos independentistas.
Mas o Homem não mata só em situações de guerra e em ditaduras, porque a morte provocada por governos não se reduz aos exércitos. A pena de morte usada em muitos países como pretenso “modo dissuasor e redutor da criminalidade” (mas que não resulta porque as estatísticas dizem que o número de homicídios não desce nos países que a aplicam) também ensombra a “legalidade” de tal acção.
Em 2025 o número de execuções legais promovidas nos países que aplicam a pena de morte está registado num documento da Amnistia Internacional (AI) e aponta para 2700 pessoas, pelo menos… porque há países, como a China, que não dizem o número de sentenciados à pena capital, mas sabe-se que são muitos. O número agora divulgado, embora peque por defeito, é bastante superior (em 78%) aos números do ano passado quando foram executadas 1518 penas de morte. O Irão apresentou o maior número de execuções por críticas ao governo: 2159 pacíficos e excelentes cidadãos (mormente jovens desejosos de liberdade) que repudiavam a ditadura e se manifestavam.
Em declarações à Rádio TSF, o director da AI, João Godinho Martins, disse que “o número da aplicação da pena de morte no Irão representa 80% de todas as execuções registadas”.