Efémera espuma do poder

Acompanhado pelo silêncio do pensamento, caminhava pela vereda da vida. Cruzava-se com pessoas alegres, outras entristecidas; algumas cabisbaixas — sabe Deus em que pensavam. Havia ainda aquelas que olhavam com ar crítico, sorrindo, cujos sorrisos lembravam mais esgares: talvez de revolta, inquietude, ou sabe-se lá o que ia na mente daquela gente.
Ele continuava a caminhar, deixando-se embriagar por uma análise dedicada ao comportamento daqueles seres.
E pensava: quão diferente é o ser humano como figura individual, e até a humanidade na sua plenitude.
Veio-lhe à mente a existência da convulsão nascida da maldade neste nosso mundo; lembrou-se da estupidez da guerra, produzida por mentes doentias, movidas pela cega prepotência de quem se crê senhor deste mundo que é de todos nós, mas que tanto anseiam pelo poder como se este fosse eterno.
Tristes energúmenos, que, se tivessem a capacidade do discernimento, saberiam que o seu poder é tão efémero como a onda mais rebelde que se desfaz em espuma na areia da praia.
Na sua caminhada de fim de tarde, deliciava-se — pelo menos isso — com a beleza que a natureza lhe oferecia ao longo das margens daquele caminho, sentindo-se feliz por pertencer ao reduto da gente de bem, felizmente a maioria neste planeta onde tantos alienados o vão destruindo, superando a crueldade dos mais ferozes animais selvagens.