Decesso – Por José Carlos Moutinho

Falar da morte é sempre desagradável e inquietante, para alguns, outros há, que a aceitam como natural, assim como eu.

Será a morte o fim de tudo, da vida, ou, pergunto-me, se não será uma simples transição para uma outra vida!?

Se pensarmos que tudo tem um princípio, meio e fim, a vida não é excepção. Assim, nascemos, sem termos pedido, a partir de determinado momento, passamos a viver por nossa conta e, por fim, sem a chamarmos, vem a morte, sorrateira e silenciosa, umas vezes; outras, manda aviso para que as pessoas se preparem, porque o fim está a aproximar-se.

Há ainda, os casos de mortes súbitas, em que as pessoas não a sentem e partem, na paz de Deus.

Todavia, também existem aquelas de grande sofrimento, não são para quem parte, mas especialmente, para aqueles curadores sempre presentes e sofredores, porque quem viaja para longe deste planeta, deixou de sofrer.

Mais uma vez me interrogo, mas, infelizmente, não obtenho resposta: Qual a função da nossa passagem por aqui, por este globo terráqueo, se, tantas vezes, essa finitude é tão prematura, para alguns, pelo menos no conceito dos descrentes?

Talvez, hajam respostas, mas a minha incapacidade metafísica não me permite desvendar este mistério.

Vem esta pequena crónica a talho de foice, pela notícia que logo de manhã tomei conhecimento. Um amigo acabara de partir, depois de uma luta com uma daquelas malditas doenças e, mesmo depois de uma delicada transfusão medular, não conseguiu vencer esta batalha tão desigual

Fica-se em choque, incrédulo até, pelo inesperado, ou talvez não, levando-nos, porém, a pensar que a morte tarde ou cedo é imperiosa.

Se conseguíssemos mentalizarmo-nos de que é inexorável esta finalização da vida, e não nos preocupássemos tanto com a materialidade e mais com a racionalidade e com os valores da humanidade, talvez, penso eu, ingenuamente, viver, fosse de tal maneira enriquecedor que se desvalorizasse o decesso.