Bolso apertado como resistir?

Face ao ambiente económico mais exigente, que atualmente vivemos em Portugal, resolvi fazer uma interrupção nos temas subjacentes às minhas últimas crónicas, orientadas para as diversas alternativas existentes nos investimentos das nossas poupanças.

Para as famílias portuguesas, o momento atual, corresponde a mais um novo período desafiante, que exige adaptação, mais disciplina, mais informação e o incremento de novas ou das velhas estratégias, que ajudam a manter a estabilidade financeira.

Não conseguimos controlar individualmente a inflação mais elevada e a subida das taxas de juro, mas podemos e devemos ajustar comportamentos e tomar decisões informadas.

Em abril, a taxa de inflação, em Portugal, foi já de 3,4 %, muito acima da generalidade dos aumentos de salários e pensões em 2026. Apesar de ainda não terem subido as taxas de juro do Banco Central Europeu, os Bancos já estão a incorporar esta expectativa, com as consequentes subidas da Euribor, o que está e irá provocar subidas nas prestações dos empréstimos.

O que fazer, para mitigar estes impactos?

É altura de voltar ou reforçar os comportamentos, relacionados com os princípios mais básicos, da educação financeira.

Em primeiro lugar, reavaliar o orçamento mensal. Ter uma visão clara das finanças pessoais. Adaptar o estilo de vida à nova conjuntura, ajustando hábitos de consumo. Mapear despesas, comparar preços antes de comprar, cortar o supérfluo e evitar compras impulsivas, acabar com as despesas que passam despercebidas e que todos assumimos, como alguns pequenos gastos diários ou subscrição de serviços pouco ou nada utilizados, por exemplo.

Se possível, esta é uma altura em que se deve reduzir o endividamento, eventualmente com amortizações extraordinárias, sobretudo nos empréstimos com taxas de juro mais elevadas. Faz também sentido ponderar a renegociação de condições de crédito, nomeadamente do Crédito à Habitação. Ter as prestações ajustadas à capacidade de endividamento, é um princípio fundamental, sempre e sobretudo nestes momentos! Já agora, se a opção for fixar a taxa de juro, por razões óbvias, deve evitar-se fazer a negociação, quando as taxas de juro já estão em patamares elevados…

Poupar e investir com inteligência e conhecimento é sempre um princípio fundamental, mas num contexto de inflação, mais relevante se torna. É essencial que a poupança possa render mais do que aquilo que a inflação corrói. Provavelmente reconheceremos, ainda mais, a importância de ter o nosso fundo de emergência. Se necessário, porque ainda não está a um nível ao que estimamos ser o equivalente a 6 meses de despesas obrigatórias, devemos tentar reforçar. Para além deste fundo e de acordo com o perfil de risco de cada um, apesar da incerteza e para que a inflação não destrua todo e eventualmente mais do que o retorno obtido, procurar, de forma informada, os melhores investimentos.

Para estes momentos que se podem agravar, não existem soluções únicas. Não tomando decisões precipitadas, é fundamental que se adotem um conjunto de medidas e ajustamentos de comportamentos de forma consistente e devidamente planeada, sempre suportados em decisões bem informadas.

OC/JR