Deixar de ligar à política – Por Joaquim Jorge

Desistir da política é o que me apetece fazer. Houve uma altura em que pensei que o orçamento ia ser aprovado, mais tarde pensei que não seria aprovado, finalmente vai ser aprovado. Uf! Finalmente. Todavia, esta telenovela foi má demais para ser verdade.

Sigo, atentamente, a vida política em Gaia, temos um Presidente de Câmara condenado em primeira instância, passou quase um ano, o Tribunal da Relação decidiu manter a condenação de perda de mandato do Presidente da Câmara de Gaia. Contudo, pelo que li, vai recorrer, de novo.

Provavelmente, recorrerá para o Supremo Tribunal de Justiça, e se as coisas não lhe forem favoráveis, avança para o Tribunal Constitucional. Quando Gaia tiver outro Presidente em funções, o actual perderá o mandato, todavia os efeitos práticos são nulos, mas a imagem de Gaia sairá muito prejudicada.

Os nossos políticos não querem saber do que as pessoas sentem ou do que precisam, há uma sensação de impotência para mudar este estado de coisas.

A política portuguesa é uma borga, parece uma actividade divertida e animada que serve de distracção ou passatempo para os portugueses.
A política em Portugal, rara excepção fica tudo na mesma. A política portuguesa vive num atoleiro, mudam-se os governantes, mas o estilo mantém-se.

A política faz parte da minha vida e é apaixonante, mas estou um pouco cansado da política, assim, aumento a legião das pessoas que não estão para se incomodar.
A política tem uma enorme influência na nossa vida, mas as pessoas só reagem se lhes forem aos bolsos.

Infelizmente, como português, sinto-me vítima destes senhores que levaram o país a esta situação. E, o pior, ninguém quer saber, contudo, magoa-me a indiferença, o não querer saber.
O silêncio das pessoas sobre determinados assuntos é confrangedor. As pessoas não se conseguem libertar do telemóvel e do lixo informativo que nos impingem.

Preocupa-me ter saúde. Preocupa-me que o governo cumpra com o que prometeu. O resto é procurar viver, pois viver é difícil.

Os portugueses são inteligentes, simpáticos e calorosos, mas estão sempre a ser enganados. A culpa é deles, mas também da sua incultura, desinteresse e o alheamento.
Não quero desistir da política, actualmente, estamos a ser vítimas da forma como se faz política em Portugal.

Nunca fui pessoa de me acomodar, mas não suporto o desinteresse dos portugueses. Pouca gente liga à política. A culpa de quem é? Grande parte é dos portugueses.
O Eça de Queiroz tinha razão, o melhor é dar umas boas gargalhadas, até a criticar temos que ser inteligentes.