A tua ausência sabe morar em mim

A tua ausência sabe morar em mim
Não fere.
Não sangra.
Fica.
Não é uma dor que grite, nem que peça remédio.
É dessas que se instalam devagar,
como quem não quer incomodar.
A tua ausência dói-me num lugar sem nome,
onde o corpo já não chega e a alma aprende a suportar.
Uma dor que não fere, mas fere.
Fere o vazio deixado no meu corpo
Como se lembrar fosse insistir numa presença que não volta.
Às vezes é só um cansaço que não vem do dia,
ou um silêncio que sabe o teu nome.
Outras, é este vácuo atento, que me acompanha sem falar.
A tua ausência deixa sinais subtis:
uma frase que não digo,
um espaço que ficou teu
e que o tempo não ocupa.
É isso.
A tua ausência dói-me do modo mais fundo
e mais calado que existe.