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Quinta-feira, Maio 23, 2024

Em democracia não há “portas pequenas”

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Nestas eleições no FC Porto ficou bem vincado que o clube não está dividido. Esteve, naturalmente, em campanha eleitoral, com três listas concorrentes. Comparecer ao ato eleitoral é um direito e dever estatutário. Quanto mais listas, maior vigor os clubes demonstram. Isso não implica qualquer divisão mórbida. Venceu, claramente, o FC Porto.

Jorge Nuno Pinto da Costa foi sempre um  homem de lutas difíceis e nunca fugiu às lutas que optou por travar ao longo de 42 anos. E nesta, a derradeira, cometeu erros crassos sob o ponto de vista comunicacional, contibuindo para o peso da derrota.

O histórico líder portista demonstrou uma desabituação confrangedora a travar uma campanha interna. Optou por considerar o concorrente eleitoral da mesma formas  como  confronta os dirigentes dos clubes adversários. Foi fatal! Esteve mal, muito mal. A sobranceria, arrogância e insulto pessoal, raramente ganham eleições. Não me recordo – e conheci dois presidentes antes de Pinto da Costa – de ver propostas eleitorais concretas por parte do presidente agora derrotado. Mesmo no momento em que António Martins Soares, primeiro e José Fernando Rio e Nuno Lobo, depois, concorreram, Pinto da Costa dizia sempre “não preciso de apresentar propostas porque os sócios do FC Porto já as conhecem há muito tempo e sabem muito bem com o que contam.” Desta vez, este tipo de comunicação falhou em toda a linha.

Foram mais de 80% dos votos, o que revela bem união existente no clube. E nesta maioria há diferenças na forma como é entendido o futuro do clube, o que não deixa de ser normal. Mas há pontos em que os sócios – sócios e não adeptos – convergem. A exigência na transparência dos negócios, não serem “representados” por grupos organizados que têm tido um tratamento de exceção e, alegadamente, entrarem em “negociatas” nocivas ao FC Porto e atropelos gravíssimos à liberdade de expressão.

Somos finalmente livres”, disse Villas-Boas. Os sócios não querem ser reféns de nada, de ninguém. E tem-no sido. Da claque “Super Dragões”, da violência física e verbal, de empresários e de uma administração muito distante e a efetuar negócios, no mínimo, duvidosos. Nisto, 80% dos associados coincidem. Tal como na gratidão e respeito por tudo o que Jorge Nuno Pinto da Costa fez, bem feito, e que catapultou um clube “provinciano” ao topo da Europa.

O FC Porto, tantas vezes acusado de ser uma “ditadura” – se calhar com alguma verdade – vai ser, é promessa do novo presidente, de novo “livre”; avança que tudo o que for negativo para o clube é para acabar. É essa liberdade que promete aos adeptos.

Pinto da Costa não sai por “porta pequena”. Teve coragem e dignidade. E compareceu a um processo eleitoral para o qual não estava, minimamente, preparado. Os tempos são outros, os meios também e a forma de comunicar alterou-se radicalmente. O “imortal” presidente do FC Porto sai de cabeça erguida, num processo eleitoral democrático, e como um lutador incansável na defesa do que entendia ser a defesa do emblema portuense, da cidade e da região norte.

Em democracia associativa, ninguém perde, apesar de ganhar apenas um. E no FC Porto, houve civismo e ficou bem visível que a massa associativa não quer, não tolera atos de insisciplina, violência, condicionamentos diversos e faltas de respeito. A liberdade não é palavra vã no universo “azul-e-branco”.

A tantas vezes falada divisão e desunião dos portistas, afinal, não passa de mito urbano.

 

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