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Segunda-feira, Maio 27, 2024

Bola cá e bola lá – Por Alberto Jorge Santos

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Aprendi, menino e moço, que o futebol é uma realidade à parte de todas as outras.  Alguém o disse quando entrei, pela primeira vez, numa Redação de um matutino, não como colaborador, mas já profissional. Lamento não conseguir lembra-me de quem fez a afirmação. E foi mais ou menos assim – a propósito de dum texto sobre discrepâncias salariais entre jogadores de clubes ditos grandes e dos outros – não te preocupes com isso, os dinheiros do futebol hão de ser sempre estranhos, mas não fazem parte das nossas preocupações, porque o futebol é uma “nação” dentro de outra nação. Sábia ideia.

E com o andar dos tempos, já lá vão perto de 40 anos, essa frase nunca mais esqueci. Porque o futebol não deixou. Se, nessa altura, era complexa a relação entre dinheiros, árbitros e dirigentes, hoje é muito pior. Sim, disse pior.

Tornou-se um circo, a partir do momento em que alguém necessitou de fazer dele uma indústria multimilionária. Montam a tenda aqui e ali e já está. Nómadas milionários. Estádios parecidos, discursos dos animadores quase igual – gritam o golo da mesmo forma -, música ambiente semelhante, equipamentos com cores muito diferentes das tradicionais e feitas para vender, adeptos colocados em jaulas, lá em cima, num local da bancada para não verem ou serem vistos. Até a constituição da equipa adversária é dita de uma forma tão incompreensível, fazendo lembrar as informações dos comandantes dos aviões quando falam para os passageiros. A rivalidade deu lugar ao ódio. Com toda a honestidade, digo-vos que preferia pisar a lama, apanhar algumas chuvadas, do que ver, sentados nas bancadas ou a comer e a beber, ao intervalo, figurões e figuronas que só dão à costa quando lhes oferecem bilhetes e convites. Essa parasitagem, há quarenta anos, jamais iria ao futebol, era demasiado inconfortável para os seus cascos moles e delicados.

E as regras? – são eles, os clubes, desculpem a imprecisão, as SAD´s (do pior que apareceu no desporto!) que as fazem. E depois, contestam-nas. Absurdo! Um jogador que ganha milhões (desses que ganham assim), quando é multado, paga tostões. Uma brincadeira!

E nas arbitragens? Degradante. Por cá, não há jornada em que os árbitros sejam cilindrados por críticas. Não há semana em que os “experts” da bola, nas televisões, gastem toda a saliva a falar disso. E os comunicados dos clubes? Sempre em movimento. A assessorar o ódio vendido a peso de ouro nas televisões.

Chegamos às competições europeias. Alto e para o baile! Acabou a discussão, finaliza a contestação. “Comem e calam”. Os árbitros e VAR´s cometem erros exatamente iguais aos dos portugueses, mas nem uma crítica. Porque a senhora virtuosa, a tão séria e ética UEFA não permite. Pune E multa a bom multar. E a liberdade de expressão é um mito! Outra nação independente!

FC Porto, Benfica e Sporting, nos seus últimos jogos europeus foram, miseravelmente, vítimas de arbitragens sobranceiras e incompetentes. Não quero com isto dizer que fossem ganhar os seus jogos, caso os árbitros tomassem as decisões certas. Mas ficariam, muito mais perto de o conseguir.

E o alvoroço que costumam fazer por cá? Ficou no esquecimento. O único que se atreveu a observar, foi Sérgio Conceição quando, na “flash interview” ouviu duas enormes gargalhadas vindas do balneário dos “juízes do jogo” e afirmou em direto: “devem estar felizes e a comemorar a excelente exibição que fizeram!”
De resto, nem um “ai”.

O futebol cria as próprias leis, esquecendo-se que vive num Estado de Direito e em democracia. Aqueles burocratas que desenham as SAD´s, adoram fintar os regulamentos, dividir a coisa entre ricos e pobres. Tolerar tudo a uns e nada a outros. Mas quando são jogos da UEFA, parecem cordeirinhos amestrados.

Como eu gostava de ver essa “coragem” a afrontar UEFA e FIFA! Mas devem estar todos tão confortáveis, com salários que nem vale a pena citar – afinal, como dizia o meu velho camarada, os dinheiros do futebol são de um mundo à parte.

São-no, realmente. Mas não deviam ser!

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