Feira da Vandoma: novo espaço não agrada a todos os feirantes

Desde a inauguração do novo espaço junto à estação de metro Nasoni, em Campanhã,
no dia 12 de julho 2025, a Feira da Vandoma tem gerado reações mistas entre os
comerciantes que ali operam. Passados cinco meses, as divisões de opinião persistem,
revelando um quadro complexo entre avanços e desafios ainda por resolver.

O investimento da Câmara Municipal do Porto ultrapassou os 800 mil euros nesta
remodelação que trouxe 152 bancas ao ar livre, 38 estruturas de sombreamento,
instalações sanitárias, cafetaria, iluminação pública e vedação. A Praça da Vandoma, assim designada através de votação popular, apresenta-se como uma aposta
arquitetónica moderna. Contudo, a realidade operacional tem-se mostrado mais
controversa.

Críticas à funcionalidade
As queixas mais frequentes apontam para a altura excessiva das coberturas, que se
revelam insuficientes para proteger adequadamente tanto da chuva como do sol. Embora o trabalho arquitetónico seja esteticamente apelativo, peca pela funcionalidade prática, admitem vários comerciantes, resumindo um sentimento generalizado entre os feirantes.

O espaço reduzido das bancas surge como outra preocupação central. Muitos lamentam a falta de área para expor adequadamente a mercadoria e criticam a impossibilidade de armazenar artigos sob as estruturas. Para alguns, esta nova formatação, mais similar a um mercado tradicional, representa uma descaracterização da feira que historicamente se fez no chão.

Acrescentam-se ainda as dificuldades de logística: a impossibilidade de entrada de
veículos junto às bancas complica significativamente o carregamento e descarregamento
de produtos, afetando sobretudo os feirantes de idade mais avançada, que veem
aumentado o esforço físico necessário para transportar mercadoria a pé

Aspetos positivos reconhecidos
Nem toda a avaliação é crítica. Uma parte dos feirantes reconhece qualidades ao novo
espaço, elogiando a localização estratégica, o ambiente mais tranquilo e o carácter agradável do local. As instalações sanitárias receberam particular aprovação, sendo consideradas uma melhoria substancial face à situação anterior.

Perspetivas futuras
A autarquia defende que a obra cumpre uma promessa de modernização, argumentando que as novas condições — sombra, cafetaria e sanitários — representam um avanço considerável comparativamente com a prática tradicional de vender no chão.

O futuro próximo determinará se os feirantes conseguem adaptar-se ao novo modelo
operacional ou se as críticas acumuladas conduzirão a ajustamentos por parte da
administração municipal. A Feira da Vandoma permanece num ponto de viragem entre
a tradição e a modernidade.
texto e Fotos | Vítor Lima