Festa do Avante 2025 – Por António Ferro

Quando penso num evento que consegue agregar e afiliar: concertos nacionais e internacionais e só este ano são mais de sessenta… debates, artes plásticas, feira do livro e do disco, cinema, teatro (Avanteatro), ciência, desporto, espaço infantil, gastronomia regional variada, espaços temáticos e muito mais…assisto a um evento de uma dimensão superior a qualquer outro neste país!

Era impensável ser realizado, sem um voluntariado de cerca de uma centena de pessoas que vindos de todo o país, guardam parte das suas férias, para na primeira semana de setembro, se entregarem voluntariamente de corpo e alma à sua festa, na “Quinta do Atalaia” no Seixal (Margem Sul do Tejo). Entendo eu, ser um evento cultural de massas e com um espaço de afirmação política do PCP que não é muito abusivo… A maior parte das pessoas vão à Festa do Avante não vão à Festa do PCP! É a minha imparcial e objetiva opinião!

Eu refiro franca opinião, porque além de ter atuado lá, há mais de trinta anos, com o “Quinteto Maria João”, tive o grato prazer de conhecer e de trabalhar posteriormente na contratação de alguns grupos internacionais na área que eu domino, o jazz e os blues, com esse vulto da cultura portuguesa– Rúben de Carvalho. Quando atuei com a Maria João, nunca tinha tido o prazer de trabalhar com uma organização tão exemplar! Os nossos automóveis, ficavam no hotel (ponto de encontro) e seguíamos numa carrinha da organização. Tínhamos um “roadie manager”, que nos acompanhava a tempo inteiro.

Este ano, realiza-se a 49.ª edição de 5 a 7 de setembro de 2025, na Quinta da Atalaia (Seixal).

A Entrada Permanente (EP) permite o acesso aos três dias e está à venda por cerca de 34,00 €, até 4 de setembro em Ticketline, em Centros de Trabalho do PCP e posteriormente no local.

A abertura contará com um concerto sinfónico que marca os 80 anos do fim da II Guerra Mundial, homenageando a resistência ao nazi-fascismo e a luta pela paz.

Artistas Nacionais: A Garota Não, Capicua (com Gisela João como convidada, e esta também com espetáculo dedicado às canções de Abril), Brigada Víctor Jara com “Segue-me à Capela” (50 anos), Stereossauro (com Carlão, Ana Lua Caiano, DJ Ride e Pedro Jóia), Vitorino Salomé, Paulo de Carvalho, Fogo Fogo, Tó Trips & Fake

Latinos, Luísa Basto (com Jorge Lomba), Diego El Gavi, Bdjoy & Zimbora Band e Linda Martini.

Artistas internacionais: Crying Uncle Bluegrass Band (EUA), Dead Fish (Brasil), Fermin Muguruza (País Basco), Gotopo (Venezuela), Mariana Aydar (Brasil), Mário Lucio & Pan African Band (Cabo Verde), Selma Uamusse (Moçambique), Skaparapid (Espanha), Potato (País Basco) e Yacumenza Candombe Banda (Uruguai).

Outros momentos especiais incluem espetáculos de jazz por André Rosinha Trio e Bernardo Moreira Sexteto, fado por Sérgio Onze e Joana Amendoeira com Fred Martins, além da Rave Avante, dedicada à solidariedade com a Palestina, com DJs Chima Isaaro e Didi. 

Além dos concertos, a Festa é uma verdadeira cidade cultural!

Exposições, debates, artes plásticas, feira do livro e do disco, cinema, teatro (Avanteatro), ciência, desporto, espaço infantil, espaços temáticos (como da mulher, da imigração…), e muito mais. O encerramento ocorre no último dia com o comício final no Palco 25 de Abril, tradicionalmente com intervenções de dirigentes do PCP e da Juventude.

Resumo Rápido

Item Detalhes

Datas 5–7 de setembro, Quinta da Atalaia (Seixal)

Entrada (EP) 34,00 €, válida para os 3 dias

Música +60 concertos, nacional e internacional

Outras

Programações Teatro, cinema, debates, exposições, gastronomia, desporto, infantil, comício, etc.

Destaque Concerto sinfónico (II Guerra Mundial), Rave Avante!, programação diversificada por palco

Curiosamente, toquei com a maior parte dos artistas de esquerda em Portugal e na verdade, eles são a maioria.

Toquei com o homem que compôs o hino – “Avante Camarada”, Luís Cília, justamente homenageado pelo meu amigo José Moças da Tradisom e nunca ninguém me forçou a inscrever-me no partido.

Sou apartidário por convicção, mas sei reconhecer o valor a quem o tem.

Se as autarquias, quando dividem os vários pelouros culturais, atribuíssem o pelouro da cultura ao PCP, de certo que a cultura neste país tinha uma outra estirpe, dimensão, extensão e reconhecimento.