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Segunda-feira, Junho 17, 2024

É proibido proibir

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Susana Pinto
Susana Pinto
Professora de Português e Alemão

Há umas décadas atrás – não as suficientes para nos termos esquecido, mas, seguramente, as bastantes para já não nos lembrarmos – a Esquerda enchia a boca para defender o “é proibido proibir”.

Sim. Houve um tempo em que a Esquerda se insurgiu contra os poderes instalados e lutou para tornar a Sociedade mais aberta e muito mais livre. Uma Sociedade onde todos teriam a possibilidade de dizer o que pensavam. Sem receios nem medos.

Ora, esse tempo passou! E eis que hoje a Esquerda anseia pela censura, apela ao silenciamento e luta por cancelamentos.

Vem isto a propósito do episódio ocorrido na semana passada, no Parlamento Nacional: a Ala Esquerda da chamada Casa da Democracia insurgiu-se contra palavras ditas mais à Direita e deu início a uma série de interpelações ao Presidente da Assembleia. Queixando-se de um discurso racista, exigiram que terminasse com aquele tipo de intervenções.
Assistimos, depois, a uma lição de Democracia!

Não cabe ao Presidente da Assembleia da República (PAR) censurar: por palavras sinónimas, foi esta a posição de Aguiar- Branco face aos queixosos.
Esses, por sua vez, revoltaram-se. Duplamente. Agora, já não apenas com a Ala mais à Direita, mas também com o próprio PAR, por permitir que um deputado faça aquilo que é suposto fazer.

Aos olhos de um cidadão comum, toda esta situação parece ridícula e, tendo em conta que muitas vezes o que parece é, estamos perante um acontecimento esquerdamente ridículo.
Mais ainda quando é a própria Esquerda que não se apercebe do quão alienada está daquele que era o seu desígnio – o de ser proibido proibir.

O afastamento dos idos anos das décadas de 60 e 70 é tal, que hoje é a Esquerda a primeira a abrir a boca para condenar. É a primeira a censurar, a silenciar, a proibir.
Se dúvidas houvesse, Aguiar Branco deixou bem evidente aquela que é a essência da Esquerda do séc. XXI, ao recusar-se a usar o seu cargo para fazer censura a outros deputados.

Bela lição de democracia a que o País assistiu! Em Regimes Democráticos, as palavras combatem-se com palavras; em Ditaduras, as palavras combatem-se com silenciamentos.
Portugal não é uma Ditadura, por muito que nos últimos anos a isso cheirasse!
Alguém que explique isso à Esquerda! Entretanto, agradeçamos este ensinamento ao PAR



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