Democracia para amadores

O exercício democrático é da inteira responsabilidade do eleitor. Assim que atinge a maioridade, fica de imediato apto a contribuir para o circo mediático da política.

Muitos ignoram a importância do voto, colocando à sua frente uma panóplia de outras actividades. Se, por acaso, resolvem avançar até à mesa de voto, é porque o fazem pela primeira vez ou porque fazem parte do núcleo mais sénior que, tendo sofrido as agruras da ditadura, não prescinde do seu direito inalienável. Aceito que possam discordar e replicar com o argumento da falta de qualidade dos políticos e das constantes mentiras. Porém, trata-se de um direito adquirido e, como tal, não deve ser ignorado nem menosprezado.

Existe, no entanto, alguma ignorância por parte de certos votantes. Eu, enquanto membro da equipa da mesa de voto — que aprecia passar um domingo inteiro a trabalhar para o Estado, a troco de um valor irrisório — estou na linha da frente perante os mais diversos disparates. Coisa que, como sabem, nem gosto nada! Entrar na secção de voto errada está no topo da lista. Claramente, a ordem alfabética não colhe grandes adeptos e, como tal, alguns tiros saem ao lado.

Desconhecer partidos e candidatos é outra curiosidade, o que, basicamente, estraga o propósito da coisa. Perguntar, depois de já ter votado, onde está a opção do voto em branco figura no “top ten” destes encontros imediatos. Talvez isto ajude a explicar a mediocridade deste país. Quando o povo não é exigente, qualquer trambolho serve para o governar.