Casamentos de Santo António realizam sonho de 16 casais

Dezasseis casais vão subir ao altar na véspera de Santo António, dia 12 de junho, para dar o nó com um final feliz na cerimónia dos Casamentos de Santo António.

A tradição que começou em 1958, foi interrompida em 1974, mas recuperada, 30 anos depois, em 2004 pela câmara de Lisboa. Perdura até aos dias de hoje e continua a atrair vários casais de distintas proveniências.

Os Casamentos de Santo António “não estão em vias de extinção” porque mantêm viva a tradição e acompanham a multiculturalidade da cidade de Lisboa, com noivos do Brasil, Itália e Paraguai, disse o presidente da Câmara.

A nossa cidade é verdadeiramente internacional e isso é a nossa grande força“, afirmou Carlos Moedas (PSD) na apresentação dos noivos dos Casamentos de Santo António, que decorreu na Fábrica de Unicórnios de Lisboa, no Beato Innovation District.

A um mês da cerimónia, no dia 12 de junho, véspera do feriado municipal de Lisboa, os 16 casais – 11 para a cerimónia religiosa e cinco para a civil – foram escolhidos entre as 39 candidaturas recebidas este ano (mais duas do que em 2024), com candidatos entre os 26 e os 85 anos e de nove nacionalidades.

CASAMENTOS DE SANTO ANTÓNIO – FOTO | JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Os 16 casais escolhidos têm idades entre os 27 e os 50 anos, são provenientes de 23 das 24 freguesias de Lisboa, a maioria são portugueses e até “alfacinhas de gema”, mas há também noivos do Brasil, Itália, Espanha e Paraguai.

Entre eles, há funcionários da higiene urbana da câmara, administrativos, escriturários, empregados de balcão, engenheiros e advogados.

Lisboa é uma cidade aberta e tem de ser sempre uma cidade de todos. Quem cá chega é lisboeta. Venha de Itália, venha de Espanha, venha do Paraguai, venha de onde vier, é lisboeta, e isso é muito importante para mim“, disse Carlos Moedas, avisando os noivos passarão a ser “embaixadores de Lisboa para o resto da vida“.

Os Casamentos de Santo António tiveram início em 1958, numa iniciativa do Diário Popular e na altura intitulada “Noivas de Santo António“, projeto que foi interrompido em 1974 e retomado em 1997 pela Câmara de Lisboa.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da câmara assegurou que os Casamentos de Santo António “não estão em vias de extinção, estão muito fortes“.

A cidade está aqui representada também por aquilo que é a sua diversidade, pessoas que vêm de outros países, que se juntam àquela que é a identidade da cidade, e a identidade da cidade são as Festas de Lisboa, são as marchas, é o Santo António“, indicou.

CASAMENTOS DE SANTO ANTÓNIO (2024) – FOTO | LUSA

Também o presidente da empresa municipal EGEAC – Lisboa Cultura, Pedro Moreira, destacou os Casamentos de Santo António como “um evento símbolo do amor, da união e da esperança, que reforça os laços comunitários da cidade”, afirmando que a relevância social e cultural desta iniciativa “não pode ser subestimada” porque é um compromisso entre os casais, mas também entre a tradição, que tem passado de geração em geração.

Questionado sobre o investimento municipal, o presidente da EGEAC adiantou que, “no cômputo geral, ultrapassa os 2 milhões de euros“, dos quais 1,1 milhões são para as 22 coletividades participantes nas Marchas Populares, e realçou a importância dos patrocinadores, que asseguram “80% em termos de financiamento“.

No caso dos Casamentos de Santo António, a iniciativa é suportada essencialmente através de patrocínios, desde os vestidos e fatos dos noivos à lua de mel, sendo que o destino “ainda é segredo” porque está ainda a ser trabalhado com os parceiros da EGEAC, indicou Pedro Moreira, reforçando que as Festas de Lisboa são “um bom exemplo” da relação entre o setor público e o setor privado, no sentido de “tornar mais grandioso” a realização de um evento.

Relativamente aos noivos da edição deste ano, o presidente da EGEAC referiu que a candidatura de casais internacionais “mostra exatamente a multiculturalidade da própria cidade“, onde há evolução, mas também o preservar da tradição.

OC/MP