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Domingo, Julho 14, 2024

Cosmovisões : Pequeno Tributo às Culturas “Primitivas” – Por Carlos Silva

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Na perspetiva de um europeu é comum referenciar a Grécia Antiga e a sua cultura como o berço da civilização. Com efeito, foi nesse espaço geográfico que, por volta do século VII a.C., emergiu, por oposição à consciência mítica, a mais velha “ciência”, a Filosofia. Inicialmente, esta “ciência” abarca a totalidade dos saberes, saberes esses que se foram, gradual e paulatinamente, emancipando do tronco comum.

Além da Filosofia e de outras manifestações culturais – como as artes cénicas, a historiografia e a literatura – a Grécia é considerada o berço do primeiro sistema político “democrático” de que há memória: a democracia ateniense do século V a.C.. Como consequência desta democracia foram, pela primeira vez, defendidos os valores da igualdade de todos os cidadãos perante a lei; da igualdade de todos os cidadãos na participação no poder e da igualdade de direito ao acesso à palavra nas assembleias.
A densidade e abrangência do pensamento grego é de tal forma que, segundo alguns autores e estudiosos do tema, os gregos “pensaram para sempre”.

Contudo, será prudente não menosprezar as culturas denominadas “primitivas” de África e dos povos nativos da América. A este propósito, convém relembrar que os primeiros hominídeos, nossos ancestrais, terão assumido a posição vertical pela primeira vez no continente africano. Neste pressuposto, será justo considerar o continente africano como o local de nascimento da humanidade, tal como hoje a conhecemos.

De acordo com estas culturas não existe, como no mundo ocidental, um dualismo entre o sujeito e o objeto, entre o homem e o mundo. A título de exemplo, por oposição à cultura ocidental, na cultura tradicional africana e na cultura dos indígenas americanos, o tempo cronológico não é medido por instrumentos mecânicos, como os relógios. O tempo é medido pelo nascer do sol, pelo pôr-do-sol e pelas mudanças de estação. De acordo com esta visão holística do homem e do mundo, a vida é um ciclo contínuo e nós, seres humanos, constituímos um todo com a natureza. O homem integra a natureza e o cosmos.
Além disso, nestas perspetivas a lógica e a racionalidade não são enfatizadas como o único caminho para a sabedoria. O homem não é guiado somente pela razão. A intuição e a imaginação são consideradas igualmente válidas.

Se é verdade que, no ocidente, o grau de desenvolvimento social, tecnológico e científico suplanta consideravelmente o grau de desenvolvimento das culturas dos povos considerados primitivos, não será menos verdade que os problemas ecológicos e de sustentabilidade ambiental com que, no presente, a humanidade se confronta são, previsivelmente, fruto de uma relação de predação e de desequilíbrio entre o homem e a natureza, cuja génese remonta aos gregos.

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