60 anos de Vilar de Mouros: um cartaz para todas as idades com noites inesquecíveis

O mais emblemático dos festivais de música em Portugal, que terminou a edição deste ano na noite de sábado com o concerto dos Da Weasel, já antecipou a edição de 2026 com três novidades: anúncio da data, de 19 a 22 de agosto; confirmação da primeira banda do cartaz, Triggerfinger, e inauguração do Museu do Festival Vilar de Mouros.

O Festival CA Vilar de Mouros arrancou passada quarta-feira, dia 20 de agosto, para uma edição especial que assinala seis décadas de história, trazendo a Caminha milhares de festivaleiros de várias gerações. A icónica aldeia minhota voltou assim a vibrar com o “decano” dos festivais musicais da Península Ibérica.

Na abertura, o recinto foi tomado pela nostalgia e pelo entusiasmo. A jovem banda, Dubaquito, banda do concelho de Caminha, deram início às actuações, aquecendo o público presente. Seguiram-se os Altered Images, enquanto os Starsailor assinalaram 25 anos de carreira, revisitando alguns dos seus maiores êxitos.

Os lendários The Stranglers regressaram ao palco que já tinham pisado em 1982, acrescentando um toque nostálgico ao evento e unindo gerações distintas de público. Os James marcaram presença com uma atuação intensa, encerrando a sua digressão europeia e emocionando os fãs que entoaram os seus maiores sucessos em coro.

A fechar o dia, os The Kooks apresentaram o novo álbum “Never/Know”, completando um primeiro dia memorável, cheio de emoção e de ligação às memórias do festival.

Apesar do cartaz de luxo, o que mais se destacou no primeiro dia foi o ambiente dentro e fora do recinto. Desde cedo se viam filas à entrada, com punks, rockers e famílias inteiras a misturarem-se num convívio intergeracional que só Vilar de Mouros consegue proporcionar.

O pequeno largo da aldeia transformou-se num espaço de encontro, onde cafés e tasquinhas serviam frango no churrasco, cerveja fresca e histórias de outros tempos, de amizade e convívio que se repetem ano após ano, como recordam frequentadores habituais, que sublinham que “é pelo espírito e pelas pessoas” que continuam a regressar.

No segundo dia, o palco foi tomado pela irreverência e diversidade de estilos. A jovem revelação Girlband! abriu as actuações, conquistando o público com um ritmo fresco e uma presença marcante. Seguiram-se os The Godfathers, que trouxeram a sua mistura característica de rock alternativo, punk e R&B.

Os Palaye Royale, uma das bandas mais faladas da actualidade, mantiveram a intensidade, preparando o terreno para os históricos The Damned, que provaram que o punk continua vivo e relevante passadas mais de cinco décadas depois. A fechar a noite, os lendários Sex Pistols, agora com Frank Carter na voz, incendiaram o público com a energia crua e irreverente que os consagrou.

Com este arranque, Vilar de Mouros mostrou mais uma vez porque é considerado o “festival mítico” de Portugal: um espaço onde se cruzam lendas da música, novos talentos e um público fiel, num ambiente inconfundível que celebra 60 anos de história.

No terceiro dia, o festival mergulhou num registo mai pesado, com uma noite marcada por intensidade e adrenalina. A jovem banda sueca Girl Scout abriu o palco, trazendo frescura e energia cativantes. Seguiu-se a banda de tributo Hybrid Theory, que reviveu as vibrações emblemáticas do Linkin Park.

Os belgas Triggerfinger conquistaram o público com o seu rock musculado e energético, enquanto os suecos Refused imprimiram toda a atitude do punk hardcore. A noite culminou com os Papa Roach, que confirmaram o estatuto de cabeças de cartaz com uma atuação memorável, terminando este dia de forma memorável.

No encerramento, a 23 de agosto, o cartaz proporcionou uma fusão colorida de estilos. Os Cavaliers Of Fun aqueceram o recinto com sonoridades eletrónicas, seguidos pelos lendários Stereo MCs, que transformaram o espaço numa verdadeira pista de dança.

Os britânicos The Ting Tings trouxeram o seu pop-rock contagiante, enquanto os norte-americanos I Prevail, estreia em Portugal, conquistaram a multidão com uma energia intensa.

O grande momento da noite coube aos portugueses Da Weasel, que brilharam num regresso carregado de emoção, encerrando a edição com chave de ouro e deixando o público rendido.

Com estes quatro dias de música — recheados de nostalgia, irreverência, energia e reconciliações intergeracionais — o Vilar de Mouros reafirmou-se como ponto de encontro incontornável, onde gerações se unem para celebrar seis décadas de história, mantendo vivo o espírito do festival mais antigo da Península Ibérica.

A edição de 2026 do Festival CA Vilar de Mouros está confirmada e ocorrerá de 19 a 22 de agosto. O evento manterá a sua tradição de quatro dias de música no coração do Alto Minho, na aldeia de Vilar de Mouros, em Caminha.

A primeira banda confirmada para o cartaz de 2026 são os belgas Triggerfinger, que já marcaram presença na edição deste ano e foram descritos pelo organizador Paulo Ventura como “os artistas fetiche” do festival.

Está previsto para o próximo ano a inauguração de um Museu do Festival Vilar de Mouros, que irá contar a história do evento, desde os seus primeiros anos até à atualidade. O projeto será curado por Fernando Zamith, professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e o espólio já está a ser reunido pela comunidade.