Barcelos | Batalha das Flores mobiliza milhares de pessoas e confirma força da Festa das Cruzes

A Festa das Cruzes arrancou hoje, sexta-feira, e prolonga-se até 3 de maio, conjugando dimensão religiosa e programação festiva. O desfile da Batalha das Flores voltou a transformar as principais ruas da cidade num cenário de cor e perfume.
Centenas de cestos com flores naturais colhidas em vários pontos do concelho deram forma a uma “batalha” simbólica entre participantes, que lançaram pétalas a partir de carros alegóricos ao longo das principais artérias. O ambiente reuniu milhares de visitantes, incluindo muitos oriundos da Galiza, num dia conhecido localmente como “Dia do Espanhol”.
O ponto de maior intensidade registou-se na Avenida da Liberdade, onde o cortejo se cruzou e a troca de pétalas ganhou maior expressão. O entrecruzar de flores de diferentes cores cobriu o céu e compôs uma das imagens mais reconhecidas da romaria.

Nesta edição das festas participaram várias associações locais, reforçando o carácter coletivo de uma iniciativa descrita como uma disputa “sem dor” e “saudável”. A vertente festiva articula-se com a componente religiosa, centrada no culto ao Senhor Bom Jesus da Cruz, incluindo ainda o desfile etnográfico dos grupos folclóricos do concelho.
O ponto alto do programa está marcado para domingo, feriado municipal, com a Procissão da Invenção da Santa Cruz, que reúne as 89 cruzes das paróquias do concelho.
A programação inclui também concertos e animação. Matias Damásio atua a 2 de maio e, no encerramento, sobem ao palco os Quinta do Bill com a Banda Musical de Oliveira. O cartaz integra ainda fogo de artifício diário, o arraial “Bamos às Cruzes”, no Jardim das Barrocas, e a iniciativa “Mini Cruzes”, dirigida ao público mais jovem.

Para responder à elevada afluência, o município disponibiliza parques de estacionamento periféricos, com ligação ao centro através de autocarros TUBA, com frequência de 15 minutos.
Com mais de cinco séculos de história, a Festa das Cruzes remonta, segundo a tradição, a 20 de dezembro de 1504, quando João Pires, sapateiro da então vila, terá observado uma cruz desenhada na terra do Campo do Salvador, atual Campo da República. Classificadas como festas concelhias, as festividades integram, desde 2025, o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
As origens da Festa das Cruzes
A Festa das Cruzes é considerada a primeira grande Romaria do Minho, num misto de cor, tradição e animação popular, este é um dos mais importantes acontecimentos barcelenses. A sua origem remonta ao século XVI e está associada a uma lenda (link), quando, a 20 de dezembro do ano de 1504, o sapateiro João Pires regressado da missa observou desenhado na terra, em pleno Campo da Feira, uma cruz de cor preta. O que considerou ser «um sinal sagrado» depressa se transformou num acontecimento popular, que fez nascer a devoção ao “Senhor da Cruz”, materializada na construção do Templo do Bom Jesus da Cruz hoje epicentro da Festa das Cruzes.

No século XIX, as festas tinham um cariz vincadamente religioso. Centenas de romeiros das freguesias rurais de Barcelos, de todo o país e da vizinha Galiza, cantavam e dançavam, alguns descalços com a “condessa” à cabeça, onde transportavam o farnel.
No século XX, a componente religiosa mesclou-se com elementos remanescentes de cariz profano visíveis nos carrosséis, barraquinhas de comes e bebes, nas corridas de cavalos, nos cortejos etnográficos, no fogo de artifício no rio Cávado, nos cantares ao desafio nas ruas da cidade.
Hoje em dia, a Festa das Cruzes é um ponto de romagem de visitantes nacionais e internacionais. Barcelos ganha ainda mais vida com a romaria e os seus arcos, a feira, o artesanato, a procissão, os tapetes de pétalas de flores naturais, as atuações de folclore. A tradicional batalha das flores, as bandas de música e os zés pereiras refletem o pulsar da cultura e das tradições barcelenses. A Batalha das Flores, os Arcos de Romaria, os Tapetes de Pétalas Naturais e a Procissão da Invenção da Santa Cruz são os pontos altos da Festa das Cruzes. Barcelos fica em festa, dia e noite, durante uma semana!
Classificadas como festas concelhias, as festividades integram, desde 2025, o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
OC/MP/CM Barcelos/O Minho/Agência Informação Norte