Cada conto foi uma maré diferente

Ao longo deste verão, na rubrica Magazine “Contos breves à beira-mar”, escrevi alguns contos que nos remeteram à serenidade das tardes quentes, às noites sob o luar, ao murmúrio das ondas; ao enlace dos corpos, frente a pores do sol incandescentes e promessas de amanheceres.
Às amizades e reencontros, à vida.
Em cada um evoquei nostalgia, memórias e sensações.
Cada conto foi uma maré diferente. Entre o sal das ondas e o calor da lembrança, ergue-se a última história.
A ressonância das tardes à beira-mar
Foi naquele areal que, em tempos, tudo parecia eterno. As gargalhadas das crianças ecoavam entre as gaivotas, misturando-se com o pregão distante do vendedor de iguarias sazonais. Ali, cada tarde tinha o seu ritual: o calor da areia a colar-se à pele, o cheiro a maresia, o brilho dos cabelos molhados ao fim de mais um mergulho.
O tempo parecia suspender-se a cada momento. Sentados na toalha, frente a um mar sereno, trocavam segredos. Tudo se tornava memória no exato momento em que acontecia. O verão tinha esse encanto – ensinar que a felicidade se vive no instante, e que a sua lembrança é o presente que se protege.
Que felicidade, anos depois, regressar à nossa praia e reacender memórias!
Cada cheiro, cada som, cada raio de sol trazia de volta rostos, vozes e gestos guardados. O riso das tardes, ainda parecia ecoar ao entardecer.
O mar, naquela tarde, encerrava todos os segredos das estações passadas. As ondas vinham lentas, acariciando a areia como se tivessem medo de apagar as marcas de passos que ainda resistiam.
Quando o sol se esconde no horizonte, permanecemos sentados, a ouvir o murmúrio das ondas. Sorrimos com a certeza de que o verão, embora passageiro, nunca parte por completo: fica oculto nas tardes de sol que o mar devolve sempre que alguém se senta a recordá-lo à beira-mar.
Voltaremos sempre às tardes infindas de verão.
Em breve, outros contos sob o olhar sereno do vento que passa…