Carnaval de Ovar – Continua a ser “A Vitamina da Alegria”

Não se conhece o início das tradições Carnavalescas em Ovar. Os periódicos vareiros referem-se ao Carnaval de Ovar em 1887, designadamente “O Ovarense”, que entre outros refere “Tem decahido muito a animação d’este bello tempo dedicado aos divertimentos populares. De anno para anno se nota uma diferença considerável; esta diferença, porém, é geral”.

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Em 1888, o mesmo periódico referia que:

Nunca o vimos tão sensaborão, o Carnaval em Ovar: nem mascaras, nem espírito, nem pós, nem gargalhadas. Depois que o Aralla [Arala Chaves, presidente da Câmara Municipal] se encurralou lá para o Mato-Grosso, é o que se vê: o entrudo está morto; não vale um servidor…

Dantes sim: de instante rodopiava uma dança, armava-se um entremez, fazia-se o testamento do gallo, saia de cada janella um frigidíssimo e ás vezes mal cheiroso jacto d’agua duvidosa esguichado por uma d’essas boas e antigas seringas, que armazenavam uma meia canada d’agua à vontade, sibiliava-nos pelos ouvidos uma laranja vigorosamente arremessada as raparigas lá para o Lamarão e outras. – ”Jornal “O Ovarense”, 19 de fevereiro de 1888

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A grande novidade na primeira década do século XX dá-se com a chegada do carnaval ao teatro, tendo-se registado tal pela primeira vez em 1904. Nessa ocasião, representou-se e festejou-se com serpentinas e confetti, tanto em palco como na plateia. A Partir de 1929, o Carnaval renasce das cinzas. Nos anos 30, o Carnaval de Ovar deixou as ruas e transferiu-se para os salões, tendo sido uma década de expansão para os Bailes de Carnaval de Ovar, que atraíram gentes de vários concelhos da região. Celebrado de forma organizada desde 1952, O Carnaval de Ovar é uma das principais atividades culturais organizadas na Região de Aveiro e um dos maiores eventos deste género em Portugal, com uma afluência anual habitual de milhares de visitantes. Ao contrário daquilo que é habitual nos carnavais de outras cidades, em que são convidadas personalidades famosas para apadrinhar o evento, o “Rei” e “Rainha” do Carnaval de Ovar são sempre cidadãos comuns do município. Estes são habitualmente escolhidos como forma de homenagem pelo seu envolvimento e contributo à comunidade e ao Carnaval de Ovar.

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Organizado sob a forma de três Corsos Carnavalescos (compostos por mais de 2 mil figurantes) e vários eventos culturais, ao longo de várias semanas, este evento tem a particularidade de ser integralmente constituído por voluntários do município, organizados em escolas de samba, grupos carnavalescos e grupos de passerelle, que competem por uma classificação final, referente aos três desfiles. Esta competição atinge, por vezes, níveis de rivalidade quase ao nível clubístico (à semelhança do que sucede com o futebol) e as festividades encerram tradicionalmente na terça-feira à noite, com a divulgação dos vencedores em cada categoria.

Em 2025, os vencedores do Carnaval de Ovar foram a Charanguinha (Escola de Samba), os Pinguins (Grupo Carnavalesco) e as Barulhentas (Grupo de Passerelle).

A II Guerra Mundial dificultou a folia dos vareiros. Ainda assim, em 1941, o jornal O Povo de Ovar relata que:

Este ano passou quási que desapercebida a época carnavalesca na nossa vila.”

Os efeitos do temporal, a quadra invernosa que se seguiu e ainda as determinações superiores proibindo os folguedos carnavalescos, mataram os adeptos e os simpatizantes do deus Momo.

“Nos salões das conhecidas colectividades vareiras, onde se realizaram bailes de carnaval, brincou-se, jogou-se e dançou-se até ao alvorecer do dia seguinte” – Jornal “O Povo de Ovar”, 27 de fevereiro de 1941

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O apelidado Carnaval Sujo da década de 1950. Em 1952, procedeu-se à institucionalização e exploração do Carnaval como cartaz turístico. Assim, a 24 de fevereiro de 1952, realizou-se o primeiro cortejo de domingo gordo, partindo do Largo de S. Miguel (partiria sempre deste local, até 1963), organizado e concebido pelo arquiteto Aníbal Emanuel da Costa Rebelo, do Porto, José Alves Torres Pereira, da Póvoa do Varzim e José Maria Fernandes da Graça, de Ovar.

O êxito do Carnaval organizado repete-se e logo na sua quarta edição, em 1954, ele é convidado a deslocar-se, na Terça-feira, ao Porto, onde participa no Corso dos Fenianos.

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Foi assim lançada, em termos nacionais, a “grande festa vareira” também apelidada de Vitamina da Alegria. Em 1961, pela primeira vez na sua história, a Rainha do Carnaval foi uma mulher, isto é, substituiu-se o uso de o Rei casar com uma Rainha-Homem.

De sublinhar que a escolha do Rei e da Rainha do Carnaval de Ovar representa até hoje uma homenagem a cidadãos do concelho que se destacaram pelo seu envolvimento e contributo à comunidade e ao Carnaval.

A década de 80, marcou o aparecimento do samba e do Cortejo Infantil no Carnaval Vareiro Em 1990, o grupo “Vampiros” apresenta a criação de uma magnífica locomotiva, em tamanho real, totalmente feita em espuma, que teve um relevante impacto ao nível da qualidade do trabalho dos Grupos.

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Para uma melhor avaliação, em , 1992 dividem-se os grupos em duas categorias: Passerelle e Carnavalescos. Em 1998, dando resposta a questões legais que se levantavam na hora da atribuição, por parte da Câmara Municipal de Ovar, da verba necessária à organização da Festa à então chamada, Comissão de Carnaval, é criada a Fundação do Carnaval de Ovar que integrou, desde 2007, na sua administração, representantes nomeados pela Câmara Municipal e também pelos Grupos de Carnaval.

Ao longo de quase 14 anos de existência, o grande projeto da Fundação do Carnaval de Ovar foi a Aldeia do Carnaval, inaugurada a 14 de setembro de 2013. A construção deste equipamento surgiu da necessidade de criar um espaço que pudesse albergar os locais de trabalho dos vinte Grupos de Carnaval e quatro Escolas de Samba, dadas as dificuldades, resultantes do crescimento da cidade, em mantê-las no tecido urbano. Concentrou-se assim, num único espaço, atividades relacionadas com a preparação do Carnaval, que envolvem design, quer de vestuário, quer de elementos alegóricos, o desenvolvimento de estruturas mecânicas de apoio ao desfile, a experimentação de novas tecnologias, a música, a dança, o teatro de rua.

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As 24 Associações Culturais de Ovar que participam neste Carnaval, organizam-se da seguinte forma:

Escolas de Samba Charanguinha Costa de Prata Juventude Vareira Kan-Kans

Grupos Carnavalescos

Carrucas

Catitas

Condores

Garimpeiros Hippies

Marados

Marroquinos

Não Precisa

Pierrots

Pindéricus

Pinguins

Vampiros

Xaxas

Zuzucas

Grupos de Passerelle

Bailarinos de Válega

Barulhentas

Joanas do Arco da Velha

Levados do Diabo

Melindrosas

Palhacinhas