Combate à corrupção – Os cidadãos agradecem

Ontem, Lisboa acordou agitada. Os ecos graves das buscas à Junta de Freguesia de Santa Maria Maior e da Sede Nacional do PS, rapidamente chegaram aos órgãos de comunicação social e aos ouvidos da população. Ficámos a saber de supostas atividades irregulares e, alegadamente, criminosas, de pessoas ligadas a esse partido político. O que levou a 5 detidos e 39 arguidos.
Agora, foram autarquias socialistas. Antes tinham sido do PSD. Também o CDS já viu alguns dos seus militantes e funcionários serem acusados. Foi Lisboa, mas já aconteceu em outros locais do país. A corrupção começa nos pequenos poderes até atingir proporções incalculáveis.
As empresas públicas, tem sido, desde sempre, minadas por esse “vírus”. Organizações do Estado, SIRESP, entidades reguladoras, SNS, REN, Proteção Civil, INEM, enfim, um sem número de situações todas muitíssimo graves.
Temos, porém, de ser cautelosos e enaltecer os servidores públicos (felizmente, a maioria) que exerce as suas funções com competência e honestidade. Para esses, operações assim devem ser motivo de regozijo. Até porque, os seus colegas e chefias que promovem a corrupção, estão a prejudicá-los também. De diversas formas.
O que vai acontecendo por esse país fora, é do conhecimento público. E, quantas vezes, nos questionamos com o facto de não serem descobertos esses ardis montados em proveito próprio? Tantos roubos ao erário público feitos de forma descarada, estranhos licenciamentos de construções em zonas que deviam ser de todos. E os sinais exteriores de riqueza, fruto desse desbaste ao dinheiro dos cidadãos pagadores de impostos. Todos sabem. Todos veem. Mas o medo de denunciar é compreensível. Em Portugal, continua a haver medo de gente poderosa e mafiosa.
Há autarcas, em câmaras municipais, que são mais conhecidos pelo “T3” ou pelo “T4”, do que pelos próprios nomes. E este flagelo é transversal aos partidos políticos. Situações houve em que a resposta dada a quem pretendia conhecer, nas câmaras municipais, o andamento dos seus projetos, “se tens o cartão do partido, vai ser rápido, caso contrário…”.
Tem havido uma grande falta de coragem ou de vontade, ou ambas, por parte das autoridades em “pôr mão” a casos desta natureza. Que seja agora. Antes tarde do que nunca.
Devemos ficar satisfeitos com o que tem acontecido por estes dias. Em Lisboa, Gaia e Maia, principalmente. As autoridades estão a cumprir o dever. Agora, a Justiça que faça o seu trabalho – puna quem tem de punir e ilibe quem é inocente.
E deixemo-nos de “clubite partidária”! E de teorias conspirativas quanto aos “timings” das investigações. Pouco importa se os corruptos estão atrás da cortina do partido A, B ou C. Lembremo-nos que essas pessoas “só são dos seus umbigos”. Servem-se dos partidos para burlar, mentir, prejudicar. E, quando necessário, mudam-se, sem escrúpulos, par o lado do poder. Qual ideologia, qual partido, qual quê!
A corrupção intoxica a democracia e o Estado de Direito. E abre portas a “salvadores da Pátria”, que mais não são do que oportunistas ávidos por chegar ao poder e ao dinheiro.
Para o bem de todos, desejamos que as autoridades continuem a trilhar este caminho. E que o Estado de Direito funcione dentro dos tempos legais, sem deixar “endrominar-se” por prazos dilatórios… feitos à medida.