Democracia, o pior dos regimes – Por Miguel Correia

A democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela. A frase é habitualmente atribuída a Churchill e já foi repetida vezes sem conta – comigo, é mais uma. Mesmo sabendo que este senhor, a quem se deve a queda do regime nazi, ter estado em Portugal para duas semanas de férias (em 1950), nunca na vida poderia prever que iria haver uma Revolução, um Verão Quente, uma nova Revolução (menos simbólica e até inexistente para a malta de esquerda) e, acima de tudo, o partido Chega.

Muito se tem dito sobre a criação de André Ventura e, tal como sempre fiz, não vou fazer qualquer ataque pessoal. Aceito e respeito todas as formas de pensar e regimes, à excepção das foices e martelos. Assim sendo, e sem qualquer tipo de interesse pessoal, quero felicitar o partido por ter conseguido reaproximar as pessoas e a política. Podemos, certamente, discutir se é algo favorável ou prejudicial, porém, tal como acontece nas viagens de avião (low-cost), todos podem participar, quer se goste ou não. Há uma ligação e uma vontade cívica como nunca se viu…

A política, tal como a banca, sempre foi deveras elitista. Os menos afortunados financeiramente viviam num mundo paralelo, sem informação ou privilégios. A tão apregoada liberdade não conseguiu alterar este estigma. Recordem os lesados do BES (Banco Espírito Santo) e outros negócios obscuros e chegam à conclusão que quem se lixa é o povo! A criação de novos partidos permitiu a ascensão do homem vulgar a cargos reservados aos que têm um título académico antes do nome. No entanto, apesar de algumas movimentações ocasionais, a verdade é que o movimento de ingressão no Chega bateu todos os recordes! Num ápice, tal como aconteceu com o fenómeno IURD, as pessoas encontraram nos ideais do partido a resposta às suas preces!

Devido ao crescimento exponencial e necessidade de preencher as vagas para as respectivas candidaturas, o partido abriu as portas a qualquer um que tenha um fato (mesmo o do casamento) e saiba ler e escrever. Mais que defender a democracia e lutar contra o sistema, ter a chancela do partido é motivo de orgulho para um candidato. Mesmo que, no passado, tenha sido militante acérrimo de outro partido.

Pois, esqueci-me de mencionar que estamos a caminhar para as próximas eleições autárquicas e, pelos nomes revelados, parece que o Chega trabalhou bem na última janela de transferências.