Conferências do Sapal regressaram ao Salão Nobre do Município de Setúbal

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O Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal acolheu, no dia 20 de janeiro, a abertura da terceira série das Conferências do Sapal, com uma intervenção de Viriato Soromenho Marques intitulada “O Problema da Paz e da Guerra no Século XXI”. O evento, organizado pela UNISETI – Universidade Sénior de Setúbal, marcou o regresso do ciclo após quatro anos de interregno devido à pandemia de covid-19.

Na sua intervenção, Soromenho Marques abordou a possibilidade de um conflito de grandes proporções pela primeira vez desde 1945. “Desde que começou a guerra na Ucrânia e desde que a NATO resolveu intervir quase diretamente no conflito, criou-se uma tensão muito grande”, afirmou, sublinhando que as decisões internacionais envolvendo risco de guerra devem ser tomadas “com muita prudência e muito conhecimento”.

Segundo o palestrante, “o comportamento da União Europeia, dos Estados Unidos e dos países da NATO tem privilegiado uma abordagem de tipo estritamente militar a uma abordagem política e diplomática”. Acrescentou que “décadas de diplomacia podiam ter evitado este confronto”, referindo-se à oposição da Rússia ao alargamento da NATO à Ucrânia, conhecida desde os anos 90.

O presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, destacou que vivemos tempos difíceis. “A guerra é destruição e não é nada boa para o planeta. Está-se agora a entrar num caminho com nuvens muito carregadas, muito negras.” Na abertura da sessão, sublinhou também a importância de construir um futuro melhor para as gerações vindouras, considerando a iniciativa “uma boa oportunidade” para refletir sobre os desafios globais.

Soromenho Marques alertou ainda para os desafios climáticos e tecnológicos que o mundo enfrenta, defendendo a primazia da diplomacia e da cooperação entre grandes potências como União Europeia, Estados Unidos, Rússia e China para evitar um agravamento das tensões.

O ciclo de conferências continuará em breve com uma palestra do ambientalista Francisco Ferreira, dando seguimento a uma tradição iniciada há oito anos.