A propósito da VCI do Porto

Fico muito grato ao atual Presidente da Câmara, Pedro Duarte, por trazer, finalmente, depois de 20 anos sem projetos, o tema da VCI para a imprensa nacional, com objetivos claros de mudar este paradigma.
Na minha opinião este é e será, enquanto não resolver “o calcanhar de Aquiles” do Porto, no que diz respeito a projetos de futuro na mobilidade e no Ambiente. Só lhe pedia que a proposta de túnel da Arrábida a Francos fosse estendida até ao viaduto da Prelada.
Nós, em Ramalde, na Prelada, merecemos a resolução desta questão pelo esforço que fizemos ao longo de 30 anos, de forma cívica e ordeira. Não perderei tempo com os mandatos cinzentões dos últimos dois presidentes da CMP que já ninguém se lembra deles, mas acompanharei com interesse a PROPOSTAS QUE DIZEM RESPEITO AO FUTURO DO PORTO. Como sempre o fiz e fizemos quando criamos a Comissão da VCI do Porto, onde ainda estamos: Jorge Silva; Paulo Coelho e Emília Madureira.
Para quem não sabe a Via de Cintura Interna (VCI) do Porto enfrentou sempre desafios críticos de mobilidade, sustentabilidade e coesão urbana. Para já o futuro desta infraestrutura estratégica exige a reformulação profunda da Gestão de Tráfego e Portagens – Fim das portagens na CREP libertará a VCI do tráfego de passagem de longo curso; Pórticos virtuais devem ser implementados com taxas de congestionamento para não residentes em horas de ponta; a velocidade deve e pode ser variável: ajustar os limites em tempo real para reduzir filas e acidentes (a atual foi negociada pela Comissão há mais de 20 anos). A Descarbonização e Ambiente que é sempre uma preocupação previa barreiras acústicas verdes, ou seja, a instalação de coberturas vegetais para mitigar o ruído severo com barreiras concavas na Prelada.
O asfalto precisa de ser reparado com regularidade (fonoadsorvente) – deve ser substituído por materiais que absorvem o som dos pneus; As (ZER) Zonas de Emissões Reduzidas deve ser restringidas, progressivamente, pela circulação de veículos pesados poluentes.
Por fim e para já porque é um tema que a Comissão tem debatido a Intermodalidade e Transportes devem ser previstos parques dissuasores a construir, nós de estacionamento “Park & Ride” nas principais entradas (Ex: nó de Francos, Antas etc, etc.); Uma via reservada BUS que deve dedicar faixas a transportes públicos e veículos de alta ocupação. A expansão do Metro deve aliar a reconfiguração da VCI à criação de novas linhas circulares suburbanas. Um dos aspetos que temos debatidos é a integração Urbana e a criação de um Futuro Cofre urbano, ou seja, estudar o enterramento de troços críticos para unir bairros, hoje divididos.
Aumentar o espaço publico da cidade. A instalação de sensores IoT: onde a IA prevê congestionamentos e desvia tráfego antes dos nós saturados. A criação de corredores verdes, ou seja, transformar as margens da autoestrada em espaços de transição ecológica urbana. A VCI do futuro deve deixar de ser uma barreira cinzenta e poluente para se tornar num eixo conector inteligente. A transição de uma lógica de “escoamento de carros” para “movimento de pessoas” determinará a qualidade de vida e a saúde ambiental de toda a Área Metropolitana do Porto. Pedro Duarte, esse é o caminho que deve unir a Universidade e a CMP. Assim, a cidade projetará o futuro, já. Sem perdas de tempo.
