Arrepiem caminho. Tantos diplomatas. Tenham vergonha – Por Victor Carvalho

Tenho refletido sobre as Democracias no mundo, o estado em que se encontram e, sobretudo, as causas que levam ao seu enfraquecimento…
Muitas são as variáveis possíveis de análise, que não cabem aqui, em detalhe, num artigo de jornal.
S. Tomé e Príncipe é um pequeno país de África.
Sabia que existe aí um viveiro de Diplomatas?
Nas próximas negociações de paz, e/ou humanitárias, sejam em África ou em qualquer outro canto do mundo, podemos ter Diplomatas São-Tomenses num grande frenesim diplomático… Bem gostaria de desenvolver esta linha de raciocínio sarcástico.
Vamos ao que interessa.
A Assembleia Nacional (Parlamento), de S. Tomé e Príncipe aprovou, recentemente, uma lei que outorga “direitos excecionais” aos deputados, após cumprirem dois mandatos.
· Direito à titularidade de Passaporte Diplomático para o ex-deputado e respetivo cônjuge.
· Direito à importação de viatura para uso pessoal com isenção de taxas aduaneiras e alfandegárias.
Ao que consta, há 5 anos, havia em S. Tomé e Príncipe, mais de duas centenas de passaportes Diplomáticos de deputados e seus familiares.
Justificam as regalias por terem cumprido “com enorme sacrifício o espinhoso mandato de deputado, pondo em risco a própria vida”.
Ter Passaporte Diplomático é ter regalias, benesses, é uma porta aberta de entrada privilegiada, dispensa de vistos, facilidades nas fronteiras e seus controlos, tratamento VIP, mordomias dependendo, em maior ou menor grau, da legislação do respetivo país, mas é sempre uma entrada especial.
O princípio do Passaporte Diplomático é ser usado em serviço e não em turismo. Por este andar, vamos ter muitos “Diplomatas”, em viagem, acompanhados ou não de familiares.
Em S. Tomé e Príncipe os deputados e membros da família têm direito a passaporte Diplomático e querem continuar a ter, tão ilustre documento, vitaliciamente.
É de bradar aos céus. Os políticos perderam a vergonha, se é que alguma vez a tiveram.
Compete aos São-Tomenses agir a bem da sua Democracia.
Provavelmente, haverá mais países em África com situação similar.
Espero que a lei que aprovaram, fizeram o fato à medida, não venha a ser promulgada.
Por estas e por outras “razões”, é que as Democracias estão assim.
Se conhecer, noutro qualquer país, desta aldeia global, alguma situação escandalosa, que atente contra o respetivo povo, não terei o menor pejo em pronunciar-me em praça pública.
É um dever de cidadania, não é preciso ser natural ou residente neste ou naquele país, para escrever e dizer de minha/sua justiça.