FC Porto, 1 – Benfica, 4 – No aproveitar esteve o ganho…

Marcar um golo antes do primeiro minuto de jogo, no primeiro lance, foi um “tónico” para um Benfica já de si motivado e disposto a vencer no Dragão para pressionar o Sporting que só jogo hoje.

FC Porto à defesa. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

E sofrer no dealbar da partida, “mexeu” com os jogadores portistas. Inicialmente, inibiu-os, mas, depois, responderam e, por diversas vezes, podiam ter chegado ao empate. Só não o conseguiram porque os seus jogadores da frente pareciam estar a fazer “greve de golos”. Samu, o homem mais adiantado, era uma peça “a menos”. Oportunidades houve, mas artistas para bater Trubin é que o FC Porto não teve. 

Ao ver o seu adversário de pontaria pouco eficaz, o Benfica foi à procura de mais e Pavlidis fez o segundo golo. E se o primeiro tinha sido mesmo a abrir o espetáculo, este foi a fechar a primeira parte.

Fábio Vieira tenta a sorte de fora da área. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Sem ter sido dominador, o clube lisboeta foi, essencialmente, um aproveitador de lances perigosos. E levou para o intervalo uma margem tranquila.

Neste período, os locais só podem queixar-se de si próprios, pois não foram inferiores ao adversário; a grande diferença esteve no aproveitamento – em 3 remates enquadrados com a baliza, o Benfica fez dois golos. Em 8 remates, alguns de verdadeiro perigo para as redes “encarnadas”… nenhum saiu enquadrado. A somar com dois falhanços mesmo em frente da baliza, o FC Porto entregava-se ao insucesso.

Azuis pioraram, Benfica aproveitou

Apesar da desvantagem de dois golos, a equipa de Anselmi acabou os primeiros 45 minutos ao ataque e à procura do golo. Não esperávamos, pois, um segundo tempo tão fraco do onze portista.

O Benfica soube jogar com o resultado. E muito bem! Começou o segundo tempo com muita posse de bola e pressão alta. Quanto ao FC Porto, ia “afundando”. Jogadores que estiveram muito bem no primeiro período do jogo…”despareceram” – Fábio Vieira, Eustáquio, Alan Varela, Francisco Moura. Samu, cada vez mais “perdido” entre Otamendi e António Silva. Di Maria, Aursnes, Kokçu e Akturkoglu, ao invés, cresciam de rendimento, face ao um FC Porto mais enfraquecido e descrente.

Otamendi ( Benfica), “limpa” lance de ataque dos portistas. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

E reaparece o “matador” – Pavlidis. Com mais um golo  – “hat-trick” – a  desfazer qualquer veleidade dos nortenhos em chegarem à igualdade. E um sintoma que deve preocupar a administração do FC Porto foi a saída massiva de adeptos neste momento. E tinham passado só 70 minutos!

A fechar o jogo, Otamendi ainda faria o quarto golo, num momento em que já estávamos no “lavar dos cestos”…

Dignidade

A equipa do FC Porto fez uma péssima segunda parte, isso é indesmentível. Porém, em nosso entender, os jogadores nunca baixaram os braços – Samu marcou o golo de honra aos 80 minutos – só não eram capazes de fazer melhor. Aliás, não é de ontem o mau desempenho “azul-e-branco”. Há muito que vem sendo notado e discutido. E não nos parece que as assobiadelas e os insultos fossem justas para os jogadores. Deram tudo, fizeram o que podiam e sabiam. Não há qualidade para mais. Essa é a verdade. E contra isso não há assobio que valha.

Anselmi

Martín Anselmi foi recebido com grande esperança por parte do adeptos portistas, depressa foi contestado. E ontem, muito mais. Pelo resultado, por ser contra quem foi e por ter regressado à defesa do FC Porto uma confusão tremenda. Nós não entendemos, a maioria dos adeptos também não. Mas pior do que tudo… os jogadores também não…

Não nos cabe , criticar sistemas táticos e estratégias – isso fica para os “catedráticos” da coisa. A nós, resta relatar o que vimos. Nunca o processo defensivo portista esteve bem! Com três centrais ou com dois, há algo que falha. E nesta altura já não devia falhar. A ideia com que ficamos é que os jogadores não entendem o que o técnico pretende. Principalmente, quando toca a defender.

E também parece que Fábio Vieira, um dos melhores do plantel, não está a ser bem aproveitado. E Rodrigo Mora, a ter de correr desenfreadamente por todo o lado, parece excessivo. Só o deveria fazê-lo no último terço do terreno. 

Se Anselmi é, como parece, o treinador para a próxima época – que já estará a preparar – corre sérios riscos. Até agora, as exibições não têm agradado à massa adepta, que não escondem a insatisfação e alguma falta de paciência para o que veem; se, até final, o FC Porto não entrar na rota dos triunfos e das exibições que agradem, o treinador está sujeito a recomeçar fragilizado, devido a esse desgaste. E bem sabemos, nestes casos, da intolerância e desconfiança dos adeptos. Em nosso entender, Anselmi devia proteger-se e proteger a equipa. Quererá ou conseguirá fazê-lo? 

Samu

“Internacional” espanhol, muitos golos à chegada. E agora? O que se passa com Samu? É fácil culpar os guarda-redes quando sofrem “frangos”. Então, e os avançados quando não se atrevem a fazer golos? Samu vai marcando, é certo, mas muito aquém do que prometeu e do que, parece-nos, pode ser capaz.

Samu marcou o golo do FC Porto. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Das duas, uma – ou Samu está numa baixa de forma e devia ficar de fora, ou o estilo de jogo não é adequado às suas caraterísticas, e deveria ser , pois é uma mais-valia como finalizador e cabeceador. Algo está mal. Ontem, por exemplo, não se percebeu a razão de ter ficado no jogo até ao fim. 

Demasiados equívocos numa equipa que tem ainda de lutar muito para conseguir o terceiro lugar. Porque se assim não for, a contestação poderá generalizar-se e a vida do treinador tornar-se muito mais difícil.

Benfica e… Pavlidis

O Benfica está de boa saúde. Joga com confiança, tem um plantel com soluções para tudo e os seus jogadores têm qualidade. E tem Pavlidis… Rara é a equipa que consegue tornar-se campeã sem ter um goleador nato. E o Benfica tem-no. E o Sporting também. O grego até nem começou muito bem o campeonato, mas, progressivamente, melhorou e, hoje, é um avançado goleador ao nível dos melhores. A luta a dois pelo título vai ser muito interessante e Pavlidis ( a par com Gyokeres) vai ter um papel decisivo nestes jogos finais. 

PALAVRAS DOS TREINADORES:

Martin Anselmi ( Treinador do FC Porto) – “Pedir desculpa aos adeptos.”

O rosto do treinador portista diz “tudo”. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Quando te metem um golo no primeiro minuto, obviamente que isso condiciona o jogo. Toda a análise depois do que fizemos, buscámos, tentámos… vai ser feita durante a semana. Agora é altura de deixar as emoções presentes, pedir desculpa aos adeptos, não é o que queríamos, nem o que merecem. Qualquer comentário tático é demasiado agora…

Reagimos bem à desvantagem no primeiro tempo, criámos algumas situações na pressão, fomos agressivos…

Não pode acontecer sofrermos golos a iniciar e a terminar o jogo. Isso não pode acontecer.

Neste momento é assumir as culpas, sentimos o apoio dos adeptos toda a semana. 

A derrota não tem a ver com o crescimento da equipa. Amanhã temos de continuar a trabalhar para continuarmos a ser melhores”.

 

Bruno Lage ( Treinador do Benfica) – ” Reforçar a família…”

Bruno Lage estava satisfeito mas pouco efusivo. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

 “Vínhamos para vencer, foi o que fizemos. Foi o que lhes pedi antes de entrar em campo, jogar com determinação. Reforçar a família que são, quando atuam juntos. Como previ, foi um jogo quentinho, com grande dinâmica e velocidade, com ambas as equipas a procurar o golo. Fomos equipa, família, tropa.

Marcámos cedo e fomos controlando com bola e sem bola. Fomos fortes nas transições e bolas paradas. Foram 90 minutos em que nos correu tudo bem.

Hoje era altura para por em prática o nosso momento, determinação, maturidade, com a equipa a crescer ao longo dos tempos.

Foram três pontos importantes no objetivo de vencer o campeonato, ainda temos muitos jogos pela frente.

Foi importante defendermos todos juntos. Quem recuperou mais bolas na primeira parte foi o Di Maria, isso revela o espírito de equipa, pois foi como equipa que vencemos.

Foco total da nossa tarefa, continuar a trabalhar para evoluir. Foi vitória de equipa com homens que podem criar e marcar golos, como o Pavlidis.

Com o nosso calendário na reta final tínhamos de mostrar a nossa força nas saídas… com jogadores de enorme qualidade. Tivemos uma demonstração de força e determinação é a palavra forte e vontade enorme de vencer”.

OUTROS PROTAGONISTAS

Diogo Costa ( FC Porto) – “Não conseguimos reentrar no jogo.”

“Sofrer um golo no primeiro minuto mudou tudo o que tínhamos preparado. Com bola temos vindo a melhorar imenso, agora falta sem bola. Contra equipas com qualidade, temos de saber defender melhor. Temos de assumir os erros e trabalhar. É a única coisa que podemos fazer neste momento, estar calados, assumir as culpas e trabalhar.

A perder 2-0 ao intervalo não conseguimos reentrar no jogo, ter a bola como na primeira parte, e perder 2-0 jogamos mais com o coração, taticamente falhámos mais. É assumir as culpas, responsabilidades e continuar a trabalhar, em silencio.

Sofrer oito golos com o Benfica no campeonato é muito difícil. Como todos sabem, internamente é sempre difícil perder estes jogos e com esse número de golos…  Pedir desculpa aos nossos adeptos que nos trouxeram energia muito boa até ao fim e agradeço por isso e peço desculpa por hoje.”

 

Pavlidis ( Jogador do Benfica) – “Foi a melhor noite.”

“Claro que é um dia especial para mim e para toda a equipa, que jogou muito bem. Marcar três golos é importante, porque somámos os três pontos.

Sim, foi melhor noite .

Na primeira parte marcámos realmente rápido. Queríamos jogar ofensivamente, mas o FC Porto jogou bem. Encontrámos os momentos para oportunidades em contra-ataque, marcámos o segundo golo e tivemos mais oportunidades para fazer o terceiro. Por vezes temos de nos adaptar aos jogos.

Quando marcamos cedo é diferente… o 3-0 também foi importante, criámos boa vantagem e fica difícil para a outra equipa.

Não penso nos adversários, mas na nossa equipa, quero ganhar todos os jogos. Estamos focados apenas em nós.

Temos ainda seis jogos, todos cruciais”.

 

FICHA DO JOGO

Jogo no Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto – Benfica, 1-4.

Ao intervalo: 0-2.

Marcadores:

0-1, Pavlidis, 01 minuto.

0-2, Pavlidis, 43.

0-3, Pavlidis, 69.

1-3, Samu, 81.

1-4, Otamendi, 90+4.

Equipas:

 FC Porto: Diogo Costa, Nehuén Pérez, Eustáquio (Martim Fernandes, 64) Marcano, João Mário (Zé Pedro, 64), Alan Varela, Fábio Vieira, Francisco Moura (William Gomes, 84), Rodrigo Mora (Danny Namaso, 77), Samu e Pepê (Gonçalo Borges, 64).

Suplentes: Cláudio Ramos, Otávio, William Gomes, Danny Namaso, André Franco, Tomás Pérez, Martim Fernandes, Gonçalo Borges e Zé Pedro).

Treinador: Martín Anselmi.

Benfica: Trubin, Tomás Araújo (Dahl, 62), António Silva, Otamendi, Carreras, Aursnes, Florentino, Kokçu, Di Maria (Schjelderup, 72), Pavlidis (Belotti, 72) e Akturkoglu (Leandro Barreiro, 90+1).

Suplentes: Samuel Soares, Amdouni, Arthur Cabral, Leandro Barreiro, Belotti, Schjelderup, Dahl, Bruma e Bajrami).

Treinador: Bruno Lage.

 

Árbitro: João Pinheiro (AF Braga).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Nehuén Pérez (16), Carreras (23), Martín Anselmi (55), Gonçalo Borges (82) e Martim Fernandes (90+3).

Assistência: 49.193 espetadores.

Reportagem OC: Alberto Jorge Santos e Filipe Romariz ( Texto); António Proença ( Fotos)