Clube dos Pensadores – Candidato Pedro Duarte apresenta propostas para a cidade do Porto

O Clube dos Pensadores, fundado por Joaquim Jorge, iniciou a nova época com a presença de Pedro Duarte, candidato à presidência da Câmara Municipal do Porto. O encontro decorreu no Hotel Holiday Inn Porto-Gaia, em Vila Nova de Gaia, com entrada livre e participação de dezenas de cidadãos.
Joaquim Jorge fez a abertura da sessão, recordando que Pedro Duarte já havia participado no Clube há cerca de 12 anos. O fundador destacou o percurso político do convidado, referindo o seu papel como ministro dos Assuntos Parlamentares e a sua ligação ao Partido Social Democrata.
Pedro Duarte começou por agradecer o convite e sublinhou a importância do debate público e da participação cívica. “É um espaço que valoriza o pensamento livre e a troca de ideias”, declarou.

Mobilidade gratuita e financiamento pela taxa turística
Um dos temas centrais da intervenção foi a mobilidade urbana. Pedro Duarte defendeu a gratuitidade dos transportes públicos na cidade do Porto, através do cartão Porto. Como possível modelo de financiamento desta medida, explicou que “se aumentarmos 1 euro na taxa turística, por exemplo, dos 3 euros atuais para 4 euros, isso vai implicar mais 10 milhões de receitas”.
Reconheceu que a adesão não será imediata, observando que “não vai acontecer de forma massiva logo no primeiro ano”. A medida, segundo o candidato, visa promover o uso dos transportes públicos e reduzir o tráfego automóvel, contribuindo para uma cidade mais acessível e menos poluída.
Requalificação do turismo e aposta em eventos culturais
Sobre o turismo, Pedro Duarte defendeu uma requalificação do perfil do visitante, com aposta em eventos culturais de maior qualidade e impacto. “Hoje em dia temos muito aquele perfil de jovens solteiros que causam alguns prejuízos à cidade”, referiu, propondo uma estratégia que valorize o retorno económico e social do turismo.
Indicou que o aumento da taxa turística pode ser canalizado, também, para investimentos em cultura, mobilidade e limpeza urbana, contribuindo para uma melhor experiência turística e para a qualidade de vida dos residentes.
Videovigilância e iluminação como medidas de segurança
No domínio da segurança, Pedro Duarte anunciou a intenção de instalar mais 100 câmaras de videovigilância na cidade do Porto. “Tem-se provado que, onde há micro vigilância já instalada, as pessoas dizem que, apesar de tudo, a segurança melhorou”, sustentou.
Referiu também a importância da iluminação pública como elemento dissuasor da criminalidade, defendendo o reforço da rede de iluminação em zonas consideradas problemáticas. Sublinhou que “a segurança urbana deve ser abordada de forma integrada, envolvendo as forças de segurança, os serviços municipais e a comunidade local”.
Habitação social e integração dos bairros
Pedro Duarte abordou a questão da habitação social, referindo que “13% dos habitantes do Porto vivem em habitação social, enquanto a média nacional é de 2%”. Reconheceu a existência de bairros bem integrados e outros com problemas de segregação. “Há muita gente que vive no bairro e criou uma barreira psicológica que não sai do bairro. O bairro é a sua cidade”, observou.
Defendeu políticas de integração e requalificação dos bairros sociais, com intervenção ao nível da segurança, da mobilidade e da oferta cultural. Referiu que “a habitação social deve ser uma oportunidade de inclusão e não um fator de exclusão”.
Críticas ao licenciamento urbanístico
O candidato criticou a lentidão dos processos de licenciamento na cidade do Porto. “Entrega-se um processo para licenciar um prédio e demora-se meio ano, mesmo quando está tudo direito”, apontou, destacando o impacto negativo na construção e no mercado habitacional.
Defendeu maior eficiência administrativa e simplificação dos procedimentos, com recurso à digitalização e à transparência dos processos. “O urbanismo deve ser um motor de desenvolvimento e não um obstáculo à iniciativa privada”, acrescentou.
MetroBus da Boavista e dúvidas sobre certificação
Pedro Duarte manifestou reservas quanto ao projeto MetroBus da Boavista, questionando a lógica e a eficácia da solução proposta. “Estamos a falar de 80 milhões de euros. Ninguém me sabe explicar como é que se faz com prioridades, quando há filas permanentes”, referiu, apontando a falta de clareza sobre o funcionamento do sistema em situações de congestionamento.
O candidato acrescentou que os veículos adquiridos para o MetroBus “não estão certificados e não podem circular”, sublinhando que esta limitação técnica compromete a operacionalidade do projeto. “Não há uma explicação técnica que sustente esta opção”, observou, defendendo que o investimento deve ser reavaliado com base em critérios de eficiência e segurança.
Pedro Duarte não excluiu a possibilidade de reversão ou reformulação profunda do MetroBus, caso venha a ser eleito, afirmando que “não podemos avançar com um modelo que não responde às necessidades reais da cidade”.
Campanhã e o eixo oriental da cidade
Sobre a zona oriental da cidade, nomeadamente Campanhã, Pedro Duarte considerou que existe potencial para desenvolvimento urbano. “Em todas as cidades do mundo onde há uma estação de alta velocidade, aquela zona à volta transforma-se”, indicou.
Defendeu que o Porto deve aproveitar essa oportunidade para construir uma nova centralidade, com investimento em habitação, comércio e serviços. Referiu que “a zona oriental tem sido negligenciada e que é necessário um plano estratégico para a sua valorização”.
Porto como capital da saúde
Pedro Duarte propôs que o Porto se afirme como capital da saúde, aproveitando as instituições de investigação e os hospitais existentes. Defendeu a criação de um Conselho Municipal de Saúde, com “mais autonomia e capacidade de resposta local”.
Referiu que “a saúde é uma área onde o município pode ter um papel relevante, articulando com o Governo e com as entidades locais”. Defendeu a descentralização de competências e a criação de soluções adaptadas às necessidades da população.
Cultura será um pelouro assumido pelo presidente
O candidato anunciou que, caso seja eleito, pretende assumir diretamente o pelouro da cultura. “A cultura tem de estar no centro da ação municipal”, sublinhou.
Referiu que a cultura é um instrumento de coesão social e de afirmação da identidade da cidade. Defendeu uma política cultural inclusiva, com apoio às instituições locais e promoção de eventos de qualidade.
Intervenções do público e participação cidadã
Durante a sessão, vários participantes colocaram questões e apresentaram sugestões. Uma das intervenções referiu a ausência de caixotes do lixo na Quinta da Macieirinha. Pedro Duarte respondeu: “São coisas que às vezes é quase uma questão de contrassenso, mas que falham e não podem falhar.”

Outros participantes abordaram temas como o acesso aos serviços de saúde, a gestão dos espaços públicos e a participação dos cidadãos na definição das políticas municipais. Pedro Duarte mostrou-se disponível para o diálogo e para acolher contributos da sociedade civil. “A participação cidadã é essencial para uma governação transparente e eficaz”, reiterou.
Candidatura a Capital Verde Europeia
No encerramento, Pedro Duarte anunciou a intenção de candidatar o Porto a Capital Verde Europeia em 2027. “A cidade tem de estar limpa. É o primeiro passo”, declarou.
Referiu que a candidatura será acompanhada de medidas concretas nas áreas da mobilidade, da energia, da gestão de resíduos e da preservação dos espaços verdes. Defendeu que “o Porto deve assumir um papel de liderança na transição ecológica e na promoção da sustentabilidade urbana”.
Encerramento e perspetivas eleitorais
A sessão terminou com uma síntese das propostas apresentadas e com uma reflexão sobre os desafios da cidade. Pedro Duarte reafirmou o compromisso com uma governação próxima dos cidadãos e com uma visão estratégica para o Porto. “Esta candidatura resulta de um projeto coletivo e está aberta à colaboração de todos os que queiram contribuir para o futuro da cidade”, enunciou.
O Clube dos Pensadores encerrou a sessão com agradecimentos ao candidato e aos participantes, sublinhando a importância do debate público e da cidadania ativa.
OC/RPC