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Sexta-feira, Julho 12, 2024

Economia Criativa indispensável nos novos destinos turísticos

Atualmente, o paradigma da oferta turística é cada vez mais alicerçado no fomento de atividades e serviços. Estes tendem a fornecer aos visitantes um gama de experiências naturais e socioculturais.

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Óscar Silva
Óscar Silva
Coordenador da Licenciatura em Turismo e  Negócios Sustentáveisno  e CTeSP no ISPGAYA

 O funcionamento da chamada economia criativa é cada vez mais especializado nos processos transdisciplinares de pesquisa e inovação; com ações direcionadas à reformatação e embalagem de novos conteúdos criativos, expansão e diversificação de “stakeholders” e parcerias criativas.

Um dos ramos da economia criativa, o artesanato e a arte, possuem a capacidade de gerar economia e benefícios sociais. Contribuem para a diversificação da experiência turística, especialmente no seio das pequenas economias/familiares. São, muitas das vezes, a única fonte de rendimento. Num estudo centrado na ligação entre o sector do turismo e o do artesanato na República Dominicana, observa-se que, embora o sector do artesanato local enfrente várias dificuldades, mantém o potencial de fornecer uma grande parte de artesanato fornecido internamente, especialmente no que diz respeito a jóias indígenas. Esta experiência é replicada em toda a região das Caraíbas, através do fomento de um grande número de empresas pequenas e médias, muitas vezes apoiadas por mulheres e jovens, que utilizam uma vasta gama de aptidões e competências, materiais e técnicas autóctones no fornecimento de arte, artesanato e experiências culturais para os visitantes.

De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), este é um dos setores mais relevantes do mundo, com um crescimento económico global continuado. O que demonstra o seu enorme potencial para gerar oportunidades de desenvolvimento; no entanto, também apresenta desafios significativos em termos de sustentabilidade. Nesse sentido, a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento (OMT, 2017), e o artesanato faz parte integrante da experiência turística, representando os saberes, as tradições, a memória e as culturas locais nativas.

foto turismo
Foto: Cristina Romariz

Muitos países beneficiam do artesanato como parte do turismo cultural, dominado por sítios arqueológicos e patrimoniais, uma vez que proporcionam às comunidades uma fonte de rendimento direto/indireto e por conseguinte, oportunidades de emprego. O artesanato combina, assim, os fatores sociais, económicos e culturais, proporcionando a ocupação temporária/integral do tempo disponível, gerando rendimento e uma integração social e económica junto da sociedade. Qualquer património cultural, para se sustentar e crescer, é imperativo que tenha uma abordagem transdisciplinar, onde fique assegurado a transferência do conhecimento para as gerações futuras.

                                                                                  Sustentabilidade


O desenvolvimento do turismo sustentável é definido pela OMT (2020a) como um que satisfaz as necessidades dos turistas e das regiões de destino, protegendo e fomentando oportunidades para o futuro turismo. Assim, os recursos de hoje devem ser geridos, de modo a poderem satisfazer as necessidades económicas, sociais e estéticas, respeitando, simultaneamente, integridade cultural, processos ecológicos essenciais, diversidade biológica e sistemas que sustentam a vida.

O turismo sustentável é um processo de mudança qualitativa nos aspetos políticos; e de planeamento da atividade turística, com a participação essencial da população autóctone. Assim, o turismo sustentável procura o desenvolvimento do turismo baseado no equilíbrio entre a preservação do património natural e cultural, a viabilidade económica do turismo e a equidade social do desenvolvimento.

                                                                                          Mapeamento

Como defende a Agência Europeia do Ambiente (EEE, 2020), uma economia saudável depende de um ambiente saudável. O desenvolvimento económico não pode ter lugar num ambiente degradado, tal como o ambiente não pode ser protegido se for excluído do desenvolvimento.

Embora a noção de uma economia criativa continue a ser um desafio em termos de definição, a investigação contemporânea ao longo da última década, parece levar a uma convergência de pontos de vista. A OCDE (2005) regista, também, que a ligação entre o turismo e a economia criativa, oferece novos desafios e oportunidades na complementaridade dos produtos turísticos, revitalização dos destinos, alargamento da oferta turística; e, claro, melhoria do produto turístico.

Torna-se crucial, melhorar as métricas relacionadas com o desempenho do sector, e com o propósito de melhorar e mapear as atividades criativas intra e intersector, bem como informar a política económica para o desenvolvimento futuro do sector. Possivelmente como manifesto tangível da evolução e organização da economia criativa, é o desenvolvimento de centros criativos que são considerados como ecossistemas para organizar a criatividade diversificada, ligações, empresas e instituições num único criativo espaço. Vê-se que envolva,pelo menos, o conjunto de social, cultural e atividades económicas, que utilizam “ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usar a criatividade e o capital intelectual como entradas primárias”.


Devido ao vasto âmbito de produtos e serviços gerados pela economia criativa, a relação significativa entre a indústria criativa e o setor do turismo, por definição, inclui todas aquelas atividades de pessoas que viajam e ficam em lugares fora do seu ambiente habitual por não mais de um ano consecutivo, para fins de lazer, negócios e outros, este último servindo como um mercado para bens e serviços criativos. Por conseguinte, o desenvolvimento de um modelo de transição para uma gestão sustentável e competitiva requer a adoção de mapeamento de processos para cada instância das fases de planeamento. As partes interessadas relevantes têm de ser identificadas e é necessário criar um grupo de desenvolvimento de parcerias e consultoria; são um passo essencial no desenvolvimento e gestão sustentável de um destino turístico. Deve assentar na implementação de um modelo de gestão que possibilite delinear uma estratégia que tenha em conta os seus aspetos sociais (igualdade entre artesãos, impulsionadores do trabalho), económicos (a geração de rendimentos para sustentar artesãos), ambiente (a utilização de materiais reciclados) e sociocultural (preservação dos valores culturais e históricos de uma atividade), como eixos nucleares a ter em conta num modelo de gestão de artesanato.

A importância das organizações públicas, tem sido notada nos seus esforços colaborativos com os artesãos para apoiar programas que promovam e coordenem a gestão direta e indireta desta atividade. Procurando, sempre, melhorar a formação e fortalecer as suas práticas. Os trabalhos  de organizações ligadas às artes e à cultura, na sua visão baseada na aprendizagem prática, exaltam a possibilidade de contributos de iniciativa governamental ou privada.

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