Demência ou estratégia? Defesa de Joe Berardo tenta travar processo de mil milhões

A defesa do empresário Joe Berardo apresentou novos relatórios médicos que apontam para um quadro de “demência progressiva”, solicitando a suspensão dos processos judiciais relacionados com dívidas bancárias que rondam os mil milhões de euros.

Segundo fontes próximas do processo, a alegação de incapacidade cognitiva surge numa fase decisiva do litígio que opõe Berardo a várias instituições financeiras, nomeadamente a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Banco Comercial Português (BCP) e o Novo Banco.

Os bancos têm vindo a intensificar esforços para recuperar créditos, incluindo tentativas de penhora de ativos que, alegadamente, terão sido transferidos para familiares e fundações ligadas ao empresário.

Em audições anteriores no Parlamento, Joe Berardo afirmou não possuir bens em nome próprio, sustentando que grande parte do seu património foi transmitido à mulher e aos filhos.

Apesar dos relatórios apresentados pela defesa, os credores encaram o diagnóstico com reserva, aguardando a decisão do tribunal quanto à eventual realização de perícias médicas independentes, que poderão ser conduzidas pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses.

A decisão judicial sobre a validade da alegada incapacidade poderá revelar-se determinante para o avanço, ou suspensão, de um dos maiores processos financeiros em Portugal nas últimas décadas.

OC/VL