01. A minha história de luta contra o cancro

Há histórias que precisam de ser contadas. Não por vaidade, não por pena, mas porque podem acender uma luz no caminho de alguém que hoje caminha na escuridão. Esta é a minha história. Uma história de luta, de dor, mas sobretudo de esperança.

O primeiro diagnóstico
Era 2017 quando o meu mundo desabou. As palavras do médico ainda ecoam na minha memória: “Cancro nos intestinos”. Naquele momento, tudo parou. O tempo, os sonhos, os planos. Olhei para a minha mulher, pensei no meu filho, e algo dentro de mim gritou: “Não vou desistir”.

O que se seguiu foi uma verdadeira batalha. Quatro cirurgias, duas delas operações extremamente complexas que testaram os limites do meu corpo, IPAT. Horas intermináveis no bloco operatório, médicos e enfermeiros que se tornaram anjos na Terra. Depois vieram as sessões de quimioterapia. Cada uma delas roubava-me um pedaço das forças, mas eu agarrava-me à esperança como um náufrago se agarra a uma tábua.

A força do amor
Nunca estive sozinho. A minha mulher foi o meu pilar, a minha rocha. Nos dias em que eu não conseguia levantar-me da cama, ela estava lá. Nas noites em que o medo me consumia, ela segurava a minha mão. Cuidou de mim com uma dedicação que só o amor verdadeiro pode dar. Ela lavou-me, alimentou-me, encorajou-me. Sem ela, eu não teria conseguido.

E o meu filho… cada vez que o olhava, sabia exatamente porque tinha de vencer. Por ele, lutaria até ao fim.

A recuperação e os anos de esperança
Consegui. Venci a primeira batalha. Recuperei, voltei à vida, abracei os meus, voltei a sonhar. Durante 2 anos, vivi com a gratidão de quem ganhou uma segunda oportunidade. Celebrei cada aniversário, cada Natal, cada momento em família como se fosse o último e o primeiro ao mesmo tempo.

Mas a realidade é cruel: de dois em dois anos, o cancro voltava a aparecer. Cada vez que pensava estar livre, ele regressava. Os exames de controlo traziam sempre aquela ansiedade, e por vezes, a confirmação do que mais temia. Mesmo assim, continuei a lutar. Estava vivo. Não ia desistir.

Mas em 2025, a doença voltou a bater à minha porta. Desta vez, mais agressiva. O cancro, para além dos intestinos, espalhou-se pelo ombro, pela anca. O diagnóstico caiu como um raio. Metástases. A palavra que ninguém quer ouvir.

Confesso que, por momentos, a esperança tremeu. “Outra vez?”, perguntei a mim mesmo. “Não tenho mais forças”, pensei. Mas então olhei à minha volta. Vi a minha mulher, forte como sempre. Vi o meu filho. Vi tudo aquilo pelo que vale a pena lutar.

A nova batalha
Agora, início uma nova jornada. Radioterapia e quimioterapia aguardam-me. Sei que não será fácil. Sei que haverá dias de dor, de cansaço, de lágrimas. Mas também sei que não vou desistir.

Aprendi que o cancro pode tirar-nos a saúde, pode tirar-nos o cabelo, pode tirar-nos o sono. Mas há uma coisa que ele não pode tirar: a nossa vontade de viver, a nossa capacidade de amar, a nossa esperança.

A mensagem que quero deixar
Se está a ler isto e também enfrenta esta luta, quero que saiba: não está sozinho. Haverá dias terríveis, dias em que vai querer desistir. Mas haverá também dias de luz, de pequenas vitórias, de sorrisos recuperados.

Agarre-se às pessoas que ama. Aceite ajuda. Chore quando precisar, mas levante-se sempre. Cada dia em que acorda é uma vitória. Cada tratamento que completa é uma medalha de honra.

A minha história ainda está a ser escrita. Não sei como vai terminar, mas sei que vou escrevê-la com coragem, com dignidade, com amor. E se estas palavras puderem dar força a uma única pessoa, então valeu a pena partilhá-las.

O cancro é forte, mas a esperança é mais forte. O amor é mais forte. A vontade de viver é mais forte.

Vítor Lima