António José Seguro no Clube dos Pensadores – “Eu olho para o meu país e não gosto do que vejo”

Na noite de 18 de setembro, o Clube dos Pensadores recebeu António José Seguro, candidato à Presidência da República, para uma sessão pública de debate e reflexão política. O evento, promovido por Joaquim Jorge, fundador do Clube, decorreu no Hotel Holiday Inn Porto-Gaia, em Vila Nova de Gaia, com entrada livre. Esta foi a 147.ª sessão da iniciativa, que ao longo dos anos tem reunido personalidades de diferentes quadrantes políticos e sociais.
Joaquim Jorge iniciou a sessão com palavras de agradecimento aos presentes e aos apoiantes que tornaram possível o encontro, destacando nomes como Valdemar Ferreira Ribeiro, empresário da Água Preciosa em Angola, e Mário Russo, que contribuíram a título individual. Referiu ainda a presença de Álvaro Beleza, médico e dirigente do PS, e de José Luís Peralta, médico pediatra e figura destacada do partido em Espinho.
Traçou uma breve biografia de António José Seguro, referindo que “tem 63 anos, é professor universitário, licenciado em Relações Internacionais, casado com Maria Margarida e pai de dois filhos”. Recordou o seu percurso político, que inclui cargos como deputado, secretário de Estado, ministro adjunto e secretário-geral do PS.
A motivação para avançar
Seguro iniciou a sua intervenção com uma declaração clara: “Eu olho para o meu país e não gosto do que vejo. Vejo um Estado a abrir fendas, uma sociedade deslaçada e uma democracia fragilizada.”
Justificou a sua candidatura como uma resposta cívica à necessidade de mudança e à vontade de contribuir para uma cultura de consenso. “Temos uma cultura de trincheira. Os partidos especializaram-se em dizer o que não estão de acordo, em vez de procurarem pontos comuns para resolver os problemas do país.”
Candidatura suprapartidária
Questionado sobre o apoio do PS, o candidato foi perentório, “Essa decisão é em outubro. Tenho que perguntar ao PS.”
Reforçou que a sua candidatura tem um carácter independente e suprapartidário, afirmando: “Nunca será uma candidatura partidária. O Presidente da República é uma expressão individual de uma vontade.”
Dirigiu-se a todos os portugueses, independentemente da filiação partidária, e sublinhou que o seu compromisso é com os valores democráticos e com a Constituição.

Os verdadeiros adversários
Sobre os adversários políticos, Seguro respondeu: “Os meus adversários são os problemas que os portugueses têm.”
Referiu dificuldades no acesso à saúde, à justiça e à habitação, sobretudo para a classe média. “O país tem tantas emergências que essas são as verdadeiras preocupações.”
A questão do Chega
Interpelado sobre a eventual candidatura de André Ventura, António José Seguro apelou à união dos democratas, humanistas e progressistas: “Contra os muros e a favor das pontes.”
Rejeitou a ideia de demonização partidária e defendeu que os partidos devem apresentar propostas e debater ideias. “O Presidente da República não é um ator partidário.”
Visão para o exercício presidencial
Seguro apresentou a sua visão para o cargo: “Serei um Presidente mais discreto. Usarei da palavra só no momento certo e nos locais certos.”
Defendeu uma magistratura de influência, com foco na prevenção e na promoção do diálogo entre os diversos atores políticos e sociais. “Prefiro agir preventivamente do que ter de reagir.”
O papel do Presidente na coesão territorial
Álvaro Beleza, um dos notáveis presentes, questionou Seguro sobre o interior do país. O candidato respondeu: “O interior é algo que me diz muito. Eu nasci no interior.”
Propôs incentivos para atrair população para essas regiões, através de melhores salários, serviços de saúde e educação. “Temos de criar condições para que as pessoas tenham uma vida melhor do que no litoral.”
Proximidade com os cidadãos
Seguro destacou a importância da proximidade com os portugueses. “Quero que me vejam como um de vós. Que circunstancialmente está, com a confiança dos portugueses, no mais alto cargo.”, afirmou.
Prometeu criar canais de comunicação entre os cidadãos e a Presidência, através da casa civil, com resposta garantida. “A política precisa de reconstruir a relação de confiança com os portugueses, mais pelos atos do que pelas palavras.”
A relação com os partidos
Durante o debate, um participante sugeriu que a ausência de outros candidatos socialistas indicaria apoio tácito do PS. “A minha candidatura nasceu mesmo de forma espontânea. Não foi combinada em nenhum gabinete em Lisboa, nenhum diretório partidário. A mim ninguém dá ordens.”, respondeu António José seguro com firmeza.
Reforçou que aceita apenas o interesse nacional como guia da sua candidatura. “Sou livre de interesses partidários, económicos ou de negócios.”
Presidência aberta ou discreta?
Questionado sobre a possibilidade de presidências abertas. “Ainda não pensei bem. Mas há uma coisa que quero ser: um presidente próximo.”, informou.
Admitiu que poderá visitar o país sem comunicação social, para ouvir diretamente os cidadãos. “Quero mesmo saber e aprender. Alimenta-me a proximidade com as pessoas.”
Compromisso com o Clube dos Pensadores
No encerramento, incentivado por um elemento da audiência, Joaquim Jorge lançou o desafio: “Caso o Senhor ganhe, compromete-se a voltar ao Clube dos Pensadores?”. António José Seguro respondeu afirmativamente, com a ressalva de que a presença de um Presidente da República exigiria condições diferentes: “É muito exigente para um Presidente fazer uma sessão dessas, porque já tem que dar respostas, não em função do que está a pensar fazer, mas do que está a fazer e do que fez.”

A sessão terminou com uma fotografia conjunta e o anúncio de futuros eventos, incluindo um debate sobre o Orçamento do Estado e a apresentação da segunda parte do livro de Joaquim Jorge, intitulado “Amizade”.
António José Seguro reafirmou a sua candidatura com firmeza, destacando valores como integridade, proximidade, escuta ativa e compromisso com a democracia. A sua presença no Clube dos Pensadores foi marcada por uma postura clara e pela defesa de uma política centrada nas pessoas e nos problemas reais do país.
OC/RPC