Alfândega do Porto reune candidatos à presidência da Câmara Municipal

Coube, naturalmente, ao Presidente do Conselho de Administração da Alfândega, Mário Ferreira dar as boas vindas e apresentar o moderador do evento – o jornalista Júlio Magalhães.

Estiveram presentes António Araújo (Porto com Porto); Diana Ferreira (CDU); Filipe Araújo ( Fazer à Porto); Guilherme Jorge (Volt); Hélder Sousa ( Livre); Manuel Pizarro (PS); Nuno Cardoso (Porto Primeiro); Pedro Duarte (PSD/CDS/IL); Sérgio Aires (BE); Vitorino Silva (RIR) e Aníbal Pinto (Nova Direita).

Como é compreensível, devido ao número de candidatos e ao tempo disponível, as propostas saíram, apenas, pela rama. Em algumas situações, faltou aos candidatos a concretização das ideias, o que dificultou aos presentes a compreensão de algumas propostas mais complexas. Haverá, com certeza, outros forúns para um esclarecimento mais aprofundado e cabal.

Pela exiguidade do tempo, de modo a que todos tivessem a mesma oportunidade, abordaram-se os temas mais prementes e que preocupam os cidadãos – Habitação e Mobilidade; Segurança; Sustentabilidade e Limpeza;  Cultura , Educação e Inclusão.

Foi mais o que ficou por dizer do que o que foi dito, mas a iniciativa é de louvar pois permitiu um primeiro contacto entre candidatos e votantes. As ideias, apenas pela rama, até porque alguns partidos políticos e movimentos independentes não têm ainda o seu programa devidamente finalizado e fechado.

O encontro ( não foi um debate, não houve interrupções para contrapor ideias diferentes), permitiu  uma apresentação sumária por parte de cada concorrente.

Aníbal Pinto ( Nova Direita) aproveitou os primeiros minutos para falar de pobreza, má gestão e exigiu melhores governantes “Numa cidade de 200 mil habitantes em que 25% são pobres é preocupante e como portuense envergonha-me.Há mais de seiscentas pessoas sem abrigo e um aumento dos idosos, AS soluções têm sido parcas, tem havido mau aproveitamento do turismo e os governantes têm sido maus. Precisamos de melhores governantes.”

Por seu lado, António Araújo, independente do movimento” Porto Com Porto” referiu a necessidade de uma gestão sem amarras partidárias O Porto precisa de centrar-se nos cidadãos e não em lobistas ou políticas partidárias. Defendo uma maior intervenção das pessoas nas resoluções públicas.”

Para Diana Ferreira, da CDU, “é importante fazer 2 perguntas às pessoas – Que cidade temos? e que cidade queremos? Depois perceber que o turismos não está a ser bem gerido e promove uma especulação desenfreada.”

Filipe Araújo ( Fazer à Porto) pretende dar continuidade às políticas , “Dar continuidade ao trabalho de 12 anos, investir mais na segurança, nos transportes e os portuenses não querem voltar para trás. Precisamos de continuar com uma liderança livre de amarras partidárias.”

Quanto a Guilherme Jorge, do Volt, “Centramos o nosso programa nas pessoas. É esencial dar voz aos portuenses.”

Pelo Partido Livre, concorre Hélder Sousa, “Queremos uma cidade mais inclusiva, masi ecológica, com melhor mobilidade, mais habitação, espaços intergeracionais, espaços verdes e agilizar tudo isto com os municípios vizinhos.”

O Antigo presidente, Nuno Cardoso, apresenta-se agora como independente no movimento “Porto Primeiro”. “Dar a liderança ao Porto. Aumento da cidadania e construir a “habitação Acessível”. Podem confiar em nós, pois temos um passado, uma história.”

Apoiado pelo PSD, CDS e Iniciativa Liberal, Pedro Duarte vem do governo para concorrer à Câmara da Invicta. Justifica esta opção pelos lados emocional e racional, “Haver tantos candidatos demonstra a vitalidade da cidade e o interesse dos portuenses. No meu caso, dois aspetos concorreram para que hoje estivesse aqui. Um emocional – devolver à cidade o tanto que ela me deu; outro racional – Abrir um novo ciclo de governação e adaptá-lo. Uma gestão moderna e uma capacidade de visão estratégica que antecipe o que aí vem. Temos capacidade para ser a melhor cidade do mundo.”

Pelo Bloco de Esquerda é Sérgio Aires o candidato que defende o que sempre tem defendido, mas como diz “tantos projetos  apresentámos, não foram aceites e agora são aqui expostos como se fossem novidade. Continuamos a defender o mesmo. Queremos desenvolver sempre a Cultura, a economia local e a inclusão.”

Vitorino Silva, do RIR, como é seu timbre, defende o lado emocional e afetivo, a par com uma grande proximidade entre eleitores e eleitos. “Na cultura há muito por fazer. Faltam apoios ao associativo e, por que não, criar bandas filarmónicas nos diferentes bairros da cidade? É possível e é importante.”

Manuel Pizarro, do PS, sente orgulho no passado e no presente da cidade, “Tenho muito orgulho no passado e no presente. Todos os problemas que a cidade tem são consequência de hoje ter mais gente. Daí os problemas da habitação, da mobilidade, da segurança. Temos de adaptá-la aos novos tempos, com novos projetos, e isso tem falhado.”

Segurança

Tal como a habitação, a segurança da cidade é preocupação transversal aos candidatos. Apesar das diferentes perspetivas naquilo que é e deve ser a segurança.

Por exemplo, para Filipe Araújo, é imprescindível haver mais polícias na rua. “Neste momento o Porto tem 200 polícias municipais, mas temos de chegar a 400. E é fundamental criar, outra vez, os guardas-noturnos.” No caso da CDU, o problema pode resolver-se com o policiamento de proximidade.

Segundo Aníbal Pinto, “No Porto cometem-se 35 crimes por cada mil habitantes. É a terceira cidade com mais criminalidade.” E concluiu. “Ouço falar em mais polícias, e como fazem para pagar aos polícias? Os bares têm de ter um polícia, pago, à porta.”

Com algumas “nuances”, a preocupação com a criminalidade e a falta de segurança é um tema que todos acham que deve ser resolvido com urgência. Seja com mais polícia, guardas noturnos ou câmara de vigilância.

Para o Hugo Sousa, do Livre, há outra preocupação, “A violência da extrema direita está a aumentar na cidade. É preciso proteger as vítimas. Defendemos uma educação para a Cidadania.”

Manuel Pizarro salienta também que o combate ao tráfico de droga, punindo os traficantes e ajudando os consumidores na recuperação, pode contribuir para uma maior segurança na cidade.

Guilherme Jorge, do Volt é apologista de que deve ser combatida a violência extremista. E combater a pobreza sem reprimiras pessoas.

Habitação e Mobilidade

Temas fraturantes, sem dúvida. Apesar da unanime opinião de que ambos os tópicos devem ser tidos em conta, a forma como resolvê-los varia bastante de candidato para candidato.

Enquanto Pedro Duarte propões transportes públicos gratuitos para todos – que Sérgio Aires afirma ter sido uma ideia apresentada pelo BE há já algum tempo e foi “chumbada” – Nuno Cardoso propõe uma rede de transportes escolares.

Aníbal Pinto vai mais longe e propõe portagens urbanas, “É urgente tirar os carros da cidade”, diz.

O dossier habitação é polo de preocupação. E todos aceitam que os preços pedidos pelos arrendamentos são, de modo geral, inacessíveis.

Todos os candidatos concordam no reforço da rede pública de transportes. Mexer na CREP e na VCI são, também, intenções de alguns.

Aníbal Pinto vai mais longe e propõe portagens urbanas, “É urgente tirar os carros da cidade e aumentar a taxa turística, no mínimo, para os 5 euros. O Porto não é uma grande cidade? Então, se é, deve cobrar o que as outras grandes cidades cobram”, diz.

Habitação

O dossier habitação preocupa. E todos aceitam que os preços pedidos pelos arrendamentos são, de modo geral, inacessíveis a jovens e classe média.

Para Manuel Pizarro, “Habitação tem de ser uma emergência”. Propõe-se construir 5 mil casas com rendas acessíveis e defende o cooperativismo na habitação. Perante algumas observações dos seus adversários políticos, afirma, “É exequível, sim. Já há espaço. E vamos construir 5 mil. Vou demonstrar que é possível resolver o problema.”

O Volt e o BE concordam que é necessário construir. Urgente.

“Apoiar as associações de moradores, controlar os Alojamentos locais” são prioridades para Diana Ferreira, da CDU.

Aníbal Pinto afirmou que “devia ser vendida a habitação social a quem lá vive A preços módicos, claro. E depois, sim, haverá dinheiro para construir casas. Porque sem dinheiro não é possível.”

Um Plano Integrado para a Habitação é defendido pelo independente António Araújo.

Sustentabilidade e Limpeza

“Que nunca falte o oxigénio no Porto”, disse Vitorino Silva, do RIR. Defende a plantação de árvores em vários locais da cidade por ter demasiado betão e haver muito transito automóvel.

Sérgio Aires do BE quer um Mercado do Bolhão deixe de ser “um museu para o turismo”. “Alterar o modelo económico da cidade e o uso dos espaços públicos pelas pessoas seria o início da mudança”, enfatiza o candidato bloquista.

Embora de diferentes formas, há vontade por parte dos candidatos em rever a sustentabilidade urbana. António Araújo avança com a ideia de criar um Centro de Educação Ambiental. “Mais ecopontos, subir a taxa turística para 3,50 euros, reabilitar acessos e arruamentos dos bairros municipais”, são algumas das medidas que o representante da “Porto com Porto” promete se for o eleito. 

Hélder Sousa, do Partido Livre, está preocupado com a quantidade de emissões de CO2 e propõe a sua redução. Defende um “espaço público com mais acessibilidades e a transformação do Bolhão num Mercado de Frescos.”

 Filipe Araújo diz, “São necessários mais parques de estacionamento”

Pedro Duarte informa que saiu do governo para “tornar facilitada a vida das pessoas, torná-las mais felizes. O medo de ser assaltado é real e tem de ser resolvido. Quero lutar pela tranquilidade das pessoas.”

“O apoio na produção de energia” é prioridade para Manuel Pizarro . “Há pobreza energética no Porto e isso preocupa-me muito.”

Cultura. Inclusão. Educação

E a Cultura ficou para o fim. O que não quer dizer que os candidatos a Presidente de Câmara não a tenham bem vincada nos seus projetos. Porém, com visões muito diferentes.

Diana Ferreira mostra preocupação com os trabalhadores da Cultura, com o “Stop” e promete “a construção de uma rede de creches”.

Para o representante do Livre, Hugo Sousa, “A autarquia tem de deixar de ser produtora de cultura e passa a ser, apenas, facilitadora. Cabe às associações e outros órgãos culturais, produzirem. O Teatro da Vilarinha, por exemplo, fechado há 4 anos deve ser entregue para produção de eventos culturais.”

“Linhas de financiamento mais estáveis”, pede Guilherme Jorge, do Volt.

Se para uns, há muito a fazer na cidade, para outros os dois grandes polos – Serralves e Casa da Música – são exemplos da forte aposta cultural.

No caso do Centro Português de Fotografia, que funciona na antiga Cadeia da Relação, “tem de ser gerido pelo Porto”, avança Manuel Pizarro.

Filipe Araújo observou que a Cultura no Porto está de boa saúde e funciona sem entraves partidários e ideológicos.

Vitorino Silva concluiu, “se o Estado tivesse sentimentos tudo estava muito melhor.”

No final, o público teve 10 minutos para questionar diretamente os concorrentes à cadeira de Rui Moreira, que não pode recandidatar-se por ter cumprido o número legal de mandatos.