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Domingo, Maio 19, 2024

Antes sermos agentes culturais do que concorrentes – Por Alfredo Correia (ator/encenador)

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Alfredo Correia
Alfredo Correia
Actor/Encenador

Quando no Manifesto, digo:
« ...o Teatro de Amadores das Associações tem de facto um “papel principal” no desenvolvimento cultural dos locais e regiões onde está inserido…» e «…tal como no ensino básico, o Teatro Associativo é uma “escola” necessária no desenvolvimento social…» quero dizer que nos devemos orgulhar da Grande Região do Teatro, que é a dos Amadores das Associações, sobretudo, se atendermos à importância que o Movimento Associativo tem na sociedade, através das suas actividades.

Daí, que devemos, TODOS E CADA UM, com a dignidade que o Teatro nos merece, sermos em cada ensaio, em cada espectáculo, todos os dias… um artista, relançando o significado que tem o “nosso Teatro”.

E quando se falar na “reforma artística”, devemos antes, e por isso ser prioritário, saber o que significa, a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
A criatividade, o espírito de sacrifício, a solidariedade, quando aliados a uma saudável aprendizagem associativa, são verdadeiramente bases socioculturais importantes, que o Teatro coloca à disposição da sociedade, substituindo em grande medida o “papel principal” dos governantes.

Então, chegados a este conhecimento, sabemos, que com a nossa “mão de obra barata” colocamos à disposição da grande maioria da população, o nosso trabalho técnico/artístico, e que prestamos um serviço sociocultural à sociedade.

Companheiros, não é pelo facto de sermos compulsivamente apaixonados “AMANTES de Talma “ que a nossa paixão é CEGA.
Hoje, cada vez mais é necessário saber “suar a camisola” .

Todos sabemos o que temos feito, mas, o que muitos não sabem, é o significado da RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.

Sabemos que a tarefa não é fácil, pois infelizmente, ainda há muito boa gente, que julga que o Teatro, nas Associações, é uma actividade de recreio, ou de lazer, e pior, é quando pensam que pelo facto de ser AMADOR… é desculpa!

E mais, não se importam nada de ouvirem dizer “P’ra amadores não está mal” e até considerem um elogio.
É urgente dizer, a quem assim pensa, o que significa a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR… DE TEATRO , ou , de outra qualquer Actividade Artística Associativa

Companheiros
Não é minha intenção” meter o nariz no pó do palco dos outros”, mas é meu entendimento, o quanto é prioritário, alterar esta forma de estar e pensar, não só para com o Teatro, mas, com todas as Artes dos Palcos Associativos.

Todos nós já recebemos muitas manifestações de apreço de Organismos, de Instituições e Personalidades, que nos dizem, que estamos no caminho certo, e que o serviço que prestamos e colocamos à disposição da população, é uma Mais Valia Sociocultural, Associativa e Artística, mas, apesar de todos estes incentivos, temos que, (peça a peça), ano após ano, melhorar o nosso trabalho, para que não considerem os nosso pedidos de apoio, uma exigência fútil, mas sim, uma pretensão que nos assiste, quando queremos melhorar as condições do nosso trabalho, e servir com qualidade as populações.

Também sabemos, e temos disso consciência, que a pretensão que temos para com o “nosso Teatro”, só é possível com o apoio indispensável de parceiros interessados no crescer cultural da nossa terra.
E quando digo “crescer”, refiro-me particularmente ao crescimento cultural das crianças, dos jovens, e por que não, dos adultos.

E assim, será muito mais fácil, acreditar num futuro melhor.
Num futuro, onde haja mulheres e homens com motivação para investirem, não só no seu crescimento social, e na sua qualidade de vida cultural, mas também, contribuir para o desenvolvimento do local onde estão inseridos.

Mas para isso, não chegam só as boas vontades, o voluntariado, ou até, ter gente com mais ou menos capacidades técnicas e artísticas, pois sabemos, que cada vez mais, a tecnologia é indispensável nos meios de produção.

Hoje, mais do que nunca, a utilização de meios técnicos, faz parte da formação e do trabalho de cada um. Hoje, a qualidade de vida, tem que passar pela utilização das novas tecnologias.

Cabe, por isso, aos dirigentes artísticos e associativos, aos agentes culturais, aos patrocinadores, às Juntas de Freguesia, às Autarquias, (já que o Governo Central não aceite pedidos de apoios dos Amadores de Teatro) um maior esforço nos apoios, e na contribuição para o crescimento sociocultural das Artes dos Palcos Associativos.
Enquanto isso não for possível, com mais ou menos dificuldades, continuaremos, como até aqui, com as “portas abertas”, com a “ mão de obra barata ”, e a LEVAR O TEATRO À PORTA DOS FREGUESES.

Valha-nos a muita paixão que sentimos pelo Teatro, valha- nos a muita preseverança que temos em querer melhorar a vida cultural do País Que Somos, que aliadas a alguns apoios públicos, e à solidariedade de personalidades e organismos, que acreditam no trabalho dos Amadores de Teatro, que vai sendo possível, levar por diante esta maravilhosa tarefa artística e sociocultural  chamada TEATRO.
Valha-nos isso.
Mas, não nos devemos esquecer de quanto é importante saber o que é a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.

O Teatro Associativo, é de facto, e sem demagogias, uma Grande Escola de Humanização para a Vida Social, Cultural e Associativa.

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