Feira do Livro do Porto celebra diversidade literária com homenagem a Sérgio Godinho

O Cidadão foi à Feira do Livro do Porto que está a decorrer, desde esta sexta-feira, nos Jardins do Palácio de Cristal, numa organização da Câmara Municipal do Porto desde 2014.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

Fundado em 1930, o certame reúne escritores, editores, alfarrabistas e milhares de visitantes numa celebração da literatura que se estende até 7 de setembro, com um concerto de Sérgio Godinho, o artista homenageado este ano, e Manuela Azevedo.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

Esta 95ª edição, que se mantém fiel ao seu propósito de aproximar o público dos livros e da cultura, galardoou Sérgio Godinho que foi distinguido com a tília de homenagem e com a medalha de honra da cidade. Este momento antecedeu a conversa no Auditório da biblioteca, conduzida pelo comissário da homenagem, o editor Francisco José Viegas.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO PRESTA HOMENAGEM A SÉRGIO GODINHO, O CANTOR E ESCRITOR PORTUENSE – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

Cantor e escritor portuense que celebra 80 anos de vida, autor e voz de temas que marcam a música portuguesa das últimas décadas, Sérgio Godinho apresentará o seu livro de contos “Como Se Não Houvesse Amanhã” numa cerimónia que está marcada para 30 de agosto, um dia antes do seu aniversário.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

Mesas de debate e conversas com escritores, concertos ao fim da tarde, leituras encenadas, lançamentos de livros, sessões de spoken word, recitais de poesia e momentos de stand-up comedy e stand-up poetry compõem a programação desta edição da Feira do Livro do Porto, no seu formato renovado, que oferece mais de 200 atividades.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

A Feira do Livro do Porto conta com oficinas para várias faixas etárias, jogos, leituras e exibição de cinema. Não faltarão momentos musicais com B Fachada, Luca Argel, Manel Cruz, Três Tristes Tigres, NAPA e Tomás Wallenstein.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

Nos jardins do Palácio de Cristal haverá ainda ciclos de poesia, leituras encenadas e conversas onde se destacam nomes como os de João Luís Barreto Guimarães, Joana Gama, Lídia Jorge, António Brito Guterres e Sérgio Almeida, numa edição que quis também reforçar as atividades infantojuvenis.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

Durante a passagem pelo evento, O Cidadão encontrou uma diversidade impressionante de autores e conversou com alguns. Maria Maya, visitante de Lisboa, destacou as diferenças entre as feiras do Porto e da capital. Igualmente presente na feira, André Costa, que assina com o pseudónimo Erdan Nightwalker, representa uma nova geração de escritores portuenses.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

Jovem escritor portuense apresenta segunda obra de fantasia na Feira do Livro

ERDAN NIGHTWALKER (ANDRÉ COSTA) REGRESSA À FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

André Costa, conhecido pelo pseudónimo Erdan Nightwalker, é um escritor da cidade do Porto que se dedica ao género fantasia. Na Feira do Livro do Porto, conversámos com o autor sobre os seus dois livros publicados.

O Cidadão – Quem é Erdan Nightwalker?

André Costa – O meu nome é André Costa, mas o meu pseudónimo é Erdan Nightwalker. Sou um escritor aqui da cidade do Porto e escrevi dois livros de fantasia: “A Lenda de Záquel” e o segundo, “Záquel e o Despertar dos Alquimistas“. São duas histórias que se complementam uma à outra.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

O Cidadão – Que história nos conta este seu segundo livro?

André Costa – Começa em “A Lenda de Záquel”, onde apresentamos o personagem Záquel, que é um príncipe de um império que é banido por dizer a verdade. A partir daí, ele tem que arranjar uma forma de regressar a casa e, ao mesmo tempo, provar a sua inocência. Provar que estava, de facto, certo naquilo que defendia.

Esta é uma história de fantasia mais bélica do que romântica. Ou seja, envolvemo-nos mais em tramas militares e em batalhas, e muito na aprendizagem que podemos tirar a partir desses momentos.

Os personagens são todos jovens. Estamos a falar de um grupo com uma média de idade entre os 15 e os 16 anos. E todos eles, como são adolescentes, têm essa dificuldade de aprendizagem, de se sentirem um pouco perdidos no mundo e, ao mesmo tempo, cometerem muitos erros enquanto estão a aprender. Isso é um sentimento muito presente na história – a tentativa e erro, eles perceberem que erraram e encontrarem uma forma de voltar atrás.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

O Cidadão – Sendo também jovem, quando surgiu este seu caminho da escrita?

André Costa – Tudo começou em 2017. Foi a minha mãe que me incentivou a escrever, porque na altura só escrevia umas histórias banais. Escrevi uma história, mostrei-lhe, e ela disse-me que devia escrever um livro. Na altura pensei: “Escrever um livro? Tenho capacidade para escrever um livro? Como é que eu ia escrever um livro? Mas ela lá me incentivou e eu comecei. Depois apanhei o gosto e, a partir daí, foi mesmo pelo prazer de escrever”.

O Cidadão – É a primeira vez que participa na Feira do Livro do Porto?

André Costa – Não, é a quinta vez. Comecei a escrever em 2017, mas o primeiro livro publiquei-o em 2021. Portanto, de 2021 a 2025, apareci aqui em todas as feiras, praticamente. Este é mais um ano. É a primeira vez que estou aqui com “Záquel e o Despertar dos Alquimistas”, que saiu este ano. “A Lenda de Záquel” saiu há dois anos.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

Maria Maya destaca diferenças entre as feiras do livro do Porto e de Lisboa

MARIA MAYA VEIO DE LISBOA PARTICIPAR, PELA PRIMEIRA VEZ, NA FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

O Cidadão conversou, também, com Maria Maya, visitante de Lisboa, sobre as suas impressões do evento portuense e os livros que representa.

O Cidadão – A Maria Maya vem de Lisboa. É a primeira vez que está presente na Feira do Livro do Porto?

Maria Maya – Sim, é a primeira vez na feira do livro, mas não é a primeira vez que estou no Porto.

O Cidadão – Como avalia as duas feiras do livro?

Maria Maya – É muito diferente da de Lisboa. Isso deve-se ao sítio onde está, à atmosfera, a ser feita num jardim. Os pavilhões estão muito mais acoplados. Em Lisboa, os pavilhões são mais individualizados. Mas tem um ambiente diferente. Muito diferente.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

O Cidadão – Qual a sua opinião sobre a homenagem a Sérgio Godinho?

Maria Maya – Acho ótimo. Absolutamente merecido. Ele é um senhor, é uma personalidade da cultura. Acho muitíssimo bem que tenha sido homenageado.

O Cidadão – Pode falar-nos dos livros que está a representar?

Maria Maya – Estou a representar dois livros. “Pela Paz – Antologia Poética” tem um conjunto de 45 autores, na sua maioria portugueses, mas também angolanos, moçambicanos, brasileiros e ainda uma cabo-verdiana e uma são-tomense. É uma antologia de poemas pela paz.

O outro livro é “O Modernismo e Delfim Maya” Delfim Maya era meu avô, era do Porto. O meu avô tinha o nome de uma rua do Porto, a Rua Delfim Maia. Ele foi um escultor inovador nos anos 30 e 40 do século passado e foi o introdutor da escultura em ferro em Portugal.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

A Feira do Livro do Porto está aberta entre as 12h00 e as 22h00 esta sexta-feira, entre as 11h00 e as 22h00 ao sábado e entre as 11h00 e 21h00 ao domingo. Entre segunda e quinta-feira, a feira abre às 12h00 e encerra às 21h00.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO – FOTO | VÍTOR LIMA/OCidadão

TEXTO E FOTOS | VÍTOR LIMA