Freixo de Espada à Cinta | uma vila de “encantos tamanhos”

O Parque Nacional do Douro Internacional é o abrigo de Freixo de Espada à Cinta, uma das vilas durienses do Distrito de Bragança que mais se destaca pela majestosa beleza natural e cultural, onde arribas, oliveiras e vinhas convivem com igrejas e conventos.

PARQUE NACIONAL DO DOURO INTERNACIONAL | FOTO/DIREITOS RESERVADOS

Os limites geográficos deste concelho pertencente ao distrito de Bragança são: a norte, o concelho de Mogadouro; a oeste, o concelho de Torre de Moncorvo; a este, Espanha (Província de Salamanca); e a sul, o concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.

A fundação desta vila manuelina, como defendem algumas teses, remonta a 1152, ano em que D. Afonso Henriques referiu a povoação como “Fresno” e atribuiu foral com o propósito de fomentar o seu povoamento e defesa, transformando a vila em couto de homiziados. Atualmente, o concelho está administrativamente dividido em seis freguesias: Fornos, Freixo de Espada a Cinta, Ligares, Lagoaça, Mazouco e Poiares.

FREIXO DE ESPADA À CINTA | FOTO/DIREITOS RESERVADOS

O rio Douro passa ali ao lado, a cerca de 4 quilómetros, demarcando a fronteira entre Portugal e Espanha. Estamos na terra natal do escritor Guerra Junqueiro (1850-1923), um dos principais representantes do romantismo social planfetário, influenciado por Vítor Hugo e Voltaire.

Freixo de Espada à Cinta é uma vila de “encantos tamanhos”. Ora naturais e paisagísticos, ora culturais. E não faltam motivos de orgulho para os próprios freixoenses, nem de visita para os turistas que tendem a aumentar anualmente.

Vários monumentos e sítios de arte rupestre de Freixo de Espada à Cinta receberam, este ano, o selo “Rotas do Norte”, uma iniciativa da CCDR-Norte e do Turismo do Porto e Norte de Portugal.

GRAVURAS RUPESTRES DO MAZOUCO – FOTO | DIREITOS RESERVADOS

O selo foi atribuído às gravuras rupestres do cavalo de Masouco (mosaicos gravados em xisto num pequeno planalto) e da Fraga do Gato, à Calçada de Alpajares (conhecida como a calçada dos mouros, remonta ao tempo dos romanos e é marcada por uma escadaria curvilínea, sendo que tem início na Foz da Ribeira do Mosteiro), Castelo de Freixo de Espada à Cinta, Igreja do Convento S. Filipe de Nery e Núcleo Museológico de Guerra Junqueiro.

Mas outros monumentos são merecedores de destaque, designadamente, a Igreja Matriz (monumento quinhentista conhecido por “Mini Mosteiro de Jerónimos”), o Miradouro de Penedo Durão (erguido no cimo de uma rocha escarpada em pleno Parque Natural do Douro Internacional), a Torre do Galo (outrora parte integrante do castelo gótico reconstruído por D. Dinis, onde agora figuram as antigas armas da vila e alguns troços de muralha contornam a Igreja matriz manuelina, templo do século XVI),

O Museu da Seda e do Território, herdeiro do antigo Museu do Território e da Memória, então localizado na antiga Casa da Cadeia, foi inaugurado a 18 de Agosto de 2015 e alberga todo o acervo etnográfico, arqueológico e geológico do antigo espaço museológico, a que se lhe junta um espólio, recente, associado à seda, imagem icónica do atual Museu, localizado no Centro Histórico.

MUSEU DA SEDA E DO TERRITÓRIO – FOTO/DIREITOS RESERVADOS

De salientar que Freixo de Espada à Cinta é o único território em toda a Península Ibérica onde ainda se labora a seda de forma 100% artesanal.

O concelho é repositório de tradições, lendas e curiosidades, mas é de evidenciar a mais-valia do artesanato típico do qual se destacam as colchas de seda e de lã, e as toalhas e colchas de renda.

As tecedeiras são apoiadas pela Câmara Municipal, assim como a divulgação da sericicultura em algumas feiras dentro e fora do município. A autarquia dá início à formação de tecedeiras, incrementa a criação do bicho-da-seda e prepara-se para novos desafios.

TEAR – FOTO | SITE CM FREIXO ESPADA À CINTA

A seda natural produzida de forma artesanal em Freixo de Espada à Cinta serve, em muitos casos, de base para novas peças de vestuário pelas mãos dos criadores de moda, que apostam neste produto diferenciado e “único” na Península Ibérica.

Trata-se de um segmento de mercado identitário, com raízes assentes na economia local, que se impõe como agente de desenvolvimento socio- económico deste concelho tipicamente agrícola, onde se produz vinho, azeite, azeitona, amêndoa, cereais, cria-se gado caprino e ovino, e onde o setor industrial está representado pela indústria do ramo da madeira e cortiça e pela indústria do ramo alimentar.

OC/MP

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