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Segunda-feira, Junho 17, 2024

E o vídeo não matou a estrela da rádio…

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Foto de LUSA

Hoje é o Dia Mundial da Rádio. Parabéns, pois, D. Rádio e muitos anos de vida!

Sou suspeito a falar da rádio, eu sei. E os meus amigos/as também ficam a saber. Gosto muito dela. quer como ouvinte ou  profissional  que fui.

A primeira ideia que tenho dela  é de ouvir a minha avô dizer que o meu avô perdia muito tempo a ouvir as notícias da guerra, a Segunda Mundial.. Mais tarde, vim a saber que aquele aparelho tinha vinda da América, enviado por um dos seus dois filhos aí emigrados e que serviria para o pai e o tio ouvirem as notícias. E o lindíssimo rádio, passava uma semana em casa de cada um. E não eram poucas as vezes em que, na casa de um ou de outro, a família reunia-se à volta daquela caixa mágica a ouvir. Foi-me contado. Não vi. Mas quem o disse, não mentia.

A lembrança mais remota da sua presença, tenho-a dos tempos em que, ao almoço, ouvíamos os “Parodiantes de Lisboa”. E como o rádio, uma caixinha preta com dois botões brancos, era enfeitado! Protegido com um paninho de “crochet” aurinegro e, sobre ele, o barco moliceiro em miniatura que eu associava ao aparelho. Adorava-os a ambos.

Por essa altura, as notícias interessavam-me pouco. Só mais tarde entraram na minha vida ou eu na delas, não sei bem. Aquela época, a meio dos anos 60 do século passado, o fascínio da rádio era a música. E os relatos de futebol. Desde garoto que adorava essa forma, esse grito de liberdade  – goooooooooloooooo! A alegria de uns e a tristeza de outros que, juntos, escutavam o relato sem acintes ou, muito menos, ódios. A bola era mesmo assim. No domingo seguinte, havia mais.

Depois, os “transístores”, aquelas caixinhas coloridas que encostávamos ao ouvido para ouvirmos melhor. Ia para todo o lado. Uma companhia indispensável.

E a imagem inesquecivel dos nossos vizinhos a ouvirem a rádio – a BBC ou a Rádio Portugal Livre, julgo que era assim que se chamava – escondidos, em surdina, debaixo da mesa de camilha, na sala. Por essa altura não entendi e fartava-me de rir. Mesmo que me quisessem explica, não sabiam como fazê-lo. Só por volta de 1970 é que o meu pai explicou. Estavam escondidos para abafar o som, não fossem outros vizinho ouvir e denunciá-los à plenopotenciária polícia política. Fintavam a ditadura, censuradora do que a rádio “queria” dizer.

E o 25 de Abril! Foi na rádio que acompanhei. Ainda hoje recordo as vozes do Joaquim Furtado, do Durão, Luis Filipe Costa, João Paulo Diniz ou Adelino Gomes. A história em direto nos nossos ouvidos. Pela Rádio. Pura magia, aquelas imagens sonoras.

Se foi o meio usado por Hitler para arregimentar os seus loucos apoiantes, também  nos contou o que se passava  por cá e o governo escondia.

A paixão pela rádio levou-me até ela, como profissional da informação. Depois de passar por uma série de “emissores piratas”, num tempo em que a democracia e a liberdade iam crescendo, mas eram ainda menores.

A rádio sempre ocupou lugar de destaque na minha vida.

Um jornal, um livro e, claro… um transístor a pilhas foram sempre presença nas minhas bagagens, antes da revolução tecnológica que está a transformar-se em ditadura.

A rádio, não! Foi sempre a liberdade que faltava. E poderá ser um travão, outra vez, a uma nova censura.

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