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Quinta-feira, Maio 23, 2024

António Oliveira Salazar foi um “menino do coro” ao pé de Francisco Franco

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Pedro Nogueira Simões
Pedro Nogueira Simões
Advogado, Psicólogo e Investigador Universitário

Francisco Franco, o ditador espanhol, foi um aluno básico na escola. António Oliveira Salazar fez um doutoramento com 19 valores.

Os dois ditadores e assassinos tiveram estratégia disparas. Nunca morreram de amores um pelo outro, aliás são raras as fotos em que aparecem juntos.

O que os unia era o facto de terem os mesmos inimigos: os homossexuais, os pensadores livres, os comunistas e todos aqueles que divergiam das suas opiniões e doutrinas.

Foi Salazar, como recordou o Jornal Expresso há uns anos, que ajudou Francisco Franco a chegar ao poder. António Oliveira Salazar foi ditador mais cedo. Sete anos antes do seu vizinho espanhol.

António Oliveira Salazar era mais velho do que Francisco Franco e aposentou-se em 1936. Nessa altura, Franco tinha 44 anos e foi para as Canárias como comandante. Esteve lá quase meio ano até que assumiu a liderança da insurreição nacionalista.

Os dois ditadores tinham semelhança e diferenças. Ambos eram católicos, mas Salazar era republicano e Franco monárquico.
Fisicamente, Francisco Franco tinha uma compleição farta.  Salazar era muito mais elegante.

O ditador português nunca quis ser Presidente da República. Franco quis.

Franco foi sepultado na Basílica do Valle de Los Caídos, que construiu graças ao esforço e à exploração de presos. Um monumento impressionante a norte de Madrid. Salazar foi enterrado numa capa rasa no lugar onde nasceu.

Francisco Franco teve uma vida de luxo, rodeado do melhor que a Espanha tinha. Salazar viveu uma vida simples e normal, como qualquer outro cidadão português.

Salazar ao perceber das démarches do vizinho, convidou o pai do escritor Luís de Sttau Monteiro para ministro dos Negócios Estrangeiros, Armindo Monteiro, mas o mandato só durou um ano e foi Salazar que passou a mandar nessa pasta durante cerca de 11anos.

salfranco
Direitos Reservados

O Jornal Diário de Lisboa, na sua edição de 20 de julho de 1926, fala em meio milhão de mortos.

Gente carbonizada, chacinada, fuzilada e uma misteriosa queda de um avião com os opositores do fascismo no seu interior.

Francisco Franco usou aviões de guerra para bombardearam inocentes, desprotegidos, mulheres e crianças…

A Fundação Mário Soares recorda que Francisco Franco, depois do massacre, foi eleito Presidente do Governo e passa a controlar todo o exército.

O CAMPO DE MORTE DE SALAZAR

Campo de concentração do Tarrafal ficava situado a norte da ilha caboverdiana de Santiago, perto da cidade da Praia.

É uma paisagem imponente que de certa forma ainda acentua mais a sensação de dor, tristeza, desolamento e de solidão.

Foi no ano de 1936. Portugal estava a viver o regime ditatorial do Estado Novo e Cabo Verde era uma colónia portuguesa.

António Oliveira Salazar pretendia estabilidade política e por isso criou vários regras e repressão.

Então, o Tarrafal parecia ótimo como local para enviar os presos políticos e sociais de Portugal. Era como se fosse uma prisão dentro de outra.

Um massacre, aquele lugar. Na altura, não existiam vias de comunicação, havia falta água, energia elétrica, havia fome… O objetivo, além da prisão, era provocar dor psicológica, dor física e desânimo.

Salazar inspirou-se no nazismo de Hitler e nos seus campos de concentração para criar este campo penal.

Foi o ideal para o ditador português porque o Tarrafal era isolado do mundo, longe dos holofotes da comunicação social internacional.

No início, os prisioneiros políticos foram alojados em tendas de lona. Apenas a cozinha era em tijolo.

Depois, mandou construir um edifício chamado “A Frigideira”. Tratava-se de uma pequena construção, completamente fechada, com teto e chão de cimento e um pesado portão de ferro.

Todos aqueles que eram castigados eram enviados para o Tarrafal. Estavam completamente expostos ao sol, pelo que no seu interior a temperatura era muito elevada… 50 graus centígrados.

Neste campo penal que cheirava a morte existia um médico que chegou a admitir “não estou aqui para curar, mas para passar certidões de óbito”.

O Tarrafal ficou conhecido por Campo de Morte Lenta. Os pobres portugueses eram privados de medicamentos e de água potável, comiam carne podre, eram agredidos e picados pelos mosquitos da malária.

Morreram no Tarrafal 34 inocentes de um total de 340 presos. Muitos vieram a morrer depois, tal foi o massacre.

A pressão internacional obrigou António Oliveira Salazar a encerrar o Tarrafal, em 1954.

FRANCO MATOU GARCÍA LORCA

O ditador Francisco Franco mandou matar o Federico García Lorca, poeta e dramaturgo espanhol. Foi fuzilado, em 1936, em Granada, Espanha. Tinha 38 anos.

Foi assassinado quando estava no topo da carreira com outros três amigos e companheiros de luta que não apoiavam o golpe militar do general Francisco Franco contra o governo democraticamente eleito.

A informação está confirmada e documentada…

García Lorca nasceu no dia 5 de junho de 1898, em Fuente Vaqueros, Granada, onde passou seus primeiros anos de vida.

Lorca estudou direito e piano. Foi um modernista e um dos poetas mais traduzidos até hoje.

Escreveu “Bodas de sangue”, “Yerma” e “A casa de Bernarda Alba”, encenadas com sucesso, e poemas como “Romanceiro gitano” e “Um poeta em Nova York”. Sempre despertaram entusiasmo em leitores dentro e fora da Espanha.

Estudou na Universidade de Columbia, durante um ano, entre 1929 e 1930.

García Lorca era amigo de Pablo Neruda e dos pintores Salvador Dalí e Joan Miró, além de Buñuel, que o admiravam.

GUERRA CIVIL ESPANHOLA

É então que a Legião Portuguesa vai ajudar os nacionalistas espanhóis com voluntários portugueses para todo o tipo de trabalhos. O meu avô (Mário Gonçalves), Francisco Gonçalves Calado, foi colocado numa mina de carvão e saiu de lá quase morto.

MAIS UM DITADOR QUE TRAMOU ESPANHA E PORTUGAL

Chama-se Napoleão Bonaparte. Em 1806, tentou destruir a Inglaterra. Isolou o país com um bloqueio da velha Europa. Proibiu o comércio com a Inglaterra e de navios ingleses atracarem em qualquer porto da Europa.

Portugal, por ser um país economicamente dependente da Inglaterra, não aderiu ao bloqueio.

E então?

O príncipe  português, coroado uns tempos depois como D. João VI, assinou com a Inglaterra um acordo e referiu que não iria concordar com o Imperador e, por isso, não iria aderir ao bloqueio. Em troca, pediu proteção inglesa.

A Inglaterra assinou este acordo com Portugal e a ameaça de invasão de Portugal pela França e Espanha, completamente coligadas, obrigou a família real portuguesa a fugir para o Brasil, em 1806, mas foi protegida pela marinha inglesa.

Em 1808, Napoleão Bonaparte tramou a Espanha. Usurpou o trono espanhol e nomeou seu irmão José Bonaparte como rei da Espanha, com grande reação da população madrilena.

Juntou-se a fome com a vontade de comer!

Texto de Mário Gonçalves e Pedro Nogueira Simões
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