Festival Mosaico transforma Viseu em cidade-palco com 30 concertos gratuitos

Mosaico

Durante três dias consecutivos, entre 10 e 12 de julho de 2025, o Festival Mosaico transforma o Centro Histórico de Viseu num espaço vibrante de música, cultura e vivência urbana. Com entrada livre, este evento apresenta-se como uma plataforma de ativação do espaço público, com 30 concertos distribuídos por cinco palcos ao ar livre, num convite à descoberta da cidade por meio da arte e da celebração coletiva.

A programação, promovida pelo Município de Viseu, junta nomes consagrados da música portuguesa contemporânea e novos talentos emergentes, cruzando géneros, linguagens, gerações e territórios artísticos, num mosaico sonoro que pretende fomentar o diálogo, a inclusão e o sentimento de pertença. Com epicentro em cinco espaços históricos — Praça D. Duarte, Mercado 2 de Maio, Adro da Sé, Largo de Santa Cristina e Igreja de Nossa Senhora do Carmo — o festival propõe um percurso musical e emocional pelo coração da cidade, sob o mote “O Caminho da Felicidade”.

Cinco palcos, cinco atmosferas

Cada um dos cinco palcos do festival foi pensado como um universo próprio, com identidades artísticas ajustadas às características físicas e simbólicas de cada local. O objetivo passa por ativar a cidade de forma integrada e descentralizada, promovendo percursos pedonais entre ruas, praças e largos, onde a música surge como ponto de encontro.

O Palco da Praça, localizado na Praça D. Duarte, abrirá o festival com Miss Universo, seguido de Bateu Matou. No dia seguinte, sobem a palco Milhanas e Nenny, e no sábado será a vez de Matay e Rita Rocha.

Palco Praça. Dia 10: 1 Miss Universo e 2 Bateu Matou. Dia 11 3Milhanase  4 Nemy. Dia 12: 5 Matay e 6 Rita Rocha. Direitos reservados.

O Palco do Mercado, no Mercado 2 de Maio, recebe Bianca Barros e Soraia Tavares na primeira noite. A 11 de julho, é a vez de Tiago Nacarato e do duo Moullinex x GPU Panic. No último dia, passam por este palco Noiserv e Irma.

O Adro da Sé será dominado por nomes como Ricardo Ribeiro e Jovem Dionísio (10 de julho), Buba Espinho com Cantadeiras da Essência Alentejana e Agir (11 de julho), e, para o encerramento, The Black Mamba e Mizzy Miles (12 de julho).

Na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, o palco apresenta uma programação mais alternativa e exploratória, com artistas como O Pouca Roupa, Davi Santiago, O Marta, Marlow Digs, Øutlaw Alliance, Erika Martyns, Carne, Amaterazu e Bastardos do Cardeal.

Por fim, o Palco do Largo, situado no Largo de Santa Cristina, acolherá nomes como Expresso Transatlântico, Tilhon e The Legendary Tigerman, este último encerrando o festival no sábado à noite com um concerto de alta intensidade.

Um mosaico musical de estilos e expressões

A programação do Festival Mosaico destaca-se pela diversidade de propostas musicais, reunindo artistas com diferentes origens estéticas, linguagens e percursos. A música tradicional portuguesa, o fado contemporâneo, o hip-hop, a electrónica, o pop, o rock, o R&B, o soul e a música experimental convivem num cartaz plural, que valoriza a multiplicidade artística como traço identitário da cidade e da sua comunidade.

Entre os nomes mais reconhecidos contam-se The Black Mamba, banda que representou Portugal na Eurovisão e que continua a somar êxitos internacionais; Agir, uma das figuras mais prolíficas da música urbana portuguesa; Noiserv, projeto intimista e sensorial de David Santos; e Mizzy Miles, produtor e DJ responsável por vários hits com artistas como Slow J, Ivandro e Nenny.

Nenny, por sua vez, representa a nova vaga de artistas de ascendência africana que têm conquistado o panorama musical nacional, enquanto Milhanas, Rita Rocha e Irma são exemplos da vitalidade da nova geração de cantoras-compositoras em Portugal.

Também o fado e a música de raiz têm presença garantida no festival, com atuações de Ricardo Ribeiro, Buba Espinho e as Cantadeiras da Essência Alentejana, entre outros. O rap e as linguagens urbanas têm expressão através de projetos como Øutlaw Alliance, Erika Martyns, Tilhon e Davi Santiago.

O cartaz integra ainda projetos com forte ligação à cidade de Viseu, como O Marta, O Pouca Roupa ou Marlow Digs, reforçando o papel do festival como espaço de valorização da criação artística local.

A cidade como espaço de encontro e pertença

O conceito de “mosaico” que dá nome ao festival traduz-se na ideia de construção coletiva a partir da diversidade, em que cada concerto, artista ou palco é uma peça única integrada num todo coerente. A organização assume o festival como uma proposta de vivência urbana que conjuga criação artística, coesão social e sustentabilidade territorial, através da valorização do espaço público como palco e como lugar de cidadania ativa.

Neste sentido, o Festival Mosaico vai além da simples apresentação de concertos, propondo um modelo de programação cultural que promove o turismo sustentável, a inclusão social e o direito à cultura. A entrada gratuita em todos os espetáculos reforça a missão de democratização do acesso à oferta cultural de qualidade.

A aposta em horários noturnos, entre as 19:45 e as 00:00, permite conciliação com a vida quotidiana dos residentes, ao mesmo tempo que atrai visitantes e dinamiza o comércio local, contribuindo para a revalorização do centro histórico.

Um festival com missão e futuro

Na sua primeira edição, o Festival Mosaico apresenta-se como um manifesto urbano e cultural, com um modelo de produção assente em parcerias locais, respeito pela identidade patrimonial e valorização dos saberes e talentos de proximidade. Os concertos ao ar livre, integrados na malha urbana, oferecem uma nova forma de habitar a cidade, convidando os públicos a viver o centro de Viseu com todos os sentidos.

O mote “O Caminho da Felicidade” traduz-se na construção de um percurso emocional e sensorial através da música, em que cada noite é um capítulo e cada concerto uma oportunidade de partilha. Ao mesmo tempo, o festival afirma-se como um projeto com potencial de crescimento, capaz de consolidar Viseu como cidade-festival, plataforma de criação e diálogo cultural.

O Festival Mosaico não pretende apenas ocupar a cidade durante três dias. Propõe-se a transformá-la — simbolicamente e literalmente — num espaço onde a arte, a diversidade e o encontro são as verdadeiras protagonistas.

OC/RPC