Coletivo Artístico Boa Mistura vence Prémio Idealista 2026 com o projeto “Libertá”

O coletivo artístico Boa Mistura foi distinguido com o Prémio idealista de arte contemporânea 2026 pelo seu projeto “Libertá”, uma intervenção no bairro de San Siro (Milão) que reflete sobre identidade, comunidade e transformação urbana. A obra foi reconhecida pelo seu impacto visual e pela sua capacidade de gerar uma leitura crítica do contexto social contemporâneo. Com curadoria de Elisa Hernando Calero e coordenação da Arte Global, o galardão valoriza propostas artísticas que dialogam com a cidade e promovem novas formas de reflexão sobre o ambiente urbano e social. A obra estará em exposição no stand do idealista no SIL (Salão imobiliário de Portugal) de 23 a 25 de abril, representada através de uma réplica parcial do mural.

O projeto premiado, “Libertá”, situa-se no bairro de San Siro, no oeste de Milão, uma zona de habitação social marcada por uma forte identidade comunitária e, simultaneamente, por dinâmicas de isolamento urbano. Delimitado por grandes vias que funcionam como fronteiras físicas, o bairro apresenta uma realidade social complexa, com uma elevada presença de população migrante e um estigma associado à marginalidade, mas também com uma intensa vitalidade cultural ligada ao graffiti e à cena urbana contemporânea.
Neste contexto, a Boa Mistura intervém na fachada das “Case Nuove”, antiga construção rural do século XVII atualmente em processo de transformação num centro cultural e educativo. A obra estrutura-se a partir de um mural criado inicialmente no estúdio dos artistas em Madrid, posteriormente transferido e reconfigurado nos vãos das janelas do edifício em Milão e instalado por vários reclusos locais. Fragmentada pela arquitetura, a palavra “Libertá” surge e desaparece, interrompida pelo próprio muro, gerando uma tensão visual e conceptual entre abertura e clausura. A obra inscreve-se, ainda, na genealogia do graffiti enquanto prática artística, onde o muro se torna suporte de expressão, identidade e resistência.
“‘Libertá’ nasce da escuta do bairro e do trabalho com as suas próprias contradições. Interessava-nos falar dos limites — físicos e simbólicos — que definem a vida na periferia, e fazê-lo através da linguagem que nos é própria: o muro, o gesto e a palavra”, afirma o coletivo Boa Mistura.
Nas palavras de Elisa Hernando, curadora do projeto, “Libertá gera uma experiência estética forte e, simultaneamente, ativa uma reflexão crítica sobre o espaço urbano, os seus limites e as suas possibilidades de transformação”.
Boa Mistura

Boa Mistura é um coletivo artístico cuja prática tem raízes no graffiti e na intervenção no espaço público. O seu trabalho explora o muro como suporte de expressão, identidade e diálogo com a cidade, desenvolvendo projetos que combinam ação, repetição e participação em diversos contextos urbanos. Ao longo do seu percurso, a obra da Boa Mistura integrou eventos internacionais de referência como a Bienal de Dakar, Senegal (2022), a Bienal Urbana de Shenzhen, China (2017), a Bienal de Pintura Mural de Cali, Colômbia (2016), a Bienal de Arte de Havana, Cuba (2015), e a Bienal de Arquitetura de Veneza (2012), no Pavilhão de Espanha, entre outros.
Participaram igualmente em exposições em instituições como o Museu Reina Sofía de Madrid, o Museu MAXXI de Roma, o Hyundai Museum ALT1 de Seul, o CAC de Málaga, o Palácio de Belas Artes de Santo Domingo, o CENTQUATRE de Paris, o Centro de Cultura Contemporânea Condeduque, o Welt Museum de Viena e o Bauhaus-Archiv de Berlim, entre outros.
Prémio idealista
O idealista apoia há vários anos autores nacionais e internacionais e promove a produção artística contemporânea através da aquisição de obras que refletem o impacto do urbanismo na vida das pessoas. A sua coleção inclui peças de autores como Alejandro Cartagena (Santo Domingo, República Dominicana, 1977), Gabriele Basilico (Milão, Itália, 1944), Francesco Jodice (Nápoles, Itália, 1967), Teresa Margolles (Culiacán, México, 1963), Nick Brandt (Londres, Reino Unido, 1964), Olaf Breuning (Schaffhausen, Suíça, 1970) e Massimo Vitali (Como, Itália, 1944).
As obras circulam entre os vários escritórios da empresa em Barcelona, Lisboa, Madrid, Málaga e Milão, integrando um percurso expositivo itinerante. A primeira exposição da coleção idealista decorreu no espaço cultural Serrería Belga, em Madrid, entre 17 de dezembro de 2025 e 8 de março de 2026, reunindo 120 obras de 58 artistas. Para a criação do Prémio idealista e a coordenação das próximas edições, o idealista selecionou Elisa Hernando, diretora da Arte Global, que foi responsável pela curadoria da intervenção do Boa Mistura no SIL em Lisboa.
OC/AJS