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Domingo, Maio 19, 2024

Boavista Futebol Clube e as suas joias…

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Amaro F Correia
Amaro F Correia
Docente na Atlântico Business School/Doutorado em Ciências da Informação/ Autor do livro " Governação e Smart Cities"

O meu clube é o Futebol Clube do Porto. Sempre. Mas ao trazer este assunto aqui, serve como reflexão punitiva para quem está a dar cabo do futebol no nosso país e na Europa. A morte anunciada de um Clube de Futebol, neste caso, o Boavista Futebol Clube (BFC), do Porto, começa na forma exata e emocional, para os seus adeptos, quando os seus Trofeus emblemáticos, estão venda na internet, por valores nunca imagináveis. Este trofeu não tem valor comercial. Ouvi, há dias, que agora, até os campos de treino, estão a ser vendidos/leiloados.

A forma identitária de um clube centenário, do Porto, está a fechar portas, por falta de liquidez? Espero que não. O Salgueiros foi por um caminho parecido, que quase o fez desaparecer. O que me leva a questionar a sobrevivência dos clubes de futebol (sociedades desportivas) no futuro. Será que o modelo de gestão é o melhor? Será que quem criou a ilusão de que tudo poderia funcionar como empresas desportivas, acautelou o futuro do futebol como produto? Um destes dias, um amigo de sempre, comentador e jornalista, apaixonado pelo jogo, interpelou-me a propósito de uma entrevista que dei, mal interpretada, sobre claques e a sua existência e falei-lhe disto mesmo…Fico grato ao mundo jornalístico de verdade, que aborde temas importantes para proteger os clubes destes disparates.

É importante todos, mas todos, falarem sobre o tema, já que a “cascata” pode desmoronar a qualquer altura e será demasiado tarde.

Não sou estudioso do fenómeno, nem quero interferir mais do que um simples comentário, mas vejo com muita preocupação a má gestão dos clubes profissionais e a sua sustentabilidade num futuro próximo. Não quero que aconteça isto ao meu clube e acima de tudo, gostaria que a marca Porto englobasse os interesses do Porto e da sua região.

Deixo aqui, para memória futura que o Boavista, clube desportivo sediado no Porto, fundado a 1 de Agosto de 1903, de seu nome Boavista Footballers – criado por grupo de portugueses/ingleses empregados da fábrica William Graham. O objetivo seria competir com o clube britânico Oporto Cricket. Os ingleses em 1909 afastaram-se do clube devido a diferendos sobre o dia da semana em que os desafios deveriam ser disputados. Vejam só a importância! Os britânicos gostavam do sábado, mas os portugueses optavam pelo domingo. A votação foi ganha pelos empregados portugueses o que levou à saída de muitos ingleses e ao fim dos subsídios da William Graham. “O nome do clube alterou-se e passou para a designação atual, Boavista Futebol Clube, o que originou a transferência do campo (Rua dos Vanzeleres) para uma bouça alugada, no local onde está instalado o Estádio do Bessa.

Mas só em 1933 é que o Boavista FC resolveu transformar-se no primeiro clube português profissional. Nos anos 40 o clube enfrentou uma grave crise, descendo às competições regionais. Só nos anos 70 é que começou a criar bases para o seu crescimento. Em1972 inaugurou o Estádio do Bessa e, em 1975, o Boavista venceu a 1ª Taça de Portugal o que viria a repetir no ano seguinte. 1976, ano em que alcançou o 2º lugar no Campeonato Nacional da I Divisão, a melhor classificação de sempre do clube até então, com José Maria Pedroto como treinador. Os anos 80 foram marcados pela gestão do major Valentim Loureiro, o presidente que lançou o Boavista como um dos mais importantes clubes nacionais. O Boavista Futebol Clube conquistou por mais três vezes a Taça de Portugal, em 1979, 1992 e 1997, arrecadando também, nesses mesmos anos, a Supertaça Cândido de Oliveira.”

Valentim Loureiro abandonou a presidência do clube em 1996, passando o cargo ao filho, João Loureiro. Na época de 1998/99, o Boavista conseguiu o 2.º lugar no Campeonato Nacional. Em 2001, o clube obteve a sua melhor classificação no campeonato ao conquistar pela primeira vez o título. No dia 30 de dezembro de 2003, o Boavista inaugurou o remodelado Estádio do Bessa, um dos escolhidos para o Euro 2004.

Fica o registo da grande história do Boavista no nosso país. Espero que todas estas notícias não passem de “fakes” e que os seus associados se entendam para preservar o clube. A cidade do Porto precisa.

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